A estatística mais reveladora sobre a evolução de Pedro no Flamengo não está nos gols marcados, mas nas finalizações por partida. Com Leonardo Jardim, o atacante registra média de 3,2 tentativas contra 2,1 com Filipe Luís - um salto de 52% que expõe como diferentes filosofias táticas podem potencializar ou limitar um mesmo jogador no futebol contemporâneo.
A matemática da eficiência ofensiva
Os números compilados desde 2022 desenham um mapa preciso das transformações no rendimento de Pedro. Sob o comando de Paulo Sousa, o centroavante convertia apenas 18% de suas finalizações em gols. Com Jardim, essa taxa alcançou 28% - um incremento de 55,5% que coloca o jogador entre os atacantes mais eficientes da América do Sul.
Mais significativo ainda é o deslocamento geográfico dessas tentativas. Durante a era Dorival Júnior, 48% das finalizações de Pedro ocorriam dentro da área. Com o técnico português, esse percentual subiu para 62%, indicando um reposicionamento tático que privilegia chegadas em zonas de maior probabilidade de conversão.
"Há treinadores que são mais camaleônicos, mais adaptáveis e flexíveis. O fato de termos trazido um treinador que se adapta mais do que impõe o modelo de jogo teve uma influência muito positiva no Pedro", explicou José Boto, diretor de futebol do clube.
Segundo apuração do SportNavo, essa adaptabilidade mencionada por Boto reflete uma tendência crescente no futebol brasileiro: a migração de modelos rígidos para sistemas flexíveis que maximizam características individuais. Pedro, com suas limitações de mobilidade mas alta capacidade de finalização, exemplifica como o aproveitamento de perfis específicos pode gerar ganhos exponenciais de produtividade.
Jardim e a revolução silenciosa no ataque rubro-negro
Em dez jogos sob comando de Leonardo Jardim, Pedro anotou seis gols e uma assistência - números que traduzem uma taxa de participação direta em gols de 70%. O contraste com o período final de Filipe Luís, quando chegou a ser cobrado publicamente, evidencia como ajustes táticos pontuais podem resgatar carreiras aparentemente estagnadas.
A recuperação não se limita ao camisa 9. Samuel Lino, outro jogador que havia perdido espaço, voltou a ter protagonismo com o português - fenômeno que levou a diretoria a revisar o planejamento para 2025. Conforme revelou Boto, posições consideradas carentes no mercado podem não demandar investimentos devido ao trabalho de reabilitação do técnico.
"Ele me disse: 'Calma, que eu acho que vou recuperar aquele jogador'. Isso é algo que um diretor de clube mais gosta de ouvir, porque é menos dinheiro que vai gastar e poder usar em outra posição", declarou o dirigente ao Mengocast.
O paradoxo da dependência tática
Paradoxalmente, o sucesso de Pedro com Jardim expõe a fragilidade estrutural do Flamengo na posição. O clube possui apenas um centroavante de ofício no elenco, com Bruno Henrique ocasionalmente improvisado - situação que o próprio jogador admite não apreciar. A dependência de um único perfil revela limitações no planejamento estratégico de longo prazo.

Os dados sugerem que Pedro prospera em sistemas que priorizam cruzamentos e jogadas elaboradas pelas laterais, contrastando com esquemas de alta pressão que exigem maior mobilidade. Essa especificidade tática, embora potencialize seus atributos, também restringe as opções do treinador em diferentes cenários de jogo.
A análise do SportNavo indica que o Flamengo opera num modelo de otimização individual que, embora eficaz no curto prazo, pode gerar dependência excessiva de condições específicas. A busca por outro centroavante com "perfil diferente", nas palavras de Boto, reconhece essa limitação estratégica.

O Flamengo enfrenta o Bahia neste domingo, às 19h30, no Maracanã, pela 12ª rodada do Brasileirão. Pedro, com seis gols em dez jogos sob Jardim, buscará manter a regularidade que o recolocou entre os principais atacantes do continente.









