Ficou. Quando o Santos anunciou o retorno de Neymar em janeiro de 2025, boa parte da imprensa apostou num ciclo curto — seis meses, uma passagem emotiva, destino final a MLS. Dezessete meses depois, o atacante ainda usa a camisa 10 do Peixe, já disputou nove jogos seguidos desde o fim da última Data Fifa e tem seu nome sobre a mesa de Carlo Ancelotti para a lista de 26 convocados da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo.
O que Marcelo Teixeira revelou sobre a permanência
Em entrevista exclusiva à ESPN publicada nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, colocou em perspectiva o que muitos consideravam incerto desde o início do projeto.
"Quando nós trouxemos o Neymar em janeiro de 2023, não sei sua opinião na época, mas a maioria da imprensa dizia que o Neymar ficaria seis meses e depois ia para os Estados Unidos. Já estamos há 1 ano e meio e Neymar está no Santos. A expectativa nossa, do Santos, do Neymar, é darmos continuidade e ele permanecer até o fim do contrato, no final do ano."
A declaração tem peso contratual concreto: o vínculo se estende até dezembro de 2026, o que significa que qualquer negociação por uma saída antecipada exigiria compensação financeira ao clube. O Transfermarkt avalia Neymar em torno de 8 milhões de euros — cifra modesta para um nome de seu histórico, mas coerente com a faixa etária (34 anos) e o histórico recente de lesões.
Do ponto de vista da estrutura salarial, o SportNavo apurou que o pacote de remuneração envolve salário base, luvas de assinatura e percentual sobre direitos de imagem — modelo comum em contratos de atletas-âncora no Brasil. A folha do Santos triplicou desde o retorno do craque, segundo fontes do mercado, mas a receita incremental em patrocínio e bilheteria tem compensado parcialmente o custo.
A equação financeira do retorno ao Peixe
O ROI de um contrato como o de Neymar no Santos raramente se fecha apenas pela coluna de salários. Há três vetores de receita que o clube precisa monitorar: valorização de cotas de patrocínio (a camisa 10 foi determinante para renovações com marcas parceiras), incremento de público pagante na Vila Belmiro e potencial de venda de direitos econômicos residuais — embora o atacante detenha parcela relevante dos próprios direitos após o encerramento do vínculo com o Al-Hilal.
A intermediação do retorno ao Brasil envolveu o estafe histórico do jogador, com comissões estimadas pelo setor em torno de 5% a 8% sobre o valor total do pacote salarial — prática padrão em operações desta magnitude. Não há registro público de participação de terceiros nos direitos econômicos do atleta neste contrato específico.
"No início, poderíamos nós mesmos termos dúvidas do que ele poderia fazer, a maneira como reagiria às contusões, ano passado foi difícil, ele teve uma série de problemas, e aos poucos nós fomos equacionando, estudando, entre todos os profissionais de saúde, parte técnica, e na conscientização dele também", disse Teixeira à ESPN.
O dado que Teixeira não detalhou publicamente — mas que qualquer analista financeiro de clube precisa considerar — é o custo do departamento médico ampliado para suportar a carga de reabilitação do atleta ao longo de 2025, um ano que o próprio presidente classificou como "difícil" em termos de continuidade física.

Neymar na Copa e o efeito sobre o contrato
A convocação para o Mundial tem impacto direto sobre o cenário pós-Copa. Se Ancelotti incluir o camisa 10 na lista de 26 — decisão prevista para segunda-feira, 18 de maio, às 17h —, o Santos entra no período do torneio sem o atleta à disposição, mas com visibilidade global do jogador que pode atrair ofertas no mercado de transferências de julho.
A MLS segue como destino especulado para depois do Mundial, com franquias como Inter Miami e LA Galaxy historicamente dispostas a estruturar pacotes de imagem que superam o componente salarial puro. Uma transferência nesse molde liberaria o Santos de parte do custo fixo, mas eliminaria o ativo de imagem mais rentável do clube no segundo semestre de 2026.
Teixeira foi objetivo ao posicionar a expectativa do clube: permanência até dezembro. Qualquer movimento diferente depende de uma proposta com valor de transferência que justifique a abertura de negociação — e, neste momento, o presidente não demonstrou apetite para isso.
"Convocação é um assunto de treinador. A gente sempre deve respeitar as escolhas, mas o projeto do Neymar, desde sua vinda, era visando a Copa do Mundo também", afirmou o presidente do Santos.
O domingo que antecede tudo
Antes de qualquer decisão sobre convocação ou futuro contratual, há um jogo. No domingo, 17 de maio, o Santos recebe o Coritiba pela 16ª rodada do Brasileirão 2026 na Vila Belmiro — e aquela será a última vitrine de Neymar antes de Ancelotti fechar a lista. Nove partidas consecutivas jogadas são o argumento mais forte que o atacante tem neste momento. O relatório médico e o número de minutos em campo pesam mais, neste caso, do que qualquer declaração de dirigente.
A câmera vai focar no camisa 10 durante o aquecimento, como sempre faz. Mas o que Marcelo Teixeira deixou claro à ESPN é que, independentemente do que acontecer no Mundial, o Santos já traçou o plano: Neymar no Peixe até dezembro de 2026, contrato cumprido, projeto encerrado dentro do prazo acordado.








