Ser o melhor do mundo e, ao mesmo tempo, seu próprio maior inimigo — esse é o paradoxo que define a temporada de Ramon Dino em 2026. O acreano de 30 anos conquistou em outubro do ano passado algo que nenhum brasileiro havia feito antes na Classic Physique do Mr. Olympia, superando nomes como Mike Sommerfeld e Ruff Diesel. Agora, enquanto 17 atletas brasileiros disputam espaço no Pittsburgh Pro neste fim de semana (16 e 17 de maio, na Pensilvânia), o campeão não compete — mas o peso do título está em cada músculo que ele treina.

O que o Pittsburgh Pro revela sobre o fisiculturismo verde e amarelo

Dezessete brasileiros distribuídos em oito categorias profissionais, com oito vagas diretas para o Mr. Olympia em jogo e mais de US$ 415 mil (cerca de R$ 2,1 milhões) em premiação — os números do Pittsburgh Pro de 2026 contam uma história que os rankings confirmam: o Brasil deixou de ser coadjuvante no fisiculturismo mundial. Para efeito de comparação, na edição anterior do mesmo evento, a brasileira Valquiria Lopes saiu campeã da Wellness, sinalizando que a hegemonia nacional vai muito além de um único nome ou categoria.

Ramon Dino fará um guest posing no domingo a partir das 12h30 (horário de Brasília), pelo segundo ano consecutivo — uma aparição sem caráter competitivo, mas que funciona como termômetro público do shape em construção. Nos bastidores, o que o SportNavo apurou junto às coberturas especializadas é que a equipe do campeão já tem estratégia definida, com foco em melhorias específicas de cortes na perna, peitoral, costas e ombros. Não é manutenção: é evolução calculada.

Menegate, Caike Pro e os brasileiros que querem destronar o rei

Quando perguntado sobre seus rivais nacionais, Ramon foi direto ao ponto.

"Por essa linha de raciocínio, é o Menegate. Tem também o Fábio Jr., que é muito bom. Tem o Livinho, o Zancanelli, e, claro, o Menegate e o Caike. Eles são os melhores para mim", afirmou o campeão em entrevista ao Lance!

Matheus Menegate, apelidado de "CBum brasileiro" pela similaridade estética com o hexacampeão Chris Bumstead, ocupa atualmente o nono lugar no ranking do Mr. Olympia — posição alcançada em apenas sua segunda competição profissional após conquistar o Pro Card em outubro de 2023. A ascensão meteórica do atleta em menos de dois anos de carreira profissional é estatisticamente comparável à de Bumstead entre 2017 e 2019, quando o canadense foi do anonimato ao pódio do Olympia em ritmo acelerado.

Já Caike Pro chega ao Pittsburgh Pro estreando na Classic Physique após anos dominando o Men's Physique brasileiro — uma transição de categoria que poucos atletas executam com sucesso. A estreia contra Ruff Diesel, Josema Beast e Michael Daboul fornecerá os primeiros dados concretos sobre onde o brasileiro se encaixa nessa nova divisão.

A pressão do alvo nas costas e o que o bicampeonato significaria

O treinador Fabrício Pacholok foi categórico na avaliação do ciclo atual.

"Eu considero esse ano de 2026 o mais desafiador, o alvo está em nossas costas. O título continua em aberto, então é um ano assim pra gente estar mais focado", disse Pacholok durante o Arnold Classic Brasil, em São Paulo.

O próprio Ramon reconhece o peso da posição de favorito.

"A gente sabe que a galera vai trabalhar o triplo ou mais do que isso (...) a gente sabe que nós somos um alvo a ser atingido", declarou o campeão.
A referência histórica que a equipe persegue é clara: Bumstead venceu seis vezes consecutivas entre 2019 e 2024, construindo uma hegemonia que transformou a Classic Physique em território praticamente particular. Desde Guga Kuerten em 2000, poucos atletas brasileiros em qualquer modalidade sustentaram domínio tão prolongado em um circuito mundial — e Pacholok quer que Ramon seja o primeiro do fisiculturismo a replicar essa consistência.

O Mr. Olympia 2026 está programado para os dias 24 a 27 de setembro, em Las Vegas. Se a partitura que Pacholok e Ramon estão compondo agora — cada semana de treino, cada grama de músculo adicionada nos pontos certos — soar afinada no palco americano, o Brasil terá seu primeiro bicampeão da Classic Physique. Uma sinfonia que, como toda grande obra, só revela seu valor quando a última nota é executada sem erro.