55 nomes. Essa é a extensão da pré-lista que Lionel Scaloni divulgou na segunda-feira (11) para a Copa do Mundo 2026 — e, entre todos eles, a ausência mais comentada não é de nenhum jovem desconhecido, mas de um dos atacantes mais talentosos de sua geração. Paulo Dybala, astro da Roma e campeão mundial em 2022, não aparece nem nessa relação extensa, que ainda será reduzida a 26 convocados.

Uma lista grande demais para conter Dybala

Quando um treinador monta uma pré-lista de 55 atletas, o critério de corte costuma ser generoso. Scaloni incluiu nomes pouco conhecidos do grande público argentino, como Santiago Beltrán, do River Plate, e Tomás Aranda, do Boca Juniors — jovens que dificilmente chegarão à convocação final. Mesmo assim, Dybala ficou fora. O jornalista argentino Sérgio Levinsky traduziu bem o estranhamento:

"Paulo Dybala não estar em uma lista de 55 jogadores é estranho. Guido Rodríguez, antes totalmente descartado, está, e Dybala não. É estranho."

O volante do Valencia que Levinsky cita, Guido Rodríguez, simboliza bem a lógica de Scaloni: disponibilidade e funcionalidade acima do histórico. Dybala, aos 32 anos, acumula problemas físicos na Roma e não é convocado pela Albiceleste desde setembro de 2024. O técnico não trabalha com romantismo — trabalha com dados de presença e rendimento.

O tabuleiro ofensivo que não precisa de mais peças

Há uma lógica de xadrez aqui que vai além da lesão. A Argentina já opera com um ataque de rara densidade: Lionel Messi, Lautaro Martínez e Julián Álvarez compõem um trio que, na temporada europeia 2025/2026, segue entre os mais produtivos de seus respectivos clubes. Encaixar Dybala nesse sistema exigiria uma criatividade tática que, com o jogador em ritmo irregular, Scaloni simplesmente não precisa exercitar.

Cortado.

Não há drama na decisão — há pragmatismo. É como um maestro que dispensa um solista brilhante porque a orquestra já está completa. Quem acompanha o futebol sul-americano pelo SportNavo sabe que a Argentina de Scaloni opera cada vez mais como um conjunto europeu de pressing alto e transições rápidas, modelo no qual a disponibilidade física é condição inegociável.

Quem ocupa o espaço que seria de Dybala

A ausência de outro nome gerou debate entre os jornalistas argentinos: Taty Castellanos, 27 anos, titular do West Ham na Premier League, também ficou fora da lista de 55. O jornalista Walter Vargas foi direto:

"Uma surpresa negativa foi Taty Castellanos não ser citado entre os 55 nomes. Muito estranho! O West Ham está mal, deve cair, mas ainda me parece um jogador em nível europeu."

Com Castellanos de fora e Joaquín Panichelli, do Strasbourg, descartado por lesão, o caminho se abre para Flaco López, do Palmeiras, brigar pela vaga de terceiro centroavante na convocação definitiva. O atacante alviverde, que divide espaço com Lautaro e Álvarez na hierarquia do setor, agora tem um concorrente a menos — o que muda a aritmética da disputa de forma concreta.

Resta alguma porta aberta para Dybala

A Copa do Mundo começa em junho, e o elenco final precisa ser anunciado com antecedência. Scaloni trabalha, segundo a imprensa argentina, com cerca de 30 nomes reais — o restante da lista de 55 funciona como reserva estratégica em caso de lesões de última hora. Matematicamente, Dybala não está descartado desse cenário de contingência. Mas depende de uma combinação improvável: bom desempenho físico nas últimas rodadas da Serie A italiana e uma baixa significativa no setor ofensivo argentino. Qualquer queda de Messi, Lautaro ou Álvarez nas próximas semanas reabriria a conversa — e aí a Joya voltaria ao centro do debate.