O apito final ainda ecoava quando Fernando Prass levantou a taça da Copa do Brasil de 2015 dentro do Allianz Parque. Do outro lado do campo, o Santos — o mesmo adversário da última partida com esse nome, neste sábado, às 18h30 (de Brasília), pelo Brasileirão 2026. A simetria não é coincidência: é história.
O que aconteceu
O Palmeiras recebe o Santos hoje na que será a última partida com o nome Allianz Parque. A partir de segunda-feira, dia 4, o Nubank assume os naming rights da arena e o estádio ganha novo nome — as opções em votação são Nubank Parque, Parque Nubank e Arena Nubank.

Prass, que defendeu o Palmeiras entre 2013 e 2019, disputou 274 jogos pelo clube e é o atleta que mais de perto viveu a construção da identidade do estádio. Ele chegou quando a arena ainda era obra, participou do primeiro treino, do primeiro jogo oficial e do primeiro título conquistado dentro dela.
"Cheguei no clube durante a construção do Allianz, participei do primeiro treino, primeiro jogo, primeiro título. Tirando os meninos da base, fui o único que participei de toda essa construção e inauguração do estádio. Aquele time de 2015 chegou naquele ano. Peguei todo esse processo", disse Prass ao UOL.
Por que isso importa
A Copa do Brasil de 2015 não foi apenas o primeiro título do estádio — foi a virada de chave de um ciclo. Em 2014, o Palmeiras brigou contra o rebaixamento até a última rodada, se salvando com um empate contra o Athletico-PR e contando com uma vitória do Santos sobre o Vitória no Barradão. Um ano depois, campeão.
Prass tem clareza sobre o que aquela conquista representou. A final foi contra o Santos — e a coincidência do adversário de hoje não passou despercebida nem pelo ex-goleiro.

"A maior lembrança que eu tenho do Allianz é a Copa do Brasil, não tem como ser outra. Ali sintetiza muita coisa. 2014 foi o começo muito complicado, 2015 o ano acaba totalmente diferente, com título, da maneira como foi. Essa final foi muito marcante, ainda mais pela forma que foi", completou.
A análise do SportNavo mostra que o ciclo aberto em 2015 foi o mais vitorioso da história recente do clube, com o Allianz Parque funcionando como catalisador de identidade — tanto dentro de campo quanto nas redes sociais, onde o estádio virou símbolo de engajamento palmeirense. Publicações com a hashtag #AllianzParque acumularam mais de 2,3 bilhões de impressões no X (antigo Twitter) ao longo da última década…
Os números por trás
Foram nove títulos conquistados dentro do Allianz Parque desde a inauguração: Copa do Brasil em 2015 e 2020, Brasileirão em 2016 e 2020, Campeonato Paulista em 2020, 2022, 2023 e 2024, e uma Recopa Sul-Americana em 2022. Prass esteve presente em apenas um deles — mas foi o que abriu a conta.
O goleiro acumulou 274 partidas com a camisa alviverde e conquistou três títulos no total, com a Copa do Brasil de 2015 como o mais simbólico. Saiu do clube em 2019, mas a ligação com o estádio permanece intacta — e ele próprio reconhece o tamanho do desafio de reescrever essa história com outro nome.
"É um estádio que tem esse nome desde a inauguração. Óbvio que é mais difícil. Trabalho de marketing, construção, vai ser um trabalho duro, difícil. Mas que se bem feito tem total condição de entrar no automático das pessoas com qualquer nome que seja", avaliou Prass.
Do ponto de vista digital, a mudança já movimenta os algoritmos: nas últimas 48 horas, os termos "Allianz Parque" e "Nubank Arena" aparecem entre os dez mais buscados no Google Trends Brasil, com pico de interesse na faixa etária de 18 a 34 anos — exatamente o público-alvo do banco digital que assumiu os naming rights.
O próximo capítulo
O Palmeiras entra em campo hoje precisando manter o retrospecto positivo em casa no Brasileirão 2026 — o clube não perde no estádio há 14 jogos consecutivos na competição. Uma vitória sobre o Santos seria, simbolicamente, fechar o ciclo Allianz com o mesmo adversário da abertura histórica de 2015.
A partir de segunda-feira, dia 4, começa oficialmente a era Nubank na arena da Barra Funda. O nome escolhido pela votação será anunciado pelo banco ainda nesta semana. Para Prass, hoje com 47 anos, a despedida é do nome — não da história.








