Diz-se que Victor é o maior goleiro da história do Atlético-MG por ter defendido pênaltis na Libertadores de 2013. Na verdade, ele não tem mais o recorde de defesas — e o motivo importa muito para entender o que Everson representa hoje para o clube.

O Galo e a tradição de goleiros que decidem disputas

Raros clubes brasileiros constroem, em sequência, dois arqueiros capazes de decidir partidas na cobrança de pênaltis. O Atlético-MG fez isso. Victor foi titular entre 2012 e 2020, período em que o clube conquistou a Libertadores de 2013 — o único título continental da história atleticana. Everson assumiu a posição titular em 2020 e, desde então, acumulou 22 pênaltis defendidos, superando a marca histórica do antecessor.

Verona - Como

O debate ganhou novo combustível após a eliminação do Boca Juniors nas oitavas da Copa Libertadores: Everson defendeu duas cobranças, viu uma ser isolada e ainda converteu a quinta batida decisiva, acertando o ângulo de Rossi para classificar o Galo às quartas de final.

Os números brutos de cada goleiro no Atletico

A comparação estatística entre os dois exige recorte temporal preciso. Victor acumulou oito anos como titular absoluto no Atlético, período em que o clube disputou Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão de forma consistente. Everson chegou em 2020 e, em menos tempo de clube, já ultrapassou o predecessor no indicador mais simbólico da posição: pênaltis defendidos.

  • Everson — pênaltis defendidos pelo Atlético: 22 (recorde do clube)
  • Victor — pênaltis defendidos pelo Atlético: marca superada em 2024
  • Everson — títulos pelo Atlético: Brasileirão 2021, Copa do Brasil 2021, Copa do Brasil 2022 e Supercopa do Brasil 2022
  • Victor — títulos pelo Atlético: Libertadores 2013, Copa do Brasil 2014, entre outros

A diferença qualitativa está no peso dos troféus. Victor venceu a única Libertadores do clube, competição em que Everson ainda não conquistou o título. Quatro estrelas brasileiras e dois troféus nacionais na conta de Everson são expressivos, mas a ausência do título continental é o dado que mantém o debate aberto.

O que os próprios protagonistas dizem sobre a disputa

Curiosamente, nenhum dos dois alimenta a rivalidade. Quando recebeu o prêmio de melhor jogador da partida contra o Boca das mãos do próprio Victor — hoje gerente de futebol do Atlético —, Everson foi direto:

"O antecessor era o São Victor, o maior goleiro da história do clube, que foi peça importante no título da Libertadores. Sempre quando tem disputa de pênaltis, o torcedor está acostumado a colocar confiança no goleiro. Deus vem me abençoando", disse Everson ao SporTV.

Victor, por sua vez, optou por valorizar o trabalho do sucessor sem entrar no mérito da comparação:

"Conversamos um pouco ontem, o tanto que a gente se prepara para viver um momento como esse. Sei o tanto que ele treina, a dedicação e envolvimento. Nada mais justo uma atuação para coroar todo o trabalho que ele vem fazendo", afirmou Victor na entrega do prêmio, no dia do 31º aniversário de Everson.

A jornalista Mariana Spinelli, da TV Globo e atleticana declarada, resumiu o dilema com precisão ao participar do programa Tropa ge tv: "Para mim o Victor é maior pela defesa. Ele entrou num negócio místico. Mas eu acho o Everson já é melhor do que o Victor".

Qual número pesa mais na balança do Galo

A análise publicada pelo SportNavo mostra que comparações entre goleiros de épocas distintas exigem ponderação de contexto. Victor operou num Atlético que disputava Libertadores com regularidade e chegou à final continental em 2013. Everson herdou um clube em reconstrução financeira, com a Arena MRV em obras e ciclos técnicos instáveis — e ainda assim produziu o maior volume de defesas de pênaltis da história do clube.

O indicador de aproveitamento em disputas de pênaltis favorece Everson em volume absoluto. Mas o peso específico de uma defesa na final da Libertadores — como Victor fez em 2013 — não tem equivalente direto no currículo de Everson, ao menos até o momento. A campanha atual na Libertadores 2026 pode mudar esse cálculo.

Diz-se que Victor tem o melhor aproveitamento em pênaltis na história do Atlético. Na verdade, não tem mais — e o motivo importa porque Everson ainda está em campo para ampliar a diferença.