Todo mundo sabe que a final da Champions League 2025/26 será disputada entre PSG e Arsenal, em Budapeste, no dia 30 de maio. Como três brasileiros chegaram juntos até lá — com camisas diferentes, por caminhos distintos e com histórias que interessam diretamente ao futuro da Seleção — é a parte que poucos pararam para examinar com calma.

Marquinhos e o recorde que Roberto Carlos não tem mais

Comecemos pelo mais experiente. Marquinhos entrou em campo na Allianz Arena carregando um número que passou quase despercebido na cobertura brasileira: a sua 121ª partida na Liga dos Campeões, superando Roberto Carlos como o brasileiro com mais jogos na história da competição. Para quem cresceu assistindo o lateral gaúcho voar pela esquerda no Real Madrid de Figo, Zidane e Ronaldo, isso diz muito sobre a longevidade do zagueiro paulistano.

Sua semifinal contra o Bayern não foi impecável. No quarto gol alemão em Paris, Marquinhos foi fintado por Luis Díaz num duelo direto que expôs certa lentidão de reação — o tipo de momento que os adversários arquivam para usar em finais. Na volta, porém, o capitão do PSG foi o alicerce da segurança defensiva que conteve Harry Kane, Michael Olise e o próprio Díaz por quase 90 minutos, até o gol de honra bávaro nos acréscimos. O PSG venceu o agregado por 6 a 5, e Marquinhos esteve no centro de tudo.

Luis Enrique construiu em Paris justamente o que o jornal espanhol Sport descreveu após a classificação:

"Lucho é faz tempo um dos treinadores mais respeitados do panorama internacional. Na França, construiu um time reconhecível, solidário e menos dependente de individualidades, conquistando o país e o continente."
Marquinhos é o símbolo vivo dessa filosofia — um capitão que lidera pelo exemplo tático, não pela estrela no peito.

Gabriel Magalhães e o instinto que parou o Atlético de Madrid

Do outro lado, o Arsenal chegou a Budapeste pela segunda vez na história da competição — a primeira havia sido em 2005/06, quando o time de Arsène Wenger perdeu para o Barcelona de Ronaldinho e Eto'o. Naquela noite em Paris, o goleiro Jens Lehmann foi expulso com 18 minutos e o Arsenal jogou mais de uma hora com dez homens antes de ceder na reta final. Duas décadas depois, a equipe de Mikel Arteta tem outra consistência defensiva — e um brasileiro no centro dela.

Gabriel Magalhães foi o nome mais decisivo do Arsenal na semifinal contra o Atlético de Madrid. Seu lance mais comentado ocorreu quando Giuliano Simeone limpou o goleiro David Raya e estava na iminência de empatar o agregado: Gabriel chegou por trás, pressionou o argentino e impediu o gol que poderia ter mudado tudo. Não foi sorte — foi leitura de jogo e posicionamento. O tipo de intervenção que técnicos de defesa ensinam em lousa e poucos jogadores executam no momento certo.

Marquinhos e o recorde que Roberto Carlos não tem mais Marquinhos, Gabriel e Mar
Marquinhos e o recorde que Roberto Carlos não tem mais Marquinhos, Gabriel e Mar

No jogo de ida, Gabriel completou 32 ações com a bola antes de ser substituído aos 23 minutos do segundo tempo — número expressivo para um zagueiro central. Na volta, entrou apenas aos 38 do segundo tempo, com 13 minutos para administrar. Administrou.

Martinelli, o artilheiro que chegou frio quando o jogo exigia

Gabriel Martinelli é o artilheiro do Arsenal na Champions League 2025/26. O atacante de Guarulhos esteve em campo nos dois confrontos contra o Atlético, e sua presença no onze inicial da ida mostra o quanto Arteta confia nele nos jogos de maior pressão. Quem não tem cão caça com gato — e o Arsenal, sem Gabriel Jesus na competição europeia por questões relacionadas à Copa do Mundo, precisou que Martinelli carregasse o peso ofensivo com ainda mais responsabilidade.

Jesus, que também defende o Arsenal, está fora da Copa e, portanto, fora do radar imediato da Seleção para 2026. Isso amplia ainda mais a visibilidade de Martinelli, que chega à final de Budapeste como o brasileiro mais jovem dos três envolvidos e com mais a provar — tanto para Arteta quanto para Carlo Ancelotti, atual técnico da Seleção Brasileira.

O que Budapeste resolve para a Seleção de Ancelotti

A final de 30 de maio serve, de forma involuntária, como penúltimo teste coletivo antes da Copa do Mundo. Marquinhos, Gabriel Magalhães e Martinelli dividem a zaga titular e a ponta do ataque da Seleção em diferentes combinações táticas. Ver os três em lados opostos numa final de Champions, sob pressão máxima, é o tipo de avaliação que nenhum amistoso de preparação consegue replicar.

Harry Kane, artilheiro eliminado pelo PSG, resumiu com precisão o que diferenciou os parisienses:

"Olhe para o Paris — eles foram simplesmente implacáveis, marcando cinco gols da maneira como fizeram na primeira partida. Era exatamente disso que precisávamos hoje."
Essa implacabilidade, construída por Luis Enrique com Vitinha (seis gols e uma assistência na Champions), Kvaratskhelia (dez gols e seis assistências em 15 jogos) e Dembélé (sete gols em 12 partidas), é o obstáculo real que Gabriel Magalhães e Martinelli precisarão superar em Budapeste.

Luis Enrique, bicampeão da Champions — pelo Barcelona em 2014/15 e pelo PSG em 2024/25 —, pode igualar Zidane e Guardiola com três títulos caso vença a final. O Arsenal de Arteta busca o primeiro. Entre os dois projetos, três brasileiros decidem quem leva a taça para casa — e quem chega ao Mundial de 2026 com o melhor argumento possível na bagagem.

Todo mundo sabe que a final da Champions 2025/26 será disputada entre PSG e Arsenal, em Budapeste, no dia 30 de maio. Como três brasileiros chegaram juntos até lá — de lados opostos, com histórias distintas e com a Copa do Mundo como pano de fundo — é o que o jogo vai responder.