Robert Arboleda representa mais que um zagueiro no sistema tático do São Paulo. Com 87% de acerto nos passes longos na temporada 2024 e média de 6,2 lançamentos precisos por partida, o equatoriano de 33 anos funciona como peça fundamental na construção ofensiva tricolor. Sua possível saída, ainda indefinida após negociações com a diretoria, obriga o clube a repensar completamente o esquema defensivo para a próxima temporada.
Os números revelam a dimensão do problema tático que Luis Zubeldía e, posteriormente, Maxi Carpini enfrentarão caso percam o camisa 5. Arboleda lidera o elenco em interceptações por jogo (4,1) e ocupa a segunda posição entre os zagueiros brasileiros em passes decisivos - 23 assistências diretas para finalização em 2024. Nenhum outro defensor do atual plantel tricolor combina essas características técnicas com liderança de vestiário.
Perfil específico complica reposição no mercado
Dirigentes do São Paulo reconhecem que substituir Arboleda transcende a contratação de qualquer zagueiro disponível no mercado. O equatoriano é canhoto, mede 1,87m, possui excelente técnica com os pés e domina três idiomas - fatores que facilitam sua comunicação com companheiros estrangeiros. Alan Franco e Sabino, as principais alternativas internas, são destros e apresentam características defensivas distintas.

Sabino, de 26 anos, registrou 78% de aproveitamento nos passes contra o Grêmio na última rodada do Brasileirão, mas sua média de lançamentos longos (3,1 por jogo) representa metade da produção de Arboleda. Franco, por sua vez, compensa com maior velocidade nos duelos individuais, porém não oferece a mesma qualidade na saída de bola que caracteriza o sistema defensivo são-paulino.
"Arboleda tem características muito específicas que não são fáceis de encontrar no mercado brasileiro", admitiu fonte próxima à diretoria tricolor.
Alternativas internas exigem adaptação tática
O São Paulo possui outras opções no elenco, mas todas demandam ajustes no modelo de jogo implementado por Zubeldía. Ruan Tressoldi, emprestado pelo Sassuolo até dezembro de 2025, apresenta boa técnica individual, porém sua altura (1,83m) limita a eficiência nos duelos aéreos - Arboleda venceu 71% dos confrontos pelo alto em 2024.
Ferraresi, venezuelano de 25 anos, surge como alternativa mais próxima ao perfil do titular, mas disputou apenas 847 minutos na última temporada. Suas estatísticas defensivas (2,8 interceptações por 90 minutos) indicam potencial, mas falta rodagem em alto nível. A base tricolor não oferece soluções imediatas após a venda de Beraldo ao PSG por 20 milhões de euros.
Dados da consultoria FootballCritic mostram que zagueiros canhotos com perfil semelhante ao de Arboleda custam entre 8 e 15 milhões de euros no mercado europeu. No Brasil, opções como Léo Ortiz (Flamengo) e Murilo (Palmeiras) são consideradas intransferíveis por seus clubes, limitando as alternativas são-paulinas ao mercado sul-americano.
Cenários táticos para 2025 sem o equatoriano
Caso Arboleda deixe o Morumbi, Carpini precisará adaptar o esquema defensivo tricolor. A primeira opção envolve modificar a linha de três zagueiros para uma defesa com quatro defensores, aproveitando Wellington e Rafinha como laterais fixos. Essa formação reduziria a dependência de passes longos precisos, mas limitaria a amplitude ofensiva nas jogadas pelas pontas.
A segunda alternativa consiste em manter o 3-4-2-1, mas alterar as funções dos zagueiros centrais. Franco assumiria a marcação dos centroavantes adversários, enquanto Sabino ou Tressoldi ficariam responsáveis pela primeira saída de bola. Tal divisão de tarefas funcionou no Athletico-PR de Felipão em 2019, quando Thiago Heleno e Robson Bambu compartilhavam responsabilidades similares.
O São Paulo volta aos treinos no CT da Barra Funda em 6 de janeiro, quando Carpini definirá o sistema tático para a estreia no Paulistão, marcada para 16 de janeiro contra o Botafogo-SP, no Morumbi. Até lá, a situação de Arboleda deve estar resolvida, determinando os rumos da reformulação defensiva tricolor para a próxima temporada.

