Resistiu. Durante 82 minutos no London Stadium, o Arsenal fez o que os grandes campeões europeus aprendem a fazer antes de qualquer outra coisa: sofreu o jogo, controlou o espaço e esperou o momento certo. Foi Leandro Trossard quem encontrou esse momento aos 83 minutos, convertendo o único gol da partida e selando uma vitória por 1 a 0 sobre o West Ham que aproxima os Gunners do título da Premier League que não vem desde 2004 — quando Arsène Wenger ainda desenhava futebol no guardanapo.

O Arsenal que chegou ao East London carregando pressão acumulada

Mikel Arteta tem construído nos últimos três anos algo que os ingleses raramente reconhecem com facilidade: uma equipe de identidade continental, moldada nos princípios do pressing alto e da organização posicional que ele absorveu ao lado de Pep Guardiola no Manchester City. Mas esta temporada 2025/2026 tem exigido do Arsenal uma virtude diferente — não a beleza do tiki-taka, mas a frieza cirúrgica de quem sabe que um ponto a menos pode custar tudo. Trossard já havia acertado o travessão duas vezes na primeira etapa antes de marcar, evidência de que a eficiência ofensiva nem sempre acompanha o volume de chances criadas.

Gabriel e Raya seguram o que Trossard não conseguiu fechar antes

O segundo tempo no London Stadium foi aquele tipo de jogo que os técnicos europeus chamam de nervy com toda a razão — tenso como corredor estreito onde o ar parece rarear a cada metro. Nos acréscimos, Gabriel salvou com um bloqueio crucial que impediu o empate do West Ham em cima da linha. Segundos depois, Callum Wilson balançou a rede e o estádio explodiu — mas o VAR identificou falta sobre David Raya, cujo desempenho entre os postes tem sido, semana após semana, um dos pilares silenciosos desta campanha. O goleiro espanhol, formado no Blackburn e consolidado na Premier League, não é apenas competente — é a âncora que permite ao Arsenal jogar com a linha defensiva alta que Arteta tanto preza.

O Arsenal que chegou ao East London carregando pressão acumulada Resistiu. E ago
O Arsenal que chegou ao East London carregando pressão acumulada Resistiu. E ago
"Raya foi imenso entre as traves mais uma vez", destacou o site oficial do clube ao narrar os momentos finais da partida em Londres.

Duas vitórias separam o Arsenal do fim de uma espera de duas décadas

Há uma diferença estrutural entre este Arsenal e as versões anteriores que chegaram perto e recuaram — como a de 2022/2023, que liderou boa parte da temporada antes de desmoronar nas semanas decisivas. O SportNavo acompanhou de perto a evolução tática de Arteta, e o que se vê agora é uma equipe que aprendeu a vencer feia. Na Europa, os times que levantam troféus não são necessariamente os mais bonitos — o Atlético de Simeone ensinou isso à exaustão, e o Leicester de Ranieri em 2016 virou lenda justamente por fazer o improvável parecer metódico. Este Arsenal tem os dois ingredientes: joga bem quando pode, resiste quando precisa.

"Nos aproximamos a duas vitórias do título da Premier League", comunicou o clube oficialmente após o apito final no London Stadium.

Com a vitória em mãos, o Arsenal retorna ao Emirates Stadium para os compromissos finais de uma temporada que pode reescrever a história do clube. Os próximos dois jogos definirão se Arteta finalmente entrega o troféu que Arsenal não segura desde maio de 2004. Em 25 de maio de 2026, caso o calendário se confirme, saberemos se esta geração tem nome gravado na taça.