Raul Gustavo foi expulso, pediu desculpas nas redes sociais e o clipe do lance já tinha mais de 2 milhões de visualizações no X antes do apito final. Todo mundo sabe o que aconteceu na Argentina. O que poucos pararam para calcular é o tamanho do precedente que esse episódio carrega — e o quanto as punições anteriores em casos parecidos contam uma história bem mais irregular do que o futebol brasileiro gosta de admitir.

O lance que travou o Corinthians em Buenos Aires

Aos 13 minutos do segundo tempo, com o Corinthians perdendo por 1 a 0 para o Argentinos Juniors no Estádio Diego Armando Maradona, o zagueiro tentou pegar a bola rapidamente para retomar o ritmo. O assistente Cláudio Urutia entrou na frente. Raul empurrou, depois acertou o rosto do árbitro com o braço. Cartão vermelho imediato. O Timão terminou com dez, não buscou o empate e saiu da liderança do Grupo F da Copa Sul-Americana.

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Nas redes, o zagueiro de 25 anos publicou um pedido de desculpas com tom direto:

"Tenho a consciência de que errei e acabei prejudicando a minha equipe em uma partida que era fundamental para o Corinthians. Peço desculpas aos meus companheiros, comissão técnica e a todos os torcedores, mas principalmente ao bandeira da partida."

O post viralizou, mas a repercussão foi dividida. Parte da torcida corintiana defendeu o jogador; outra parte cobrou maturidade de um defensor que já deveria saber administrar a pressão em jogos internacionais.

A ex-árbitra que colocou o dedo na ferida

A comentarista de arbitragem do SBT e ex-árbitra Nadine Basttos analisou o lance e foi categórica ao desconstruir parte da narrativa de "agressão premeditada":

"O assistente não precisa se colocar no meio, acaba deixando o jogador mais nervoso ainda. O Raul queria pegar a bola e sair rapidamente, e o assistente se colocou na frente. Botou o braço, na minha visão, sem intenção de agredir o assistente, e sim para afastá-lo."

Basttos ainda completou que o árbitro principal ficou em posição difícil porque o assistente relatou o contato — e que, pela experiência dela, a orientação é justamente não se interpor fisicamente nessas situações. A análise ganhou tração nas redes e abriu um debate técnico que vai além do caso específico.

Dudu, Neto Berola e um padrão de punições que não fecha

O histórico de jogadores brasileiros que agrediram árbitros e receberam punições do STJD é curto na memória, mas longo nos contrastes. Na final do Campeonato Paulista de 2015, o atacante Dudu, então no Palmeiras, empurrou o árbitro Guilherme Ceretta de Lima após ser expulso em lance com Geuvânio, do Santos. A punição inicial foi de 180 dias de suspensão — reduzida para seis jogos após recurso do clube, com multa de R$ 50 mil. O que para o torcedor argentino seria uma expulsão de campeonato inteiro, para o tribunal brasileiro virou questão de burocracia recursal.

Em 2016, na Série C, o zagueiro Ferreira deu um empurrão no árbitro Marcos Mateus Pereira após ser expulso em jogo contra o Boa Esporte. E em 2021, na última rodada da Série B, o atacante Neto Berola, pelo Confiança-SE, foi além: chutou o pé do árbitro Wilton Pereira Sampaio na Arena Batistão, na partida contra a Ponte Preta. Nos três casos, as punições variaram de forma considerável, sem critério público claro sobre o que pesa mais — a intensidade do contato, a visibilidade do jogo ou o porte do clube envolvido.

O que esperar para Raul Gustavo e para o Corinthians

A Copa Sul-Americana é gerida pela CONMEBOL, e as punições seguem o regulamento da entidade — diferente do STJD, que cuida de competições nacionais. Pela tabela da CONMEBOL, agressão a árbitro pode render de dois a seis jogos de suspensão automática, com possibilidade de extensão dependendo do relatório do árbitro principal. O Corinthians joga na próxima fase da Sul-Americana em 8 de maio contra o Club Nacional Asunción, no Paraguai — e a presença de Raul Gustavo nessa partida já é dúvida concreta.

Raul Gustavo foi expulso, pediu desculpas nas redes sociais e o clipe do lance já tinha mais de 2 milhões de visualizações no X antes do apito final — e agora o Corinthians aguarda a decisão da CONMEBOL para saber quantos jogos sem seu zagueiro titular custará aquele braço levantado em Buenos Aires.