Oito meses. Este foi o tempo que Xabi Alonso teve para implementar sua filosofia tática no Real Madrid antes da demissão em janeiro. Os números revelam uma gestão que falhou em pontos cruciais: 62% de posse de bola média, mas apenas 1,4 gol por jogo nos últimos dois meses de comando.
Sistema tático desalinhado com o elenco
Alonso chegou com a proposta de implementar um 4-3-3 com linha de pressão alta, semelhante ao trabalho realizado no Bayer Leverkusen. A diferença estava na velocidade das transições ofensivas. Enquanto na Bundesliga seus jogadores completavam 89% dos passes no terço final, no Real Madrid este número caiu para 76%.
O principal problema estava na compactação entre linhas. Bellingham operava como falso 9, mas Vinícius Jr. e Rodrygo não conseguiam manter a largura necessária para esticar a defesa adversária. Segundo levantamento do SportNavo, o Real Madrid criou 2,3 chances claras por jogo sob comando de Alonso, contra 3,1 na temporada anterior com Ancelotti.
"Acho que ele não teve tempo suficiente. Nem tivemos tempo de analisar os meses em que ele esteve aqui. É muito complicado", lamentou Figo em entrevista ao Marca.
Conflitos com jogadores-chave
O episódio mais emblemático ocorreu no El Clásico contra o Barcelona. Vinícius Jr. reagiu de forma explosiva à substituição no segundo tempo, demonstrando descontentamento público com as escolhas do treinador. O brasileiro havia completado apenas 67% dos passes no jogo, número abaixo de sua média sazonal.
A relação com Mbappé também se deteriorou rapidamente. O francês, acostumado a operar pela esquerda no PSG, foi deslocado para a função de pivô central. Resultado: queda de 40% nos desarmes por jogo e redução de participação direta em gols.
Dados defensivos preocupantes
A linha defensiva apresentou problemas estruturais durante toda a passagem de Alonso. O Real Madrid sofreu 1,7 gol por partida em LaLiga, marca significativamente superior aos 0,9 registrados na temporada do título com Ancelotti.
As estatísticas mostram deficiências na marcação por zona. Rudiger e Militão perderam 34% dos duelos aéreos defensivos, enquanto a dupla de laterais completou apenas 78% dos passes - número que comprometia a saída de bola limpa.
"A realidade é que é uma temporada ruim. Para o Real Madrid, se você não ganha, é sempre uma temporada negativa", concluiu Figo.
O vice-campeonato na Supercopa da Espanha para o Barcelona foi a gota d'água. Na final, o Real Madrid teve 58% de posse, mas finalizou apenas 3 vezes no gol em 90 minutos.
Lições para o sucessor
A análise técnica indica que Alonso tentou implementar mudanças estruturais profundas sem considerar as características individuais do elenco. Álvaro Arbeloa, que assumiu interinamente, já sinalizou retorno ao 4-4-2 clássico dos Merengues.
Os números de transição defensiva foram especialmente críticos: 2,8 segundos para organizar a primeira linha de marcação, contra 1,9 segundos na era Ancelotti. Esta lentidão custou pontos importantes na Champions League, onde o Real Madrid ficou apenas na zona de playoffs.
O próximo técnico terá como principal desafio recuperar a compactação defensiva sem perder a verticalidade ofensiva que caracteriza o clube. Os Merengues voltam a campo no sábado contra o Valencia, no Bernabéu, tentando se manter na disputa por uma vaga na próxima Champions League.

