Treze pontos em doze rodadas, 15ª posição na tabela e uma sequência de ausências que tornaria qualquer técnico insone. É nesse estado que o Santos de Cuca chega à Arena Fonte Nova neste sábado, às 18h30, para enfrentar um Bahia com 20 pontos e confortavelmente estabelecido no G-6 do Brasileirão. Neymar foi preservado pela comissão técnica, e o argentino Rollheiser herda a vaga mais pressionada do elenco santista.
O que Rollheiser pode — e o que a lacuna de Neymar realmente representa
Rollheiser é um meia de características distintas das de Neymar: enquanto o camisa 10 opera pela individualidade e pela criação imprevisível, o argentino entrega volume de movimento, transições rápidas e capacidade de combinar entre linhas. Cuca o posiciona no meio-campo ofensivo, entre Christian Oliva e João Schmidt, formando um trio que precisa compensar com trabalho coletivo o que perde em genialidade individual. O Santos, ao longo das 12 rodadas anteriores, registrou três vitórias, quatro empates e cinco derrotas — números que expõem a fragilidade estrutural do time mesmo quando conta com seu principal ativo em campo.
"Rollheiser tem condições de jogar nessa posição e fazer uma boa partida", foi a linha adotada pela comissão técnica ao justificar a opção pelo argentino diante da preservação de Neymar.
Desfalques que vão além da estrela
A ausência de Neymar seria suficiente para dominar qualquer pauta pré-jogo, mas o Santos apresenta um contexto consideravelmente mais delicado. Gabigol cumpre suspensão e não estará disponível — um atacante que, quando em ritmo, é o segundo referencial ofensivo do elenco. Igor Vinícius e Gustavinho também estão suspensos, enquanto Vinícius Lira e Gabriel Menino seguem no departamento médico. Para completar, Gabriel Brazão foi poupado. Cuca escala Diógenes na meta, Mayke na lateral-direita, Lucas Veríssimo e João Ananias na zaga, e Escobar na esquerda — uma linha defensiva que terá de ser sólida diante de Erick Pulga e Willian José, ataque do Bahia que acumula gols ao longo da temporada.

A trinca ofensiva santista será Gabriel Bontempo, Rony e Thaciano, nomes que individualmente não carregam o mesmo peso comercial ou técnico de Neymar e Gabigol, mas que, combinados com a mobilidade de Rollheiser, constroem uma proposta de jogo mais horizontal e coletiva. Na avaliação do SportNavo, essa configuração exige que o Santos abra mão do futebol de exceção e aposte em transições rápidas para explorar eventuais espaços deixados pelo Bahia, que chega com Charles Hembert no banco — substituto do suspenso Rogério Ceni.
O peso da tabela e o que o Bahia representa
Sete pontos separam as duas equipes neste momento: Santos com 13, na 15ª colocação; Bahia com 20, na quinta. Para o time da Vila Belmiro, uma derrota na Arena Fonte Nova pode aproximar perigosamente o clube da zona de rebaixamento, que começa no 17º lugar. O Bahia, por sua vez, escala Léo Vieira; Acevedo, Gabriel Xavier, Ramos Mingo e Luciano Juba; Caio Alexandre, Jean Lucas e Michel Araújo; Kike Olivera, Erick Pulga e Willian José — time completo, experiente e jogando em casa diante de uma torcida que lotou a Fonte Nova nas últimas rodadas.
"Nosso time está preparado para qualquer adversidade", disse Charles Hembert em entrevista antes da partida, projetando confiança mesmo assumindo o comando interinamente no lugar de Rogério Ceni.
O que Cuca precisa acertar para o Santos não afundar
Táticas à parte, o ponto central desta partida é gestão de crise. Cuca tem diante de si um elenco remontado às pressas, sem seis peças importantes, e a missão de extrair pontos de um adversário em melhor momento. A solução mais lógica passa por um Santos organizado defensivamente, com Rollheiser exercendo função dupla — proteger o meio e aparecer nos momentos de transição ofensiva. Rony, que tem mobilidade e histórico de gols em momentos de pressão, pode ser o ponto de inflexão caso o jogo evolua para um duelo de resistência. Segundo levantamento do SportNavo, nas últimas cinco rodadas o Santos marcou apenas quatro gols como visitante, sinalizando que o problema ofensivo não começa e não termina na presença ou ausência de Neymar.

O Santos volta a campo após este duelo pela 14ª rodada do Brasileirão, em jogo ainda a ser confirmado em tabela, com a necessidade urgente de pontos para se distanciar do Z-4 — atualmente a apenas dois pontos de distância.









