— Cara, você acreditava que o Paulinho ia jogar hoje?
— Nem um pouco. Dez meses é tempo demais.
— Pois entrou, acertou a trave e quase virou o jogo.
Esse diálogo repetiu-se em dezenas de mesas no entorno do Allianz Parque na noite deste sábado (2). O empate em 1 a 1 entre Palmeiras e Santos, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, ficará na memória não só pelo gol anulado pelo VAR nos acréscimos, mas pelo retorno de um atleta que passou 302 dias longe dos gramados — sua última partida havia sido nas quartas de final do Mundial de Clubes de 2025.
O diagnóstico do momento
Paulinho entrou em campo aos 28 minutos do segundo tempo, no lugar de Mauricio. Naquele instante, o placar marcava 1 a 1 — Rollheiser abrira para o Santos no primeiro tempo e Flaco López empatara aos 18 minutos da etapa final, recebendo cruzamento rasteiro de Andreas Pereira. A torcida alviverde, que havia vaiado o time no intervalo por erros de passe, transformou o Allianz em um coro de apoio assim que o camisa 10 surgiu na beira do campo.
Faixas de torcedores santistas também o saudaram — gesto raro num clássico, que evidencia o peso afetivo do jogador para o futebol paulista. Segundo apuração do SportNavo, a entrada de Paulinho durou aproximadamente 25 minutos, período em que ele participou ativamente da pressão alviverde, combinando com Flaco López na frente e chegando ao ponto mais dramático da noite aos 39 minutos: um chute no bate-rebate que parou na trave de Gabriel Brazão.
Os fatores que explicam o quadro
A lesão que afastou Paulinho desde meados de 2025 foi descrita pela comissão técnica como longa e de reabilitação imprevisível. O retorno neste sábado representou um marco clínico e esportivo, mas também expôs os limites físicos de quem fica quase um ano sem ritmo de jogo. Nos 25 minutos em campo, o atacante demonstrou mobilidade e presença de área, mas ainda sem a explosão característica das temporadas anteriores — o que era esperado para um estreante de retorno.

O contexto tático também pesa. O técnico João Martins — que substituiu Abel Ferreira, suspenso — reorganizou o meio-campo no segundo tempo com Sosa no lugar de Lucas Evangelista e Allan improvisado na lateral direita. Com o Palmeiras mais compacto e Paulinho como referência ofensiva, a equipe pressionou o Santos para seu próprio campo nos minutos finais. Gabriel Brazão precisou fazer defesas cruciais em finalizações de Jhon Arias, enquanto o Santos, sem Neymar poupado, segurava o resultado com disciplina tática orientada por Cuca.
"O que posso dizer é que jogaremos bem. Já o resultado a gente não pode controlar", afirmou Cuca antes da partida — frase que acabou sendo uma descrição precisa do que aconteceu em campo.
Nos acréscimos, o drama chegou ao pico: Allan chutou forte, a bola desviou em Arias e entrou. O Allianz explodiu. O árbitro Raphael Claus foi ao VAR e anulou o gol por toque de mão do colombiano na construção do lance — decisão que gerou intensa discussão, com parte dos analistas considerando o toque involuntário e, portanto, não passível de punição.
Os cenários possíveis daqui
O retorno de Paulinho abre perspectivas concretas para o Palmeiras na reta final do primeiro turno. O time lidera o Brasileirão com 33 pontos em 14 jogos, mas a margem sobre Flamengo e Fluminense — ambos com 26 pontos e dois jogos a menos — pode encolher já neste domingo (3), quando o Rubro-Negro enfrenta o Vasco no Maracanã. A análise do SportNavo mostra que, com Paulinho integrado ao ritmo de jogo, o Palmeiras ganha uma variável ofensiva que não existia desde julho de 2025.
"Do banco, Paulinho assistia enquanto aquecia. Era sua volta depois de um longo e inexplicável inverno: 302 dias", descreveu um dos cronistas que acompanhou o jogo no Allianz Parque.
Para o Santos, o empate fora de casa contra o líder tem valor imediato: o time saiu, ao menos provisoriamente, da zona de rebaixamento, chegando a 15 pontos — um a mais que o Internacional, primeiro time no Z4. Rollheiser foi o destaque alvinegro, com o gol e a organização ofensiva que o Santos simplesmente não apresenta quando Neymar está em campo e centraliza as ações.
Paulinho terá sua primeira semana completa de treinos desde o retorno antes do próximo desafio do Palmeiras — o confronto com o Sporting Cristal pela CONMEBOL Libertadores, marcado para 05 de maio, às 19h (de Brasília). Será o primeiro teste real para medir quanto do atacante que encantou o Brasil voltou de fato naqueles 25 minutos no Allianz. Até lá, o dado mais concreto disponível é a trave que ele acertou — e que, por ora, resume bem onde está o seu processo de retorno. Em 10 de maio, contra o Remo pelo Brasileirão, saberemos um pouco mais.









