O Flamengo venceu o primeiro jogo. Tinha a vantagem do empate. E foi eliminado. Não há tragédia: há contabilidade.

Na quinta-feira (14), o Barradão com lotação máxima recebeu um Vitória coletivo, organizado e determinado. Resultado: 2 a 0, com o time de Jair Ventura avançando às oitavas da Copa do Brasil com inteira justiça. O técnico Leonardo Jardim, que herdou um elenco caro e uma identidade tática nebulosa, saiu do interior da Bahia com uma ferida aberta para cuidar.

O Vitória não roubou nada — o Flamengo entregou

A equipe baiana não precisou fazer nada extraordinário. Bastou organização e intensidade — dois atributos que o Flamengo não conseguiu impor fora de casa. O time carioca chegou ao Barradão com a confiança de quem tinha o resultado a favor, e saiu com o silêncio de quem subestimou o adversário. Deficiências técnicas do Vitória foram compensadas com volume e pressão coletiva, o que expôs a fragilidade do Rubro-Negro em situações de pressão fora do Maracanã.

O Vitória não roubou nada — o Flamengo entregou O Flamengo ganhou em casa e foi
O Vitória não roubou nada — o Flamengo entregou O Flamengo ganhou em casa e foi

A venda de Juninho e o padrão de erro que o presidente reconheceu

A eliminação não é um fato isolado. Ela é o efeito visível de decisões tomadas meses antes. O caso mais emblemático é o de Juninho, vendido ao Pumas, do México, por 5 milhões de euros — cerca de R$ 32,3 milhões na cotação da época. Com impostos e comissões, a operação total custou R$ 52,7 milhões ao clube. O atacante, que vinha do Qarabag, do Azerbaijão, jogou apenas 32 partidas, foi titular em sete e marcou quatro gols.

"Eu entendo que não foi por causa do atleta, foi um erro nosso. Léo Pereira demorou quanto tempo para ser abraçado pela torcida do Flamengo? Um ano e meio. Michael? Mais de um ano. Rodinei? Quase dois. Pulgar? Um ano. É que hoje o jogador chega e todo mundo quer que ele chegue voando, arrebente a boca do balão. Não é simples jogar em um clube como o Flamengo", disse o presidente Eduardo Baptista, o Bap, no videocast SportInsider, do canal N Sports no YouTube.

A fala é honesta — e isso merece crédito. Mas o argumento da adaptação, embora válido em outros casos, não cobre o custo de R$ 52,7 milhões por sete jogos como titular. A pressão do Flamengo é real; o retorno sobre o investimento também precisa ser.

O efeito cascata que o Brasileirão vai cobrar

A saída precoce da Copa do Brasil tem consequências práticas imediatas. O Flamengo perde receita de TV e bilheteria das rodadas eliminatórias, além de reduzir as chances de conquistar um título em 2026. Na avaliação do SportNavo, a sequência de decisões — contratação de jogador desconhecido por preço elevado, venda precipitada e eliminação antes das oitavas — forma um padrão que o torcedor já identificou antes da diretoria.

  • Juninho: 32 jogos, 7 como titular, 4 gols, custo total de R$ 52,7 mi
  • Vitória: 2 a 0 no Barradão, com o Flamengo tendo a vantagem do empate
  • Eliminação antes das oitavas de final da Copa do Brasil

O que muda a partir de agora

Com o Botafogo também eliminado — caiu para a Chapecoense, lanterna do Brasileirão, também por 2 a 0, em Santa Catarina —, os dois maiores clubes cariocas saem da Copa do Brasil na mesma rodada. Para o Fla, o foco agora é exclusivo no Brasileirão e na Libertadores. O próximo compromisso já serve de termômetro real para o trabalho de Jardim: qualquer tropeço nas próximas rodadas do Campeonato Brasileiro vai amplificar a pressão que o presidente já reconheceu existir.