A conta chegou antes do mercado abrir. Manchester United garantiu sua vaga na Champions League com a vitória por 2 a 1 sobre o Brentford — e agora o clube enfrenta uma aritmética brutal: a carga de jogos da próxima temporada crescerá entre 25% e 50% em relação ao calendário atual, dependendo de quanto o United avançar na competição europeia. Um elenco que disputou o menor número possível de partidas neste ciclo precisa, urgentemente, de profundidade e qualidade. Quatro nomes, em especial, precisam sair para que o dinheiro e as vagas no plantel sirvam a alguém mais útil.
Casemiro e Ugarte deixam um buraco no meio que precisa ser tapado
A saída de Casemiro já foi oficializada pelo clube — o volante brasileiro encerra um ciclo que, nos últimos dois anos, foi mais de declínio do que de contribuição. A questão real é o que acontece com Manuel Ugarte, contratado por £50 milhões do PSG e que nunca encontrou ritmo na Inglaterra. Nas aparições pontuais sob o comando de Michael Carrick, o uruguaio não convenceu como substituto natural do compatriota brasileiro. Métricas de pressão como o PPDA — sigla para Passes Permitidos por Ação Defensiva, que mede a intensidade do pressing de uma equipe — indicam que o United tem sido inconsistente justamente nas zonas onde Ugarte deveria ser dominante. Vender agora, mesmo com prejuízo em relação ao valor pago, é o caminho que a diretoria considera mais sensato.
Zirkzee e Malacia não sobrevivem ao teste da Champions
Joshua Zirkzee acumulou apenas cinco gols em 54 partidas pela Premier League desde que chegou ao Old Trafford — uma média que, para um centroavante titular, é indefensável. Carrick o deixou no banco contra o Leeds mesmo com o United precisando de gols, e uma chance dada na vitória sobre o Sunderland não produziu nada que mudasse a percepção sobre o jogador. O holandês não é um 9 tradicional e tampouco encontrou um papel secundário que justifique sua permanência. Tyrell Malacia, compatriota de Zirkzee, soma apenas 27 aparições na liga ao longo de quatro temporadas — um número que fala por si. Com o contrato expirando em junho, sua saída é automática, mas o United precisará buscar ativamente um lateral-esquerdo confiável no mercado.
"Zirkzee foi dado como chance contra o Sunderland no último sábado, mas não fez nada para mudar a opinião de ninguém sobre suas perspectivas de longo prazo", escreveu o The Guardian em análise publicada esta semana.
Bayindir é o quarto nome da lista e o mais fácil de resolver
Altay Bayindir tem ainda um ano de contrato, mas sua posição no clube tornou-se insustentável. O goleiro turco chegou como reserva de André Onana, chegou a ultrapassá-lo no início da temporada — mais pelos erros do camaronês do que pelos seus méritos — e ficou marcado pelo erro cometido contra o Arsenal na primeira rodada. Com Senne Lammens assumindo a titularidade e consolidando sua posição como um dos destaques positivos do United nesta temporada, o espaço para Bayindir simplesmente desapareceu. Vender o goleiro, mesmo por um valor modesto, libera folha salarial e uma vaga no plantel para uma opção de reserva mais confiável.
"Bayindir raramente pareceu confiável, que é literalmente tudo o que se pede de um goleiro reserva", observou o Football365 em análise sobre o elenco do United.
A decisão sobre o técnico define tudo o mais
Há uma variável que condiciona toda a estratégia de mercado: quem vai comandar o United na próxima temporada. Carrick transformou o United na melhor equipe da Premier League desde que assumiu o cargo interino, mas a decisão sobre a permanência dele — ou a contratação de um técnico de maior renome — ainda não foi tomada. Jogadores como Mason Mount e Matthijs de Ligt vivem nessa zona cinzenta: Mount é funcional mas sem encaixe claro no sistema; De Ligt não joga desde novembro por lesão nas costas. Marcus Rashford, que conquistou a La Liga com o Barcelona nesta temporada, e Rasmus Højlund, em ritmo crescente no Napoli, têm retorno ao Old Trafford como o cenário menos provável. O United que entra na Champions League em agosto será diferente do que saiu dela em 2023 — a questão é se será melhor o suficiente para competir nos dois palcos ao mesmo tempo. O mercado abre em julho. O prazo para acertar as contas é curto.









