Tremeu. O vestiário dos Cleveland Cavaliers antes do Jogo 3 carregava o peso de uma estatística brutal: nenhuma franquia na história dos playoffs da NBA jamais reverteu uma desvantagem de 0-3. Uma derrota naquela noite de sábado (9) na Rocket Arena não seria apenas mais um tropeço — seria o início do fim. Donovan Mitchell entrou em quadra sabendo disso.

Mitchell em modo decisivo na Rocket Arena

Os números de Mitchell no Jogo 3 não deixam margem para interpretação: 35 pontos e 10 rebotes numa noite em que Cleveland precisava de uma performance de All-Star para se manter vivo. O armador operou com usage rate elevado nos momentos críticos, assumindo a criação de jogadas quando o jogo ficou mais físico no terceiro quarto. Sua eficiência ofensiva foi o fator que separou os dois times num jogo que terminou 116-109 — sete pontos de diferença que, ao longo de 48 minutos, representaram uma batalha ponto a ponto.

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James Harden completou o trabalho com 19 pontos, sendo responsável por sete deles nos últimos dois minutos de partida. Para quem acompanha os números de Harden nesta pós-temporada, esse tipo de contribuição em momentos de pressão é exatamente o que os Cavs contrataram: não um criador de volume, mas um executor de alto QI quando o relógio aperta… e aí vem o problema de depender disso toda noite.

Cunningham faz história mas Detroit não consegue fechar

Do lado dos Pistons, Cade Cunningham entregou a linha estatística mais completa de sua carreira em playoffs: 27 pontos, 10 rebotes e 10 assistências — o primeiro triplo-duplo de sua trajetória no pós-temporada. Num contexto histórico, triplos-duplos em playoffs são raros o suficiente para que qualquer um mereça registro: Cunningham entrou nessa lista com uma atuação que, em qualquer outra noite, poderia ter garantido a vitória de Detroit.

Tobias Harris acrescentou 21 pontos e cinco rebotes, consolidando sua função como segundo scorer confiável ao lado de Cunningham. Na avaliação do SportNavo, o problema de Detroit não foi a ausência de produção individual — foi a incapacidade de converter essa produção em vantagem no placar quando o jogo ficou disputado no quarto período. Os Pistons permitiram que Cleveland controlasse o ritmo nas posses finais, e Harden explorou exatamente esse espaço.

O que os próximos jogos exigem de cada franquia

Com a série em 2-1 para Detroit, o Jogo 4 volta a ser realizado na Rocket Arena, em Cleveland, na segunda-feira (11), às 21h (horário de Brasília). Para os Cavs, empatar a série significaria transferir a pressão psicológica de volta para os Pistons antes do retorno a Detroit — onde os jogos 5 e eventuais 6 e 7 seriam disputados. Para Detroit, fechar em 3-1 seria praticamente encerrar a série: na história dos playoffs da NBA, times que abrem 3-1 convertem em eliminação em mais de 96% dos casos.

A variável tática mais relevante para o Jogo 4 é o que Cleveland fará defensivamente contra Cunningham. Com um triplo-duplo no currículo desta série, o armador dos Pistons demonstrou que consegue criar para os companheiros quando a marcação individual fecha o caminho ao aro. Se os Cavs não ajustarem a rotação defensiva, Cunningham voltará a operar como distribuidor de alto nível — e Harris e o restante do elenco de Detroit têm capacidade de converter essas oportunidades.

Uma série que parecia caminhar para um encerramento rápido ganhou nova textura depois do Jogo 3. Cleveland ainda precisa de três vitórias consecutivas para avançar, e duas delas teriam que acontecer em Detroit. Mas uma boa série de playoffs é como uma receita que ainda está no forno: os ingredientes estão todos ali, o calor está certo, e ninguém sabe ao certo o que vai sair quando a porta abrir na segunda-feira.