Em Buenos Aires, abraçado a jogadores do San Lorenzo após o empate por 1 a 1 na última terça-feira, 29 de abril, Neymar falou abertamente à imprensa argentina sobre seu objetivo mais ambicioso: disputar a Copa do Mundo e, de preferência, cruzar com Lionel Messi numa final. Do outro lado do debate, Rivellino — campeão mundial em 1970 — lança um contraponto incômodo: o Brasil não tem jogadores disponíveis em quantidade suficiente para montar uma Seleção competitiva. A convocação de Carlo Ancelotti, prevista para o dia 18 de maio, é o prazo que vai definir quem está mais próximo da realidade.

O sonho declarado e a recepção argentina

Neymar foi recebido como estrela em solo portenho, tietado por torcedores e pelos próprios adversários do San Lorenzo ao longo de toda a passagem do Santos por Buenos Aires. Jogadores rivais pediram fotos no gramado do Nuevo Gasómetro, e o camisa 10 ainda doou o par de chuteiras utilizado na partida para o jogador Fabrício López. A cena simboliza o status que o atleta de 33 anos ainda carrega no futebol sul-americano, mesmo após mais de um ano longe das grandes competições por conta de lesões no Al-Hilal.

"Claro que eu penso em disputar o Mundial. Todo jogador brasileiro pensa em estar na Copa do Mundo. E, se Deus quiser, eu vou estar", afirmou Neymar à imprensa argentina após a partida.

Questionado sobre Messi, o atacante não escondeu o romantismo da ideia. Uma final Brasil x Argentina num torneio sediado em três países — Estados Unidos, México e Canadá — seria o confronto de gerações que o futebol mundial aguarda desde que os dois dividiam o Barcelona e o PSG nas conversas sobre o melhor do planeta. Neymar respondeu com um sorriso: "Uma final entre Brasil e Argentina seria espetacular". O jornal espanhol AS registrou que o desempenho do camisa 10 na partida "caiu ao longo do jogo, mostrando sinais de cansaço", e que ele "criou poucas chances no segundo tempo" — dado que os críticos da convocação certamente usarão como argumento.

Rivellino e o diagnóstico duro sobre o plantel

Enquanto Neymar projeta finais, Rivellino olha para a base do elenco e não gosta do que vê. O meia que ajudou o Brasil a conquistar o tricampeonato no México, em 1970, criticou publicamente a escassez de atletas disponíveis para Ancelotti. O ponto central da reclamação não é a qualidade individual dos jogadores, mas a disponibilidade real: lesões, suspensões e a dispersão de talentos em ligas europeias com calendários conflitantes têm reduzido o leque de opções do técnico italiano. A fala de Rivellino ecoa uma percepção que circula nos bastidores da CBF — de que montar uma lista competitiva para a Copa do Mundo exigirá apostas em atletas ainda em processo de afirmação internacional.

O sonho declarado e a recepção argentina Neymar sonha com final contra Messi enq
O sonho declarado e a recepção argentina Neymar sonha com final contra Messi enq
"Não temos jogadores disponíveis", resumiu Rivellino, segundo declarações amplamente repercutidas na imprensa esportiva brasileira nas últimas semanas.

O levantamento do SportNavo mostra que, entre os jogadores regularmente convocados por Tite e Fernando Diniz no ciclo anterior, ao menos quatro nomes enfrentaram lesões musculares graves ou cirurgias nos últimos 18 meses — um dado que reforça a preocupação do ídolo de 1970. A base jovem, com Endrick (Real Madrid) e Estêvão (Chelsea a partir de julho), ainda não soma minutos suficientes em competições de alto nível para liderar uma campanha numa Copa do Mundo.

O dossiê de Neymar para convencer Ancelotti

Do ponto de vista estatístico, a candidatura de Neymar à lista de Ancelotti precisa ser avaliada com critério. Após a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em outubro de 2023, o jogador retornou ao Santos em fevereiro de 2025 e acumula participações pontuais na Série A. Contra o San Lorenzo, pela Copa Sul-Americana, completou os 90 minutos — o que representa um avanço físico concreto em relação às últimas semanas, quando saía ainda no segundo tempo. O retrospecto na Seleção é irrefutável: 79 gols em 128 jogos, artilheiro histórico do Brasil, com atuações decisivas nas Copas de 2014 e 2022.

A análise do SportNavo aponta que Ancelotti, ao definir sua lista até 18 de maio, precisará equilibrar dois vetores opostos: a experiência acumulada por Neymar numa Copa do Mundo, algo que nenhum outro jogador do atual elenco possui em igual medida, e o risco físico de escalar um atleta que disputou menos de 15 partidas completas nos últimos 20 meses. Dos 26 convocados esperados, ao menos 18 vagas parecem relativamente definidas — a disputa real ocorre nas oito posições restantes, onde Neymar concorre com jovens como João Pedro (Brighton) e nomes de outras posições que Ancelotti pode adaptar taticamente.

O que esperar da lista de 18 de maio

Carlo Ancelotti comandou o Real Madrid ao título da Champions League em 2024 e assumiu a Seleção Brasileira com capital político suficiente para fazer escolhas impopulares. A convocação de 18 de maio não será apenas uma lista de nomes — será o primeiro manifesto tático do técnico sobre como o Brasil pretende chegar às fases eliminatórias. Se Neymar estiver entre os 26, Rivellino terá parte de sua crítica respondida: o problema não será de nomes, mas de conjunto. Se ficar de fora, o debate sobre o legado e o timing da volta ao Santos vai dominar a pauta esportiva brasileira nas semanas seguintes. O Brasil estreia na Copa do Mundo no Grupo D, com data prevista para junho de 2026, em partida ainda sem adversário confirmado após o sorteio final.