A renovação do meio-campo do Flamengo sob o comando de Leonardo Jardim ganhou dois protagonistas distintos que disputam o papel de cérebro da equipe: Lucas Paquetá, que reconquistou espaço após período turbulento, e Evertton Araújo, revelação consolidada nos últimos jogos. Ambos representam perfis complementares na construção de jogadas, mas apenas um pode ocupar a posição de armador principal no esquema tático português.

Evertton supera desconfiança e conquista titularidade

Aos 22 anos, Evertton Araújo atravessou fase de questionamentos da torcida rubro-negra antes de se firmar definitivamente no meio-campo titular. O jovem registra média de 2,3 passes decisivos por partida nos últimos seis jogos, número que supera a marca de qualquer meio-campista do elenco nesta temporada. Segundo apuração do SportNavo, Filipe Luís e Leonardo Jardim investiram na lapidação tática do atleta formado na base, trabalhando posicionamento e tomada de decisão em treinos específicos.

O aproveitamento de Evertton nos passes longos atingiu 78% nas últimas apresentações, índice que demonstra evolução técnica significativa. Jardim utilizou o garoto em 14 das últimas 16 partidas como titular, confiança que se reflete nos números: três assistências e dois gols marcados no período. A dupla técnica moldou o perfil do jovem para atuar como primeiro volante com liberdade criativa, função que se tornou fundamental no sistema 4-3-3 adotado pelo português.

Evertton supera desconfiança e conquista titularidade Paquetá e Evertton disputa
Evertton supera desconfiança e conquista titularidade Paquetá e Evertton disputa

Paquetá ressurge após período de instabilidade

Lucas Paquetá viveu momento delicado no início da gestão Jardim, enfrentando desconfiança sobre seu rendimento físico e tático. O meia-atacante de 27 anos disputou apenas oito partidas como titular nos primeiros dois meses do técnico, período marcado por questionamentos sobre sua capacidade de adaptação ao novo sistema. A reviravolta aconteceu após conversas individuais com Jardim, que redesenhou o papel tático do jogador no esquema rubro-negro.

Nas últimas quatro semanas, Paquetá acumulou cinco jogos como titular e dois como substituto de impacto, participando diretamente de seis gols da equipe. Sua média de dribles certos subiu para 3,8 por partida, enquanto a precisão nos passes curtos atingiu 91%. O renascimento do jogador coincide com mudança posicional: Jardim o deslocou da ponta direita para função de meia-atacante centralizado, posição que potencializa sua visão de jogo e capacidade de finalização.

Disputa tática pelo comando criativo

A coexistência entre Paquetá e Evertton no mesmo time representa desafio tático para Jardim, que raramente escala ambos simultaneamente no meio-campo. Em apenas três oportunidades os dois dividiram o campo por mais de 60 minutos, cenário que evidencia competição direta pela vaga de armador principal. Segundo análise do SportNavo, Evertton oferece maior consistência defensiva e distribuição de jogo, enquanto Paquetá garante criatividade no terço final e presença na área adversária.

Os números comparativos revelam perfis complementares: Evertton registra 89% de aproveitamento nos passes, contra 83% de Paquetá, que supera o colega em finalizações (2,1 por jogo ante 0,8). O técnico português utiliza critérios específicos para cada escolha: Evertton inicia partidas contra adversários que pressionam alto, devido à sua capacidade de construção desde o campo defensivo, enquanto Paquetá ganha preferência em jogos que exigem maior agressividade ofensiva.

Jardim define hierarquia para sequência decisiva

A proximidade do período de jogos decisivos obriga Jardim a estabelecer hierarquia clara entre os dois meio-campistas. Evertton conquistou vantagem na disputa interna ao demonstrar regularidade em partidas de alta pressão, característica valorizada pelo treinador em confrontos eliminatórios. Paquetá permanece como alternativa de luxo para mudanças táticas durante os jogos, papel que desempenhou com sucesso nas últimas cinco substituições.

O Flamengo enfrenta o Atlético-MG na próxima quinta-feira, no Maracanã, em duelo que pode definir a estratégia definitiva de Jardim para a reta final da temporada. A escolha entre Evertton e Paquetá como titular do meio-campo indicará qual perfil o técnico considera mais adequado para os desafios que se aproximam.