A NBA está a poucos dias de uma decisão histórica que pode alterar completamente o cenário da liga. Na próxima semana, o conselho de governadores votará sobre a criação de duas novas franquias em Las Vegas e Seattle, com previsão de início na temporada 2028-29. O valor estimado de cada franquia gira entre US$ 7 a 10 bilhões, números que refletem o crescimento exponencial da liga nos últimos anos.

Seattle volta ao mapa da NBA após 20 anos de ausência. A cidade perdeu os SuperSonics em 2008 para Oklahoma City, em uma transferência que gerou polêmica até hoje. O Climate Pledge Arena, reformado entre 2018 e 2021, já abriga o Kraken da NHL e o Storm da WNBA, provando sua viabilidade como casa de uma franquia profissional. Las Vegas, por sua vez, consolidou-se como mercado esportivo de elite com o Golden Knights (NHL, 2017), Raiders (NFL, 2020) e o tricampeão Aces da WNBA.

Draft de expansão redistribuirá talentos pela primeira vez desde 2004

A chegada de duas novas equipes ativará um mecanismo que a NBA não utiliza há duas décadas: o draft de expansão. Na última ocasião, Charlotte Bobcats (hoje Hornets) selecionou jogadores como Emeka Okafor e Gerald Wallace de times estabelecidos. O sistema funciona com cada franquia protegendo oito jogadores de seu elenco atual, deixando o restante disponível para seleção pelas novas equipes.

Analisando os números da temporada 2024-25, aproximadamente 360 jogadores estariam teoricamente disponíveis no draft de expansão. Times como Boston Celtics e Denver Nuggets, com folhas salariais elevadas, poderiam perder peças importantes. Jogadores com contratos de US$ 15-25 milhões anuais e usage rate entre 18-22% representam o perfil mais atrativo para as novas franquias: impacto significativo sem comprometer totalmente o salary cap.

Métricas avançadas apontam candidatos ao draft

Uma análise exclusiva do SportNavo revela que jogadores com PER entre 15-18 e true shooting percentage acima de 55% seriam alvos prioritários. Nomes como Tyler Herro (Miami Heat, 20.1 pontos por jogo, 57.8% TS%), Jordan Poole (Washington Wizards, usage rate de 28.4%) e Anfernee Simons (Portland Trail Blazers, 22.5 ppg) exemplificam o perfil desejado: produção ofensiva consistente em contratos gerenciáveis.

O sistema de proteção força decisões difíceis. Times precisarão escolher entre veteranos experientes e jovens promissores. Golden State Warriors, por exemplo, poderia proteger Stephen Curry, Draymond Green e Andrew Wiggins, mas deixaria Jonathan Kuminga ou Moses Moody expostos. Essas dinâmicas criam oportunidades únicas para as franquias de expansão montarem elencos competitivos desde o primeiro ano.

Impacto financeiro e competitivo a longo prazo

A expansão diluirá o pool de talentos, mas também aumentará as receitas da liga. Ambos os mercados estão projetados para figurar entre os oito maiores geradores de receita da NBA. Las Vegas possui população metropolitana de 2.3 milhões de habitantes e economia baseada em turismo e entretenimento. Seattle, com 4.0 milhões na região metropolitana, mantém uma das maiores rendas per capita dos Estados Unidos.

Historicamente, franquias de expansão levam 3-5 temporadas para se tornarem competitivas. Charlotte Hornets (1988) precisou de seis anos para chegar aos playoffs. Orlando Magic (1989) alcançou as Finais em apenas sua sexta temporada. O salary cap atual de US$ 136 milhões oferece mais flexibilidade que expansões anteriores, permitindo que Las Vegas e Seattle assinem agentes livres de impacto já na primeira offseason.

O processo de aprovação exige 23 dos 30 governadores votando favoravelmente em duas rodadas. A primeira votação, prevista para a próxima semana, autorizará o processo de licitação. Uma segunda votação, ainda este ano, finalizará as transações. Alguns proprietários hesitam em ver sua participação na liga diminuir de 1/30 para 1/32, mas o crescimento projetado das receitas tem convencido a maioria.

As novas franquias participarão do draft universitário de 2028 com picks protegidos nas primeiras rodadas, seguindo o modelo histórico da liga. A temporada 2028-29 marcará o retorno da NBA a 32 equipes, formato que permitirá realinhamento das conferências e criação de novas rivalidades regionais que podem redefinir o mapa competitivo da liga pelos próximos 20 anos.