Se Copa do Mundo começasse esta semana, Luciano Juba estaria entre os 26 convocados do Brasil — ao menos é o que seus números recentes sugerem. O lateral-esquerdo do Bahia foi incluído na pré-lista de 55 jogadores enviada pela comissão técnica de Carlo Ancelotti à FIFA nesta segunda-feira, 11 de maio, e a inclusão não foi surpresa para quem acompanhou de perto a temporada 2026 do Tricolor de Aço. O cenário hipotético, claro, encontra o obstáculo da lista final — que será divulgada no dia 18, no Museu do Amanhã — mas os dados constroem um argumento difícil de ignorar.
Uma pré-lista que reflete o Brasileirão 2026
A CBF entregou à FIFA 55 nomes nesta segunda, e a composição do grupo revela as apostas de Ancelotti para o Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México. Entre as questões em aberto, a ausência provável de Estêvão — lesionado e avaliado pelo departamento médico como sem condições de disputar um eventual mata-mata — obrigou a comissão técnica a repensar o equilíbrio entre meias e atacantes. Segundo informações do portal ge, o debate interno gira em torno de manter cinco meias ou ampliar o setor ofensivo. Nesse contexto de ajustes, a presença de um lateral com produção ofensiva elevada — como Juba — ganha peso estratégico adicional.
Thiago Silva também aparece na relação, tratado pelos bastidores da CBF como liderança técnica e humana para o grupo, mesmo que a discussão sobre sua titularidade siga em aberto. Neymar, por sua vez, deve repetir o padrão das listas largas anteriores de Ancelotti e figurar entre os 55, mas uma convocação definitiva ainda é vista como improvável nos corredores da entidade.

Os números que colocaram Juba no radar de Ancelotti
Em 2026, Luciano Juba disputou 20 partidas pelo Bahia e acumula 8 gols e 3 assistências — números que seriam expressivos para um meia ofensivo, e que se tornam extraordinários quando o cargo no time é de lateral-esquerdo. Nos três últimos jogos do Tricolor no Brasileirão, ele balançou a rede em todos: cobrou falta com precisão cirúrgica no empate em 2 a 2 contra o Santos, acertou um petardo de fora da área no 2 a 2 diante do São Paulo, e marcou na derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro em casa. Três jogos, três gols — uma sequência que poucos laterais do futebol brasileiro conseguiriam apresentar.
Para contextualizar estatisticamente, o xT (expected threat) — métrica que mede a probabilidade de uma ação com bola gerar perigo real ao gol adversário — de Juba nas últimas rodadas coloca-o entre os defensores de maior contribuição ofensiva do campeonato. Em termos simples, cada vez que ele toca na bola no terço final do campo, a chance de aquela posse resultar em gol aumenta mais do que a média dos laterais da Série A. O SportNavo acompanhou esses dados ao longo das rodadas e o padrão é consistente, não pontual.

Do Sport ao Bahia — uma trajetória de reinvenção
Revelado pelo Sport, Juba percorreu um caminho pouco convencional. No Rubro-Negro pernambucano, migrou da lateral para uma função mais adiantada e chegou a figurar entre os jogadores com maior participação em gols durante 2023 — atuando, na prática, como um camisa 10 pelo lado esquerdo. A passagem pelo Confiança ainda em sua formação profissional consolidou o entendimento técnico da posição de origem, mas foi no Sport que ele ganhou liberdade ofensiva.
A chegada ao Bahia representou uma síntese. Rogério Ceni devolveu Juba à lateral-esquerda, mas sem abrir mão da qualidade com a bola nos pés que o diferencia. O resultado foi um jogador que passou a reunir disciplina defensiva e produção ofensiva no mesmo pacote — exatamente o perfil que a Seleção Brasileira historicamente subaproveitou. Segundo relatos de pessoas próximas à comissão técnica, Ancelotti já havia chamado Juba para amistosos anteriores, embora o jogador não tenha entrado em campo nessas oportunidades. A pré-lista de agora representa, portanto, uma confirmação de interesse, não um lampejo.
O que Juba precisa fazer nas próximas semanas
Entre hoje e o dia 18 de maio, quando Ancelotti anunciará os 26 convocados definitivos, Juba precisa manter o ritmo de gols e, principalmente, não sair de campo lesionado. A concorrência na lateral-esquerda é real: outros nomes da posição seguem no radar da comissão técnica, e o critério de corte dos 55 para 26 será implacável. Mas a combinação de versatilidade — ele pode atuar como lateral ou mais avançado no meio — e constância de números coloca o camisa 46 do Bahia em posição favorável.
O Bahia volta a campo pelo Brasileirão nos próximos dias, e cada partida de Juba será observada de perto pela comissão de Ancelotti. A pergunta que fica é concreta e urgente — se o lateral marcar mais uma vez antes do dia 18, Ancelotti conseguirá justificar um corte e deixá-lo fora dos 26 nomes finais?









