O favorito absoluto pode ser eliminado pelo adversário que veio apenas para não perder. Esse paradoxo resume o que está em jogo no Libertadores nesta quarta-feira, 20 de maio, quando o Palmeiras recebe o Cerro Porteño no Allianz Parque pela quinta rodada do Grupo F. O Verdão entra em campo com 10 pontos — dois a mais do que os paraguaios — e sabe que uma vitória encerra qualquer suspense sobre a classificação. O Cerro, por sua vez, tem 7 pontos e não pode se dar ao luxo de sair de São Paulo de mãos vazias se quiser continuar sonhando com as oitavas. A equação parece simples. Mas futebol continental raramente respeita a aritmética.

O Grupo F da Libertadores e o que os números dizem sobre cada lado

Quatro rodadas disputadas, quatro cenários distintos. O Palmeiras soma duas vitórias e dois empates na fase de grupos, com 6 gols marcados e 3 sofridos — o melhor saldo do Grupo F. O Cerro Porteño aparece na segunda posição com 7 pontos: duas vitórias sobre o Junior Barranquilla (1 a 0 em casa e 1 a 0 fora, na quarta rodada), um empate de 1 a 1 contra o próprio Palmeiras em Assunção e uma derrota por 1 a 0 diante do Sporting Cristal em Lima. O desempenho ofensivo do time paraguaio na competição é modesto: apenas 3 gols em 4 partidas, média de 0,75 por jogo — número que contrasta com a solidez que o Verdão apresenta no Allianz Parque.

Barcelona - Real Betis

O confronto direto entre as equipes, disputado em Assunção, terminou empatado em 1 a 1 e serve de referência tática para o que Abel Ferreira deve montar nesta quarta. O técnico português comanda o líder isolado do Brasileirão 2026 com 35 pontos em 16 rodadas — 10 vitórias, 5 empates e apenas 1 derrota — e o melhor ataque da Série A, com 26 gols marcados. A campanha palmeirense na temporada inteira aponta para um time que não desperdiça capital de pontos.

A semana palmeirense entre o Brasileirão e a Libertadores

O Palmeiras chegou a esta rodada continental vindo de um resultado que interrompeu uma sequência positiva. No dia 16 de maio, o Verdão ficou no empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, em Barueri, pelo Brasileirão — resultado que quebrou uma série de 4 vitórias consecutivas na Série A, que incluía triunfos sobre o Botafogo (2 a 1), o São Paulo (1 a 0 fora de casa) e o Grêmio (2 a 1). O empate com o Cruzeiro foi, ao mesmo tempo, um tropeço e um sinal de alerta: o departamento médico acumula 6 lesionados no elenco, e duas baixas ocorreram justamente durante aquele jogo em Barueri.

A situação lembra o que os treinadores de atletismo chamam de "fadiga de acúmulo" — quando o atleta mantém alta performance por semanas seguidas e o corpo começa a cobrar a conta nos momentos de maior exigência. Abel Ferreira precisará gerenciar esse desgaste com inteligência para não chegar ao confronto decisivo com um time abaixo do nível que a Libertadores exige. A boa notícia é que o Allianz Parque, diante de sua torcida, historicamente potencializa o rendimento do Verdão em noites de mata-mata continental.

O Grupo F da Libertadores e o que os números dizem sobre cada lado O Palmeiras l
O Grupo F da Libertadores e o que os números dizem sobre cada lado O Palmeiras l

O momento do Cerro Porteño e o que Ariel Holan enfrenta

Se o Palmeiras chega à quarta com ressalvas, o Cerro Porteño chega com alarmes. O time de Ariel Holan atravessa a pior fase da temporada: nos últimos dez dias, sofreu derrota por 2 a 1 para o Recoleta e goleada de 3 a 1 diante do Sportivo Trinidense no Campeonato Paraguaio. No Apertura 2026, o Cerro ocupa a terceira colocação com 35 pontos em 21 jogos — 10 vitórias, 5 empates e 6 derrotas —, números que expõem uma instabilidade defensiva preocupante para quem precisa pontuar fora de casa contra o líder do grupo.

Segundo análises do desempenho recente da equipe paraguaia, Holan não conseguiu estabilizar o sistema defensivo após as saídas da janela de transferências do início do ano. O time concedeu 2 ou mais gols em 3 dos últimos 5 jogos pelo campeonato local — padrão que o Palmeiras, com 26 gols no Brasileirão e campanha invicta na Libertadores, tem condições de explorar com eficiência.

A estratégia mais provável do Cerro em São Paulo passa por uma postura reativa: bloquear os espaços centrais, apostar em transições rápidas e tentar repetir o que funcionou no empate em Assunção. O problema é que o Palmeiras de 2026, com a posse de bola e a pressão que o Allianz Parque proporciona, raramente permite que adversários se organizem defensivamente por 90 minutos.

Os cenários possíveis para a classificação nas oitavas

A matemática da classificação é direta. Com vitória nesta quarta, o Palmeiras chega a 13 pontos e garante matematicamente a vaga nas oitavas da Libertadores com uma rodada de antecipação — independente dos resultados dos outros jogos do grupo. Um empate deixa o Verdão com 11 pontos e ainda dependente de combinações para confirmar a classificação na sexta rodada. Uma derrota, hipótese improvável dado o contexto, reabriria o grupo de forma inesperada.

Para o Cerro, o cenário é mais urgente: um triunfo em São Paulo colocaria os paraguaios com 10 pontos, empatados com o Palmeiras, e recolocaria a disputa pela liderança do grupo em aberto. Um empate mantém a diferença de 3 pontos e deixa o Cerro na segunda posição, ainda vivo, mas dependente de uma vitória na rodada final. Uma derrota por mais de 1 gol de diferença pode complicar a situação dos paraguaios dependendo do que acontecer no outro jogo do grupo.

O Palmeiras volta a campo pelo Brasileirão no próximo fim de semana, mas antes disso a noite desta quarta no Allianz Parque pode definir o calendário do clube para as próximas semanas. Carimbar a vaga com antecedência permite a Abel Ferreira administrar o elenco lesionado com mais tranquilidade nas rodadas finais da fase de grupos — o que, para um time que briga em três frentes, tem valor estratégico concreto.

O Allianz Parque recebe a bola às 21h30 desta quarta-feira. Nas arquibancadas, a torcida verde e branca já sabe o que quer ver: o carimbo que encerra a fase de grupos antes do tempo e abre espaço para planejar as oitavas com calma.