O gol de Lucas Paquetá aos 14 minutos contra o Independiente Medellín, na vitória por 4 a 1 do Flamengo, representa muito mais que um marco estatístico individual. Após nove partidas disputadas na Libertadores sem balançar as redes, o meia de 29 anos finalmente desencantou no torneio continental, num momento em que Leonardo Jardim reestrutura o sistema tático rubro-negro e planeja uma rotação estratégica do elenco para competir simultaneamente em múltiplas frentes.

A metamorfose tática sob comando de Jardim

A chegada do técnico português ao Flamengo em dezembro de 2025 coincidiu com uma reviravolta na produtividade de Paquetá. Dos seis gols marcados pelo camisa 20 em 2026, três foram anotados nos últimos seis jogos sob o comando de Jardim, evidenciando uma adaptação bem-sucedida ao novo sistema tático. O gol contra o Medellín não foi casual: resultou de um movimento coordenado em que Ayrton Lucas avançou pela esquerda e encontrou Paquetá na entrada da área, demonstrando sincronismo entre as peças ofensivas.

Segundo análise do SportNavo, essa evolução reflete uma mudança no posicionamento do meia no esquema de Jardim. Diferentemente da função mais recuada que exercia anteriormente, Paquetá tem sido escalado em posições mais avançadas, com maior liberdade para infiltrar na área adversária. Os números corroboram essa transformação: em 19 partidas disputadas desde seu retorno ao clube carioca, o aproveitamento goleador saltou significativamente nas semanas recentes.

"Todas as competições são prioritárias e vamos rodar o elenco", afirmou Leonardo Jardim em entrevista coletiva, sinalizando uma gestão criteriosa dos atletas disponíveis.

Rotação estratégica e planejamento de elenco

A declaração de Jardim sobre rodar o elenco ganha contornos econômicos relevantes quando analisada sob a perspectiva dos investimentos realizados pelo Flamengo. Com uma folha salarial que supera os R$ 25 milhões mensais, segundo dados do mercado esportivo, o clube carioca precisa otimizar o aproveitamento de seus atletas mais caros para justificar os aportes financeiros. Paquetá, que retornou em operação milionária, representa um dos principais ativos dessa estratégia.

A rotação prometida pelo técnico português não configura apenas uma questão física, mas também econômica e tática. Competir simultaneamente no Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores exige um planejamento minucioso que considere a preservação dos principais jogadores nos momentos decisivos. O desempenho ascendente de Paquetá oferece a Jardim uma alternativa consistente para essa gestão de recursos humanos.

Contexto continental e pressão por resultados

O primeiro gol na Libertadores assume dimensão simbólica quando contextualizamos os investimentos do futebol brasileiro na competição continental. Segundo relatórios da CONMEBOL, clubes brasileiros investiram aproximadamente R$ 2,8 bilhões em contratações para a temporada 2026, sendo o Flamengo um dos principais protagonistas desse movimento. A pressão por resultados imediatos justifica a aposta em atletas experientes como Paquetá.

A vitória sobre o Medellín coloca o Flamengo em posição confortável no Grupo C, mas Jardim sabe que a sequência da competição exigirá rotação inteligente. Carrascal, por exemplo, atravessa momento irregular, conforme reconhecido pelo próprio técnico, abrindo espaço para maior protagonismo de Paquetá nas funções ofensivas centrais.

A metamorfose tática sob comando de Jardim Paquetá desencanta na Libertadores e
A metamorfose tática sob comando de Jardim Paquetá desencanta na Libertadores e

Projeções econômicas e impacto nos resultados

Uma campanha exitosa na Libertadores pode render ao Flamengo cerca de R$ 60 milhões em premiações diretas, além dos benefícios indiretos relacionados a patrocínios e receitas comerciais. Nesse cenário, jogadores como Paquetá representam investimentos estratégicos cujo retorno se materializa não apenas em performance individual, mas no sucesso coletivo que gera dividendos financeiros substanciais.

O aproveitamento tático do meia também se relaciona com indicadores de audiência televisiva. Partidas do Flamengo na Libertadores registram picos superiores a 25 pontos de audiência no Rio de Janeiro, segundo dados do Ibope, gerando receitas publicitárias que financiam parte dos altos salários pagos pelo clube. O protagonismo de ídolos como Paquetá potencializa esses números.

O próximo compromisso do Flamengo será domingo, às 19h30, contra o Bahia no Maracanã, pela 12ª rodada do Brasileirão. Jardim terá a oportunidade de testar suas opções táticas antes do retorno à Libertadores, mantendo Paquetá como peça fundamental no tabuleiro de uma temporada que pode definir o futuro econômico e esportivo do clube carioca.