O Santos carrega hoje a maior dívida líquida entre os clubes que já passaram pelo rebaixamento à Série B: R$ 1,2 bilhão. O número expõe o abismo financeiro que separa o Peixe de exemplos bem-sucedidos como Athletico-PR e Mirassol, que retornaram à elite com orçamentos controlados e gestão responsável.

A diferença de estratégias fica evidente nos números. Enquanto o Athletico subiu da Série B em 2017 com uma dívida de R$ 180 milhões e hoje disputa a Libertadores, o Santos acumulou passivos que superam em seis vezes esse valor. O Mirassol, por sua vez, chegou à primeira divisão pela primeira vez na história mantendo uma estrutura financeira sustentável.

Dirigente admite problema estrutural de receita

Após a derrota por 3 a 2 para o Fluminense na Vila Belmiro, o executivo de futebol Alexandre Mattos não escondeu a realidade financeira do clube. Em coletiva, ele foi direto ao apontar a origem dos problemas.

"O problema vem de muitos anos. O Santos vive momento financeiramente delicado. Talvez um dos grandes problemas do Santos seja receita. O Santos não tem condições de ter investimento", afirmou Mattos.

Os dados corroboram a fala do dirigente. Segundo apuração do SportNavo, os contratos milionários firmados nos últimos anos, incluindo o retorno de Neymar, comprometem mais de 70% da receita mensal do clube. A folha salarial atual supera R$ 15 milhões mensais, valor incompatível com o faturamento de R$ 18 milhões por mês.

Comparação revela gestões opostas

O contraste com outros clubes que retornaram da Série B é gritante. O Athletico-PR, rebaixado em 2016, implementou um modelo de gestão profissional que priorizou a formação de jogadores e vendas estratégicas. Em 2018, já na Série A, o clube faturou R$ 67 milhões com a venda de Bruno Guimarães ao Lyon.

O Mirassol trilhou caminho similar, apostando em revelações da base e contratações pontuais. O clube paulista gastou apenas R$ 8 milhões em reforços para a temporada 2024, valor que representa menos de dois meses de folha salarial do Santos.

Dirigente admite problema estrutural de receita Santos acumula R$ 1,2 bilhão em
Dirigente admite problema estrutural de receita Santos acumula R$ 1,2 bilhão em
"Você mesmo respondeu, não dá para comparar projetos, momentos, pressão. A torcida não está chateada agora, está desde 2021. Então, isso é um acúmulo", disse Mattos ao ser questionado sobre a diferença entre os modelos.

Herança dos contratos astronômicos

A análise dos contratos revela como decisões passadas ainda assombram o presente santista. O retorno de Neymar, com salários que ultrapassam R$ 6 milhões mensais entre vencimentos e direitos de imagem, exemplifica uma gestão desalinhada com a realidade financeira.

Outros acordos firmados entre 2019 e 2022 também pesam no orçamento. Contratos de jogadores que não atuam mais pelo clube ainda geram desembolsos mensais de R$ 2,8 milhões em rescisões e acordos trabalhistas.

Comparação revela gestões opostas Santos acumula R$ 1,2 bilhão em dívidas
Comparação revela gestões opostas Santos acumula R$ 1,2 bilhão em dívidas

O técnico auxiliar Cuquinha, após a derrota para o Fluminense, demonstrou otimismo com o elenco atual, mas reconheceu o momento difícil: "Se cair um raio hoje, cai dentro do gol do Santos. Algumas coisas que estão acontecendo que eu acho que é uma fase e vai passar".

Cenário preocupante na classificação

Com apenas 13 pontos em 12 jogos, o Santos ocupa a 15ª posição e convive com a proximidade da zona de rebaixamento. O aproveitamento de 36,1% contrasta com os 58% do Mirassol, que briga por vaga na Libertadores em sua primeira temporada na elite.

A próxima oportunidade de reação será contra o Coritiba, na quarta-feira (22), às 19h30, na Vila Belmiro, pela Copa do Brasil. Para o confronto, a diretoria espera que Neymar mantenha a sequência de três jogos completos consecutivos, buscando reverter uma crise que vai muito além dos gramados.