O gramado de Bragança Paulista estava molhado quando uma figura saiu carregada pelos companheiros, chorando, sem conseguir apoiar o pé direito no chão. Era Lucas Moura, 33 anos, que havia entrado no segundo tempo da partida contra o Bahia e permaneceu em campo por apenas 25 minutos antes de cair em um lance e não mais se levantar. O diagnóstico, confirmado por exame de imagem no Hospital Albert Einstein na noite deste domingo (3), foi o mais temido: ruptura total do tendão calcâneo do calcanhar direito.

O que aconteceu

Lucas Moura havia retornado à lista de relacionados do São Paulo após ficar fora desde 18 de março, período em que tratou uma fratura em duas costelas sofrida em partida contra o Atlético-MG. A volta foi curta. Ao cair em um lance durante o duelo contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro, o camisa 7 foi retirado de maca e encaminhado diretamente ao hospital. O Tricolor inicialmente cogitou uma torção no tornozelo, mas os exames descartaram qualquer cenário favorável. A ruptura total exige cirurgia, que deve ocorrer nos próximos dias, e o tempo de recuperação estimado para esse tipo de lesão gira em torno de um ano — o que inviabiliza qualquer participação na temporada de 2026.

Por que isso importa

Quem não tem cão caça com gato, diz o ditado — e o São Paulo vai precisar encontrar soluções internas para cobrir a ausência de um de seus jogadores mais experientes. A perda, porém, transcende o aspecto tático. Lucas acumulou mais de 237 partidas com a camisa tricolor ao longo de toda a sua trajetória no clube, e nesta segunda passagem já soma mais de 100 jogos, com participação direta nas conquistas da Copa do Brasil de 2023 e da Supercopa Rei de 2024. Rui Costa, executivo de futebol do São Paulo, havia sido categórico após a fratura nas costelas:

"O Lucas é um grande profissional, faz falta muita em muitos aspectos. Não só técnico, mas no convívio diário. Foi uma fatalidade. Ele vai, o adversário faz um movimento até perigoso."
A avaliação do dirigente, feita semanas atrás, se aplica com ainda mais peso agora. Conforme levantamento do SportNavo, esta é a terceira interrupção significativa de Lucas na temporada, somando o problema no joelho que o tirou de 36 jogos ao longo de 231 dias em 2025, a fratura nas costelas em março de 2026 e agora a ruptura do tendão.

O que aconteceu O corpo de Lucas Moura não aguenta mais
O que aconteceu O corpo de Lucas Moura não aguenta mais

Os números por trás

Em 17 jogos disputados na temporada de 2026, Lucas Moura havia marcado três gols e distribuído uma assistência — números modestos para um jogador de seu calibre, mas compreensíveis dado o contexto de constantes interrupções. Seu aproveitamento em campo foi sistematicamente fragmentado: entrou como titular em algumas ocasiões e como substituto em outras, sem jamais conseguir encadear uma sequência de partidas completas. O técnico Hernán Crespo, em entrevista anterior, já havia admitido que Lucas ainda não havia reencontrado o melhor de si:

"Lucas sabe que tem de voltar a ser o Lucas que a gente conhece, que o mundo conhece. Estamos esperando o verdadeiro Lucas, mas durante o caminho esperamos que faça muitos gols."
A análise do SportNavo sobre o histórico recente do jogador revela um padrão preocupante: desde a artroscopia no joelho direito realizada em 30 de agosto de 2025, Lucas esteve em campo em apenas nove oportunidades antes de sofrer nova lesão grave — e nunca completou uma sequência de mais de três jogos consecutivos.

O próximo capítulo

Com contrato encerrando em dezembro de 2026, Lucas Moura enfrentará a negociação de renovação em condição extremamente delicada. A diretoria são-paulina já havia iniciado conversas antes da lesão, e Rui Costa confirmou que o clube mantém interesse na permanência do jogador independentemente dos contratempos físicos. O próprio atleta havia pedido um prazo para avaliar o futuro apenas após a Copa do Mundo, prevista para junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá. Agora, com cirurgia marcada para os próximos dias e recuperação estimada em até 12 meses, qualquer retorno aos gramados em 2026 está descartado — e a janela de negociação se abre num cenário em que o jogador precisará provar, mais uma vez, que o corpo aguenta recomeçar.