A última vez que um campeão peso-pesado foi nocauteado em menos de quatro minutos numa luta de unificação de título foi Stipe Miocic diante de Francis Ngannou, em março de 2021. Em 19 de outubro de 2024, em Riyadh, na Arábia Saudita, o roteiro se repetiu — com Renan Problema no papel de Miocic.
Como o nocaute de Ngannou sobre Renan Problema aconteceu
A luta começou com trocas de low kicks dos dois lados, e Renan até esboçou um cruzado que passou perto do rosto do camaronês. O problema — sem trocadilho — veio no wrestling. Ngannou obteve a queda, e o brasileiro chegou a tentar um triângulo que não foi concluído. Dali em diante, o ground and pound do ex-campeão do UFC foi cirúrgico: socos pesados, Renan de costas sem resposta, e o árbitro Dan Miragliota interrompendo a sequência. Nocaute técnico no primeiro round.
Ngannou retornou ao MMA após mais de dois anos afastado — período em que somou derrotas no boxe para Tyson Fury e Anthony Joshua. Ninguém apostaria que ele voltaria em nível de apagar um campeão em atividade. Apagou.

O que a derrota revela sobre os limites de Renan Problema
Antes do combate, Renan declarou ao MMA Fighting que uma vitória o colocaria acima de Jon Jones na hierarquia dos pesos-pesados:
"Se eu vencer essa luta, acho que serei o campeão linear. Poucos pesos pesados fizeram o que eu fiz, nocautear em tão poucos segundos, nocautes limpos."

A conta não fechou. O goiano vinha de quatro vitórias consecutivas, incluindo o nocaute sobre Ryan Bader aos 21 segundos em fevereiro de 2024. Sua wrestling defense, porém, sempre foi o ponto interrogativo da carreira — e Ngannou cobrou o preço exato. O problema não é a potência do brasileiro, que é real. O problema é que, contra atletas que combinam força física com grappling pesado, Renan ainda não encontrou resposta consistente.
Após a derrota, o próprio lutador foi honesto:
"Não foi um bom dia de trabalho. Meu adversário foi superior e conseguiu impor um jogo que não consegui defender a queda e acabou entrando um ground and pound muito forte."
O futuro dos pesos-pesados na PFL com Ngannou no topo
Ngannou é agora campeão peso-pesado da PFL. Contratado pela organização em maio de 2023, ele levou mais de um ano para estrear — e fez questão de escolher Renan como rival preferido. Seu treinador Eric Nicksick confirmou ao MMA Junkie Radio que o camaronês considerava o brasileiro o adversário mais intrigante da categoria:
"Quanto mais eu converso com Francis sobre a parte do MMA, quando Ferreira lutou, Francis me escreveu: 'Eu acho que esse cara é bom'."
Com o cinturão em mãos, o cenário muda estruturalmente para a PFL. A organização tem agora o lutador de maior apelo comercial do MMA mundial como campeão ativo — e Jon Jones, ainda detentor do título do UFC, vira o destino óbvio de qualquer narrativa de superfight. Não há tragédia: há contabilidade.
Renan, por sua vez, precisa reconstruir. A sequência de quatro vitórias foi interrompida, o cinturão saiu, e a wrestling defense continua sendo a lacuna técnica que adversários de elite vão continuar explorando. O caminho mais lógico é uma sequência de lutas no GP da PFL para reconquistar posição de desafiante. Ngannou, enquanto isso, tem o título e o microfone — e a próxima defesa já movimenta o mercado.









