O nome de Lionel Messi apareceu na lista e o silêncio durou um segundo — depois veio o peso real da notícia. Scaloni divulgou os 26 convocados da Argentina para a Copa América neste sábado, exatamente 11 horas após a goleada de 4 a 1 sobre a Guatemala no último amistoso de preparação, e o que ficou no ar não foi a confirmação do camisa 10: foi a pergunta que ninguém quer responder antes do tempo. Esta pode ser a última vez que Messi defende a Argentina em uma Copa América.

Os cortes que revelam a maturidade do grupo de Scaloni

Para chegar aos 26 nomes definitivos, Scaloni precisou cortar três jogadores que integravam os 29 convocados para os amistosos de preparação. Saíram Leonardo Balerdi, do Olympique de Marselha, Valentín Barco, do Brighton, e Ángel Correa, do Atlético de Madrid. As ausências dizem tanto quanto as presenças: Balerdi era opção de profundidade na defesa, Barco representava a renovação nas laterais, e Correa — veterano de convocações anteriores — perdeu espaço para uma geração que já se consolidou.

A exclusão mais debatida pela imprensa argentina, contudo, não foi nenhuma dessas três. Paulo Dybala, da Roma, ficou fora pela segunda convocação seguida, depois de também ter sido preterido nos amistosos contra Equador e Guatemala. Scaloni foi direto ao explicar a decisão:

"Sua qualidade é inegável, mas hoje existem outros jogadores que se consolidaram nessa posição e merecem uma oportunidade. Nós o queremos, ele é um jogador fantástico, mas estamos focados no presente e no que ele pode contribuir no futuro."

A lista final reúne um elenco de peso europeu: Emiliano Martínez no gol após se recuperar de lesão, Rodrigo De Paul no meio, e um ataque com Lautaro Martínez (Inter de Milão), Julián Álvarez (Manchester City) e Garnacho (Manchester United) disputando espaço ao lado de Messi (Inter Miami). Reparemos no detalhe: dos 26 convocados, pelo menos 20 atuam em clubes das cinco principais ligas europeias — um retrato da internacionalização do futebol argentino nas últimas duas décadas.

Os cortes que revelam a maturidade do grupo de Scaloni Messi na última Copa Amér
Os cortes que revelam a maturidade do grupo de Scaloni Messi na última Copa Amér

O que Messi já conquistou e o que Maradona carregou para sempre

A comparação entre Messi e Diego Armando Maradona pela seleção argentina é o debate mais antigo e mais inconcluso do futebol sul-americano. Por anos, o argumento central dos críticos de Messi era a ausência de um título expressivo com a Albiceleste. Esse capítulo foi reescrito: a Copa do Mundo de 2022, no Qatar, chegou como resposta definitiva a quem duvidava. Messi também conquistou a Copa América de 2021, encerrando um jejum de 28 anos do país no torneio continental.

O que Messi já conquistou e o que Maradona carregou para sempre Messi na última
O que Messi já conquistou e o que Maradona carregou para sempre Messi na última

Maradona, por sua vez, venceu uma Copa do Mundo (México, 1986) e uma Copa América (1987), além de ter chegado à final do Mundial de 1990, na Itália. Em termos de títulos pela seleção, os dois estão empatados em dois troféus cada — mas o peso simbólico do Mundial de 86, com o gol de mão e o "gol do século" contra a Inglaterra, construiu uma narrativa que transcende estatísticas. Messi tem 109 gols em 191 jogos pela Argentina, números que Maradona, com 34 gols em 91 partidas, jamais alcançaria em volume, mas que o Diego não precisava: ele venceu uma Copa do Mundo praticamente sozinho, em um contexto tático e geracional completamente diferente.

O que esta Copa América pode oferecer a Messi não é apenas mais um troféu. Uma segunda conquista continental, somada ao Mundial de 2022, daria ao argentino uma consistência de títulos com a seleção que Maradona não chegou a ter — dois Mundiais ou dois torneios continentais, o Diego não acumulou. Matematicamente, Messi pode sair do torneio com uma vantagem de títulos que o debate histórico até hoje resiste em reconhecer.

Scaloni e a gestão de um ciclo que pode estar se fechando

Lionel Scaloni tem administrado com equilíbrio raro a transição geracional da seleção argentina sem abrir mão das referências que consolidaram o ciclo vencedor. Ángel Di María, outro nome confirmado na lista e companheiro de geração de Messi, também pode estar disputando sua última Copa América — o atacante, hoje no Benfica, completou 36 anos em fevereiro de 2026. A dupla que esteve presente na conquista do Mundial do Qatar segue como pilar emocional e técnico do grupo.

O técnico já havia demonstrado, em declarações anteriores à DSports, sua postura diante das incertezas na montagem do elenco:

"Vamos esperar até o final para anunciar a lista de convocados. Como sempre, será doloroso para alguns e alegre para outros. Ainda temos algumas dúvidas, alguns problemas menores com alguns jogadores que resolveremos nos próximos dias."

Essa cautela reflete um treinador que aprendeu a não desperdiçar o capital político que acumulou. Scaloni cortou jogadores de clubes como Brighton e Atlético de Madrid sem cerimônia, priorizando quem demonstrou consistência no ciclo recente — um sinal de que o projeto não depende de nomes, mas de rendimento dentro do sistema.

Argentina no torneio e o que Messi precisa para sair pela porta que escolher

A Argentina, maior campeã da Copa América ao lado do Uruguai com 15 títulos, defende o troféu conquistado em 2021 e chega ao torneio como atual campeã mundial. Segundo dados apurados em matéria do SportNavo, a expectativa de audiência para os jogos da Albiceleste nos Estados Unidos supera 12 milhões de espectadores por partida nas plataformas digitais latino-americanas — número que dobra quando Messi é confirmado na titularidade.

A estreia da Argentina na Copa América 2026 está marcada para esta quinta-feira, contra o Canadá, em Atlanta. A equipe está no Grupo A, ao lado de Peru, Canadá e Chile — um grupo tecnicamente acessível, mas que exige seriedade desde o início para evitar o desgaste físico de Messi em jogos desnecessariamente disputados. Aos 38 anos, o camisa 10 não pode ser gerenciado como aos 28: cada minuto em campo precisa ter propósito.

Se Messi levantar a taça em julho, o debate com Maradona não termina — debates assim nunca terminam — mas ganha um novo andar. Uma Copa do Mundo mais uma Copa América a mais que o Diego. Dois títulos continentais contra um. É a diferença entre um legado que foi construído e um legado que foi entregue pronto pelo destino. Como uma catedral que levou décadas para ter a última pedra assentada: a planta sempre foi genial, mas só o tempo e a paciência revelaram a obra completa.