A preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 ganha contornos definitivos com duas movimentações que podem alterar substancialmente o esquema titular de Carlo Ancelotti. O retorno de Éder Militão após longa lesão e a consolidação de Estêvão como promessa do ataque brasileiro criam um cenário inédito desde que o técnico italiano assumiu o comando da equipe nacional.

O retorno de Militão e o histórico das duplas de zaga

Militão, ausente dos gramados por quatro meses devido à ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito sofrida em agosto de 2024, representa uma peça fundamental no sistema defensivo brasileiro. Aos 27 anos, o zagueiro do Real Madrid acumula 34 partidas pela Seleção, com apenas três derrotas - um aproveitamento de 79,4% que supera a média histórica dos zagueiros brasileiros em Copas do Mundo.

A comparação com duplas históricas da Seleção em Copas revela a importância de uma zaga consolidada. Em 2002, a dupla Lúcio-Edmílson sofreu apenas quatro gols em sete jogos, mantendo três jogos sem sofrer gols. Já em 1994, Aldair-Márcio Santos concederam cinco gols em sete partidas, com quatro clean sheets. Militão, quando em campo ao lado de Marquinhos, registra média de 0,6 gols sofridos por jogo - número que pode ser decisivo na competição.

"A volta do Militão nos dá opções táticas que não tínhamos antes. Sua experiência em finais de Champions League é algo que poucos jogadores brasileiros possuem", observou fonte próxima à comissão técnica.

Estêvão e a renovação ofensiva brasileira

Aos 17 anos, Estêvão representa a mais jovem promessa a despertar interesse da Seleção desde Ronaldinho Gaúcho em 1999. O atacante do Palmeiras, autor de 13 gols e oito assistências em 29 jogos pelo clube paulista em 2024, apresenta números que superam os de Neymar na mesma idade - quando o santista marcava nove gols em 42 partidas profissionais.

A estatística histórica mostra que jogadores que estrearam na Seleção antes dos 18 anos tiveram impacto significativo em Copas subsequentes. Pelé, convocado aos 17 anos para a Copa de 1958, marcou seis gols na competição. Ronaldo, que estreou na Seleção aos 17 anos em 1994, tornou-se artilheiro da Copa de 1998 com oito gols. Estêvão, com características similares aos dois ídolos - velocidade, finalização e capacidade de criação -, pode ocupar qualquer posição do ataque brasileiro.

O sistema tático de Ancelotti e as novas peças

Carlo Ancelotti trabalha preferencialmente com o sistema 4-3-3 desde que assumiu a Seleção, esquema que utilizou em 73% dos jogos dirigidos até agora. Com Militão disponível, a zaga titular seria formada por ele e Marquinhos, liberando Gabriel Magalhães ou Beraldo para funções de reserva imediato. Essa configuração replica a bem-sucedida parceria que os dois mantêm na Liga dos Campeões, onde registraram 12 vitórias em 16 jogos juntos.

O retorno de Militão e o histórico das duplas de zaga Militão e Estêvão podem re
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No ataque, Estêvão surge como alternativa tanto para a ponta direita quanto para a posição de falso 9. As características do jovem atacante se adequam ao estilo de jogo que Ancelotti implementou na Seleção: posse de bola elaborada, transições rápidas e finalização dentro da área. Em comparação, Vinícius Júnior ocupa preferencialmente a ponta esquerda, deixando o corredor direito em aberto para a ascensão de Estêvão.

Estêvão e a renovação ofensiva brasileira Militão e Estêvão podem redefinir esqu
Estêvão e a renovação ofensiva brasileira Militão e Estêvão podem redefinir esqu
"Estêvão tem maturidade tática impressionante para a idade. Sua capacidade de jogar em múltiplas posições nos dá flexibilidade durante a partida", destacou analista da CBF em relatório técnico.

Impacto histórico de mudanças pontuais em Copas

A história das Copas do Mundo mostra como alterações específicas na formação titular podem definir campanhas inteiras. Em 2002, a entrada de Ronaldinho no lugar de Juninho Paulista mudou completamente a dinâmica ofensiva brasileira - o meia-atacante participou diretamente de sete gols nos cinco jogos que disputou. Similarmente, em 1994, a consolidação de Bebeto ao lado de Romário criou uma dupla que marcou dez dos 11 gols brasileiros na competição.

Os números de Militão em jogos decisivos reforçam sua importância: em 14 partidas contra seleções europeias e sul-americanas, o zagueiro manteve oito jogos sem sofrer gols e registrou apenas uma derrota. Estêvão, por sua vez, demonstra personalidade em momentos de pressão - marcou gols decisivos em três clássicos pelo Palmeiras em 2024, incluindo o gol da vitória contra o São Paulo que garantiu vaga na Libertadores.

A Seleção Brasileira volta aos gramados em março de 2025, nas Eliminatórias Sul-Americanas, quando Ancelotti terá a oportunidade de testar definitivamente a integração das duas peças ao esquema titular. O confronto contra o Uruguai, no Centenário, em 27 de março, pode ser decisivo para definir a formação que o Brasil levará à Copa do Mundo.