Confesso: eu errei ao subestimar o Huracán antes desta partida. Quando vi o confronto das oitavas de final do Campeonato Argentino, assumi que La Bombonera seria palco de uma classificação tranquila para o Boca Juniors. Enganei-me. O que aconteceu neste sábado, 9 de maio, foi uma daquelas noites que o futebol argentino guarda com carinho perverso — 3 a 2 para o Huracán, com dois expulsos do time vencedor na prorrogação e um par de irmãos paraguaios decidindo o destino de um dos maiores clubes da América do Sul.

Oscar Romero e os dois pênaltis que derrubaram La Bombonera

O tempo normal terminou 1 a 1, com Leonardo Gil, ex-Vasco da Gama, abrindo o placar para os visitantes e Gimenez empatando para os mandantes. Até aí, um jogo equilibrado, sem grandes surpresas táticas. A história mudou na prorrogação, quando Oscar Romero — o irmão que escolheu o lado do Huracán — converteu dois pênaltis cobrados por Di Lollo e colocou o time de Parque Patricios em vantagem de 3 a 1. Dois chutes, duas redes, e La Bombonera engoliu o próprio silêncio.

O que torna a noite ainda mais cinematográfica é o que veio depois: Ramírez cometeu uma falta que o narrador argentino chamou de criminal, recebeu o vermelho, e Pereyra, ao reclamar com veemência excessiva, também foi expulso. O Huracán ficou com nove homens em campo.

Ángel Romero descontou, mas o Boca não tinha mais fôlego

Com dois jogadores a mais, o Boca pressionou e Ángel Romero — o irmão xeneize, ex-Corinthians — descontou para 3 a 2. A cena tem algo de El laberinto del fauno: dois mundos paralelos, dois irmãos no mesmo palco, cada um puxando para um lado diferente do labirinto. A diferença é que, no filme de Guillermo del Toro, o final é ambíguo. Aqui, não: o Boca não conseguiu o empate e está eliminado.

Nas palavras de Ángel Romero após o apito final, segundo relatos da imprensa argentina, o atacante reconheceu que o time não aproveitou a superioridade numérica da forma necessária para virar o jogo.

"Tivemos a chance, estávamos com dois a mais, mas não conseguimos. É duro demais."

O que a eliminação revela sobre o momento do Boca

Há algo estruturalmente preocupante no que o SportNavo tem acompanhado nesta temporada do futebol argentino: o Boca não consegue converter superioridade situacional em resultado. Jogar com dois jogadores a mais durante a prorrogação e não empatar um jogo de eliminatória é o tipo de dado que, em qualquer análise de pressing alto ou organização tática, aponta para um elenco sem coesão emocional no momento decisivo. O gegenpressing que o Huracán aplicou mesmo reduzido a nove foi, paradoxalmente, mais eficaz do que o futebol de posse que o Boca tentou impor.

Oscar Romero e os dois pênaltis que derrubaram La Bombonera Os irmãos Romero div
Oscar Romero e os dois pênaltis que derrubaram La Bombonera Os irmãos Romero div

A eliminação nas oitavas de final do Campeonato Argentino encerra de forma prematura a participação do clube na competição doméstica mais importante do país. Para um elenco que acumula pressão da torcida e instabilidade na comissão técnica, sair nessa fase é um golpe de credibilidade difícil de absorver.

O Huracán avança e espera seu adversário nas quartas

Do outro lado, o Huracán celebra uma classificação improvável — vencer com nove em campo, em La Bombonera, é o tipo de resultado que entra para o folclore do futebol portenho. O time de Parque Patricios aguarda agora o vencedor do confronto entre Argentinos Juniors e Lanús, que também acontece neste sábado, para conhecer seu adversário nas quartas de final do Campeonato Argentino.