Três jogos completos consecutivos, participação direta em lances de gol e maior volume de desarmes. Enquanto o debate sobre Neymar no Santos oscila entre o dez e o zero, as métricas de desempenho revelam uma melhora gradual do camisa 10 nas últimas rodadas do Brasileirão. O atacante de 32 anos completou 90 minutos contra Fluminense, Recoleta-PAR e Atlético-MG, algo que não acontecia desde seu retorno à Vila Belmiro em janeiro.
Contra o Fluminense, Neymar participou diretamente do lance que resultou no gol de Gabriel, além de registrar quatro finalizações e três passes para área adversária. Diante do Recoleta, pela Copa Sul-Americana, desperdiçou duas chances claras no primeiro tempo, mas completou 87% dos passes tentados. No confronto com o Atlético-MG, manteve a regularidade com três desarmes e duas assistências quase concretizadas.
Comparação com ídolos do passado
Para contextualizar o momento de Neymar, vale recordar o retorno de outros craques às suas origens. Quando Ronaldinho voltou ao Grêmio em 2018, aos 38 anos, precisou de oito jogos para embalar uma sequência de três partidas completas. Já Kaká, no retorno ao São Paulo em 2014, demorou cinco rodadas para atingir a mesma marca. A diferença é que ambos encontraram equipes melhor estruturadas do que o atual Santos.
O Peixe não ultrapassou a 12ª colocação em nenhuma das 50 rodadas disputadas desde a chegada de Neymar. Na era Pelé, entre 1956 e 1974, o Santos jamais terminou uma temporada fora do G-6 do Campeonato Paulista. Nos anos dourados de 1961 a 1965, o Rei participou de 165 gols em 180 jogos oficiais pelo clube - uma média de 0,91 participação por partida que nenhum jogador brasileiro conseguiu superar em âmbito mundial.
Métricas defensivas surpreendem
Um dado que passa despercebido na análise de Neymar é seu rendimento defensivo. Segundo apuração do SportNavo, o atacante registrou 2,3 desarmes por jogo na sequência recente, número superior aos 1,8 de Dudu (Palmeiras) e 1,6 de Raphael Veiga no mesmo período. Esta característica lembra o início da carreira de Neymar no Santos, quando André Gaspar, ex-preparador físico do clube, exigia que todos os atacantes participassem da marcação.
Em comparação com outros retornos marcantes, Adriano conseguiu 1,4 desarme por partida em sua volta ao Flamengo (2009), enquanto Ronaldo Fenômeno registrava apenas 0,8 quando defendeu o Corinthians (2009-2011). A diferença está na intensidade física exigida pelo futebol atual, que obriga até mesmo os atacantes mais técnicos a contribuírem sem a bola.
Pressão da Copa do Mundo
A proximidade da Copa do Mundo de 2026 amplifica cada movimento de Neymar em campo. Nos últimos três Mundial, apenas dois jogadores conseguiram se destacar após retornos polêmicos aos clubes de origem: Thiago Silva (Chelsea para Milan, 2023) e Marcelo (Real Madrid para Fluminense, 2022). Ambos tinham 38 anos quando fizeram a transição e enfrentaram ceticismo similar.

"A questão Neymar não deve ser a seleção, neste momento. O primeiro passo é saber quanto ajuda ou atrapalha o Santos", analisou um jornalista especializado em futebol brasileiro.
Historicamente, atacantes brasileiros que brilharam em Copas do Mundo vinham de temporadas regulares em seus clubes. Ronaldo em 2002 marcou 23 gols pelo Real Madrid, Ronaldinho em 2006 fez 26 pelo Barcelona, e Neymar em 2018 contribuiu com 28 pelo PSG. O camisa 10 santista tem apenas seis gols e quatro assistências em 2024.
O Santos volta a campo neste sábado contra o Grêmio, na Vila Belmiro, em confronto direto por posições no meio da tabela. Uma vitória pode levar o Peixe à décima colocação pela primeira vez desde março, quando Neymar ainda se adaptava ao ritmo do futebol brasileiro.

