Se a convocação final da Seleção Brasileira fosse anunciada hoje, Carlo Ancelotti já teria respostas para pelo menos 21 das 26 vagas disponíveis — e as outras cinco seriam o campo de batalha mais acirrado que o futebol brasileiro viu em anos. A apuração do jornalista Cahê Mota, do Globo Esporte, sistematizou o que o próprio treinador italiano deixou escapar em coletiva: a estrutura do grupo está definida, e os amistosos de março contra França (dia 26) e Croácia (dia 31) serviram menos como vitrine de novidades e mais como refinamento de detalhes. A convocação final acontece em maio, e o cenário já está bastante delineado.
A espinha dorsal que Ancelotti construiu posição por posição
Na meta, três nomes sem contestação real: Alisson, do Liverpool, titular absoluto; Bento, do Al-Nassr, reserva imediato; e Ederson, do Manchester City, terceiro goleiro. A posição é a mais tranquila do elenco — nenhum dos três sofreu lesão grave na temporada 2025/2026 e todos acumulam minutos regulares em seus clubes.
Nas laterais, Wesley, da Roma, e Alex Sandro, do Flamengo, são os nomes mais consolidados, com Douglas Santos, do Zenit, completando o trio. O próprio Ancelotti admitiu ter "um pouco menos" de opções nas duas laterais, o que justifica por que Gabriel Sara, do Galatasaray, e o meia Danilo, do Botafogo — ausente das convocações desde 2022 — foram chamados para os amistosos de março como testes de perfil posicional.
Na zaga, Marquinhos, do PSG, e Gabriel Magalhães, do Arsenal, são os titulares. Danilo e Éder Militão completam o quarteto — embora Militão esteja fora dos amistosos de março por lesão, Ancelotti deixou claro que conta com o zagueiro do Real Madrid para o Mundial. "Incluindo Militão, que precisa se recuperar bem", disse o treinador na coletiva de convocação.
O meio-campo onde Ancelotti admite ter menos opções
Casemiro, do Manchester United, Fabinho, Bruno Guimarães, do Newcastle, e Andrey, do Chelsea, formam o quarteto praticamente garantido no setor. Mas é exatamente aqui que as dúvidas são mais explícitas — e Ancelotti não tentou disfarçar. "Temos muitas opções na frente. Muitas, muitíssimas. Um pouco menos no meio e um pouco menos nas duas laterais", declarou o técnico italiano após anunciar a lista de março.
A ausência de Lucas Paquetá, do Flamengo — antes nome fixo nas convocações — é o sinal mais claro de que o meio-campo ainda está em disputa. Ancelotti citou o meia diretamente: "Hoje não está um jogador como o Paquetá, que voltou para cá. Mas pode estar muito bem na convocação." A janela segue aberta, e o desempenho de Paquetá no Brasileirão 2026 será determinante para a vaga.
Neste ponto, o SportNavo identificou uma lógica clara na metodologia de Ancelotti: o treinador prefere testar jogadores de perfil dinâmico, capazes de atuar tanto como segundo volante quanto como meia de ligação. Danilo, do Botafogo, e Gabriel Sara, do Galatasaray — ambos convocados pela primeira vez ou retomados após longa ausência — encaixam nesse molde. Nenhum dos dois é favorito para a Copa, mas a convocação de março foi um sinal de que a vaga ainda não tem dono.
O ataque mais rico do mundo e as vagas que sobram
Se há um setor em que o Brasil de 2026 está em situação invejável, é o ataque — e Ancelotti não escondeu o entusiasmo.
"A geração do Brasil neste momento é muito, muito boa. Nesse momento, não há, em outras seleções, a quantidade de atacantes de qualidade que temos no Brasil", afirmou o técnico em setembro de 2025, quando convocou oito atacantes para os jogos contra Chile e Bolívia pelas Eliminatórias.
Na lista dos 21 praticamente garantidos, o ataque concentra o maior número de nomes: Estevão, do Chelsea, Vinícius Júnior, do Real Madrid, Gabriel Martinelli, do Arsenal, João Pedro, do Chelsea, Matheus Cunha, do Manchester United, Raphinha, do Barcelona, e Luiz Henrique, do Zenit. Estevão também está fora dos amistosos de março por lesão, mas Ancelotti mantém o jovem de 18 anos no planejamento para o Mundial.
A disputa pelas vagas restantes no setor envolve nomes como Kaio Jorge, do Cruzeiro, e Richarlison, do Tottenham — este último com histórico de lesões na temporada 2025/2026 que complica sua situação. Neymar, do Santos, permanece como variável imprevisível: Ancelotti declarou que o camisa 10 pode ser convocado "se estiver 100%" fisicamente, mas o atacante ficou fora dos amistosos de março e a evolução física até maio será o único critério avaliado pelo técnico.
A convocação definitiva de Ancelotti será divulgada em maio, com o Brasil estreando na Copa do Mundo 2026 — disputada nos Estados Unidos, Canadá e México — em junho. Com 25 pontos nas Eliminatórias Sul-Americanas, sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas, o Brasil garantiu sua vaga com antecedência. Agora, Ancelotti tem até o anúncio da lista para resolver as cinco vagas em aberto — e os próximos jogos do Brasileirão 2026 serão o palco decisivo para quem ainda tenta convencer o técnico italiano.
Se a convocação final da Seleção Brasileira fosse anunciada amanhã, Ancelotti já teria respostas para 21 vagas — mas as outras cinco prometem ser a disputa mais intensa que o futebol brasileiro viu em décadas, seria injusto chamar de era de ouro do ataque nacional, mas é uma era em escala planetária.









