O Independiente Rivadavia fez história na noite de quarta-feira (15) ao vencer o Fluminense por 2 a 1, no Maracanã, em sua primeira viagem internacional pela Libertadores. O time argentino, que nunca havia disputado competições continentais, soube explorar as fragilidades defensivas tricolores e deixou o atual campeão da América na lanterna do Grupo C, com apenas um ponto em duas rodadas.
A vitória dos mendocinos não foi casual. O técnico Alfredo Berti montou uma estratégia defensiva compacta que neutralizou o meio-campo tricolor e apostou nos contra-ataques rápidos. O segundo gol, aos 28 minutos do segundo tempo, exemplificou a vulnerabilidade do Fluminense nas transições: após saída errada da defesa, Sartori driblou Fábio e fuzilou para selar o triunfo histórico.
Jogadores assumem responsabilidade após vaias
O goleiro Fábio, aos 44 anos, concordou com as vaias da torcida tricolor ao final da partida. Com quatro jogos sem vencer, o capitão reconheceu que a equipe perdeu a consistência que marcou o início da temporada.
"O torcedor está com toda razão, infelizmente a gente não conseguiu desenvolver o mesmo futebol que estávamos fazendo, com consistência, uma equipe equilibrada para defender e atacar"
O lateral-esquerdo Guilherme Arana também assumiu a responsabilidade pelo momento delicado. O jogador, que chegou emprestado do Atlético-MG para ser uma das principais contratações do ano, cobrou postura da equipe nos próximos compromissos.
"Quando a gente faz um gol, não pode relaxar, ainda mais Libertadores, e desligamos depois do gol. Temos que assumir a responsabilidade, temos quatro jogos sem vencer"
Análise tática revela problemas estruturais
O Rivadavia conseguiu anular o meio-campo tricolor através de marcação por zona no terço defensivo, forçando o Fluminense a buscar alternativas pelos flancos. A estratégia funcionou porque Lima e Arias, principais criadores da equipe de Zubeldía, ficaram isolados no centro do campo. Segundo apuração do SportNavo, o time argentino teve 62% de acerto nos passes no campo defensivo, número que reflete a organização tática.
A fragilidade nas transições defensivas ficou evidente nos dois gols sofridos. No primeiro, aos 23 minutos da etapa inicial, a defesa tricolor foi vazada após cruzamento da direita. No segundo, a saída errada de bola permitiu o contra-ataque fatal de Sartori. Os números mostram que o Fluminense sofreu 11 finalizações, sendo seis no alvo, contra apenas oito tentativas próprias.
Crise se aprofunda no momento decisivo
A derrota para o Rivadavia representa mais do que um tropeço pontual. O Fluminense não vence há quatro partidas, somando duas derrotas na Libertadores e dois empates no Brasileirão. A sequência negativa coloca pressão sobre Luis Zubeldía, que ainda busca encontrar o melhor esquema tático para a equipe.
O venezuelano Savarino, um dos poucos destaques individuais da temporada, classificou o resultado como "vergonha" em declaração após o jogo. A revolta do atacante reflete o clima interno do elenco, que esperava começar a defesa do título continental de forma mais convincente.
Com apenas um ponto conquistado, o Fluminense ocupa a última colocação do Grupo C, atrás de Cerro Porteño (4 pontos), Colo-Colo (3) e do próprio Rivadavia (3). A situação exige reação imediata nos próximos compromissos continentais para evitar eliminação precoce na competição que conquistou pela primeira vez em 2023.
O próximo desafio do Fluminense será no sábado (19), às 16h, contra o Santos, no Maracanã, pelo Brasileirão. A partida representa oportunidade de quebrar o jejum de vitórias antes dos compromissos decisivos na Libertadores, quando enfrentará Colo-Colo e Cerro Porteño fora de casa.

