A preparação dos adversários do Brasil no Grupo 6 da Copa do Mundo 2026 revelou cenários distintos nos amistosos mais recentes. Enquanto Marrocos conquistou vitória consistente sobre o Paraguai por 2 a 1, a Escócia tropeçou diante da Costa do Marfim, perdendo por 1 a 0. O Haiti, que retorna ao Mundial após 52 anos de ausência, empatou sem gols com a Islândia, mantendo o trabalho de reconstrução iniciado em 2023.
Os resultados desses confrontos preparatórios oferecem pistas valiosas sobre o estado atual das seleções que disputarão vaga nas oitavas de final ao lado da Canarinho. Historicamente, amistosos pré-Copa revelam tendências táticas que se confirmam na competição principal - como ocorreu em 2018, quando a França de Deschamps já demonstrava solidez defensiva que a levaria ao título.
Marrocos mantém consistência ofensiva contra sul-americanos
A vitória marroquina sobre o Paraguai por 2 a 1 reforçou a tradição africana de bom desempenho contra equipes sul-americanas em preparações mundialistas. Os Leões do Atlas somam agora quatro vitórias em seis confrontos contra seleções da Conmebol desde a campanha histórica no Qatar 2022, quando alcançaram as semifinais - feito inédito para uma equipe africana.
O técnico Walid Regragui apostou na mesma base tática que surpreendeu o mundo há dois anos: linha de três zagueiros, laterais ofensivos e pressing alto no campo adversário. O esquema se mostrou eficaz novamente, com os gols saindo de jogadas ensaiadas que exploraram a velocidade pelas pontas - característica que preocupará a comissão técnica brasileira.
Escócia decepciona em teste africano
A derrota escocesa para a Costa do Marfim por 1 a 0 expôs as limitações ofensivas que podem complicar a campanha no grupo brasileiro. Desde a classificação para o Mundial, conquistada através da repescagem europeia, a Escócia soma apenas dois gols em quatro amistosos - média que contrasta drasticamente com as 18 finalizações por jogo registradas nas Eliminatórias.
Steve Clarke, técnico escocês desde 2019, vem testando variações no sistema 3-4-2-1 que garantiu a vaga mundialista. No entanto, a ausência de um centroavante de referência - problema crônico desde os tempos de Kenny Dalglish nos anos 1980 - continua limitando as opções ofensivas contra defesas organizadas.

Haiti busca identidade após retorno histórico
O empate do Haiti com a Islândia representou mais um passo na reconstrução de uma seleção que havia disputado sua única Copa em 1974, na Alemanha Ocidental. Naquela ocasião, os caribenhos perderam os três jogos do grupo, sofrendo 4 a 1 da Itália, 7 a 0 da Polônia e 4 a 1 da Argentina - campanhas que ficaram marcadas mais pela participação histórica que pelos resultados.
O técnico Gabriel Calderón, argentino contratado em 2024, implementou um 4-2-3-1 defensivo que priorizou a solidez sobre a criação. A estratégia funcionou parcialmente contra os islandeses, mas revelou carências técnicas no meio-campo que podem ser exploradas por seleções de maior poder ofensivo como o Brasil.

Japão faz história em Wembley
Embora não integre o grupo brasileiro, a vitória japonesa sobre a Inglaterra por 1 a 0 em Wembley marcou a primeira vez na história que o Japão derrotou os ingleses. O resultado histórico demonstra a evolução constante do futebol asiático e serve de alerta para todas as seleções que subestimarem adversários considerados 'menores' na Copa de 2026.
A conquista em solo inglês quebrou um tabu de 16 confrontos sem vitória japonesa contra a Inglaterra, série que incluía duas derrotas por goleada: 4 a 0 em 2004 e 3 a 0 em 2010. O gol da vitória saiu aos 38 minutos do segundo tempo, coroando uma apresentação tática impecável da equipe comandada por Hajime Moriyasu.
O Brasil enfrentará Marrocos, Escócia e Haiti na primeira fase da Copa do Mundo 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México entre junho e julho. A Seleção brasileira iniciará sua preparação oficial em março, com dois amistosos ainda não confirmados pela CBF.

