Domingo, 17 de maio de 2026, Arena da Baixada, 19h30. Carlo Ancelotti sentou-se ao lado do coordenador-executivo Rodrigo Caetano e assistiu ao Brasileirão como quem lê uma prova final antes de assinar o gabarito. Na arquibancada curitibana havia sete jogadores do Flamengo com o passaporte para a Copa pendendo de um único critério: o olhar do italiano que, em menos de 24 horas, anunciaria os 26 convocados do Brasil no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A noite que Ancelotti escolheu para ver o Flamengo em campo
A presença do técnico na 16ª rodada do Campeonato Brasileiro não foi casual. O Flamengo escalou, simultaneamente, sete jogadores de sua pré-lista: Alex Sandro, Danilo, Léo Pereira, Léo Ortiz, Lucas Paquetá, Pedro e Samuel Lino. Dificilmente haveria janela mais eficiente para uma avaliação coletiva. A torcida atleticana, com ironia involuntária, completou o clima ao desdobrar um bandeirão 3D com ex-jogadores do Furacão que vestiram a amarelinha, e um mosaico com os dizeres "pátria amada Brasil" — exatamente o hino que Ancelotti estava ali para imaginar sendo entoado por seus escolhidos em junho.
O técnico Leonardo Jardim, do Flamengo, chegou ao jogo com um quebra-cabeça improvisado no meio-campo: Jorginho e Evertton Araújo suspensos, De la Cruz vetado pelo gramado sintético da Baixada. A solução foi escalar Léo Ortiz — zagueiro de origem — como primeiro volante ao lado de Saúl Ñíguez. Não era a primeira vez que o camisa 3 atuava na posição no Flamengo, mas era a estreia nessa função sob o comando de Jardim. Para Ancelotti, valeu como teste de versatilidade.
Paquetá de volta e o peso de cada minuto em campo
O nome mais aguardado da noite foi Lucas Paquetá. O meia não entrava em campo desde 19 de abril, quando o Flamengo venceu o Bahia por 2 a 0 — partida em que sofreu um edema no tendão da coxa esquerda. Quase quatro semanas depois, Jardim o escalou entre os titulares. Para um jogador que carrega a expectativa de ser o metrônomo criativo da Seleção na Copa, cada passe e cada movimentação diante de Ancelotti tinha o peso de um currículo sendo relido na hora da entrevista.

Na avaliação do SportNavo, a dúvida sobre Paquetá não é técnica — é física. Ancelotti conhece o meia do West Ham, observou-o em diversas convocações anteriores e sabe do que ele é capaz quando saudável. A questão que o italiano precisava responder nesta noite era objetiva: o atleta tem condições de suportar uma Copa do Mundo de alta intensidade? A resposta parcial chegou em campo, mas a definitiva virá nos exames médicos que a CBF conduzirá antes do embarque.
A contabilidade de sete nomes para uma lista de 26
Há uma aritmética severa por trás da festa. Os 26 convocados do Brasil precisam cobrir todas as posições, e o Flamengo, sozinho, forneceu sete candidatos nesta noite. Léo Pereira e Danilo disputam vagas na zaga e na lateral direita, respectivamente, com concorrência de jogadores que Ancelotti já viu em outros contextos. Alex Sandro, aos 35 anos, foi titular na lateral esquerda — posição que costuma ter fila na Seleção. Pedro acumula estatísticas sólidas no Brasileirão 2026 e é candidato natural à vaga de centroavante reserva. Samuel Lino, pelo lado esquerdo do ataque, tem a favor a velocidade e a capacidade de pressionar a saída de bola adversária — características que Ancelotti valoriza em sua estrutura de pressão alta.
Não há tragédia nesse cenário: há contabilidade. De sete jogadores rubro-negros na pré-lista, a lógica das posições sugere que pelo menos um — e possivelmente dois — não embarcarão. A convocação oficial acontece nesta segunda-feira, 18 de maio, no evento do Museu do Amanhã. Em 18 de junho, quando o Brasil estreia na Copa do Mundo, saberemos quais desses sete nomes estavam na lista e quais ficaram como capítulo de uma noite em Curitiba que quase deu certo.









