Se a temporada europeia 2025/2026 encerrasse neste exato momento, o Manchester United estaria em terceiro lugar na Premier League, classificado para a Champions League e com um treinador de 44 anos que, em janeiro, ainda era tratado como solução temporária. A hipótese não é especulativa — é a realidade que a diretoria dos Red Devils enfrenta agora, e que explica por que as conversas formais com Michael Carrick para a efetivação do cargo devem começar antes mesmo do último jogo da temporada, marcado para 24 de maio contra o Brighton.

A Premier League que Carrick encontrou e a que vai deixar

Quando Ruben Amorim foi demitido no início de janeiro de 2026, o United ocupava o sétimo lugar na tabela. O português havia acumulado oito vitórias, cinco derrotas e sete empates em 20 partidas — números que, para um clube da dimensão histórica de Old Trafford, soavam como fracasso clínico. Carrick assumiu no dia 13 de janeiro, e a diferença entre o United que ele herdou e o que está entregando é da magnitude de quem percorre a distância entre Manaus e Salvador: são mais de 3.500 quilômetros, e no futebol isso se traduz em quatro posições na tabela e uma vaga continental que pode render até 100 milhões de euros ao clube.

Sob seu comando, foram dez vitórias e três empates em 15 jogos — sequência que inclui triunfos sobre Manchester City, Arsenal (2 a 3 no Emirates) e Liverpool. A estreia já deu o tom: 2 a 0 sobre o City num clássico que, de imediato, redefiniu as expectativas sobre o interino. Segundo a Sky Sports, a cúpula do clube ficou impressionada com três pilares do trabalho de Carrick: a gestão do elenco, a postura serena com a imprensa e o profundo entendimento da cultura do clube.

O vestiário fala mais alto que qualquer análise tática

Há um dado que raramente aparece nas tabelas de desempenho, mas que pesa tanto quanto qualquer estatística: a aprovação dentro do vestiário. Amad Diallo, um dos nomes mais promissores do elenco, foi direto ao ponto em entrevista ao Manchester Evening News.

"Ele é o homem certo para o trabalho", disse o atacante marfinense, reforçando que o grupo está feliz com o treinador.

Essa harmonia interna contrasta com o ambiente tenso que Amorim deixou para trás. Na avaliação do SportNavo, o que Carrick fez foi algo raro no futebol moderno: reconstruir um vestiário fraturado sem grandes discursos, apenas com resultados. Sua comissão técnica, que conta com Jonny Evans e Jonathan Woodgate — nomes que o próprio elenco reconhece — seria mantida integralmente caso o contrato seja assinado, um detalhe que reforça o senso de continuidade que a diretoria tanto valoriza.

Carrick versus o mercado — e o fantasma de Iraola

A decisão, contudo, ainda não está completamente fechada. Segundo apuração de Fabrizio Romano, a diretoria continua analisando alternativas, e o nome de Andoni Iraola — que deixará o Bournemouth ao fim da temporada — circula internamente como opção de peso, especialmente pelo seu estilo de jogo ofensivo e pelo pressing alto que imprimiu ao clube da Costa Sul da Inglaterra. O espanhol representa exatamente o perfil de treinador formado na escola do gegenpressing europeu, com DNA tático bem definido.

Mas Carrick tem algo que Iraola não pode oferecer: a história. Volante campeão pela era Ferguson, auxiliar técnico do clube entre 2018 e 2021, e já interino por três partidas na temporada 2020/2021 — ele não precisa aprender o que significa o escudo do Manchester United. Jim Ratcliffe, dono do clube, chegou a desconversar sobre a efetivação quando questionado durante o Grande Prêmio de Fórmula 1 na China, ainda em março.

"Ele está fazendo um trabalho excelente, absolutamente. Mas não vou entrar nesse assunto. Ainda tem um tempo pela frente", disse o empresário britânico à Sky Sports.

Naquele momento, o United ainda tinha sete ou oito jogos pela frente. Agora, com a Champions garantida e apenas dois compromissos restantes — Nottingham Forest em Old Trafford e Brighton fora —, o tempo que Ratcliffe mencionou praticamente acabou.

O que vem depois de 24 de maio

As conversas formais entre o clube e Carrick devem ocorrer antes do encerramento do campeonato, com a reunião posicionada como ponto de partida para o planejamento da temporada 2026/2027 — que já incluirá a volta à Champions League, competição da qual o United esteve ausente na edição atual. O contrato vigente do treinador vai até 30 de junho de 2026, o que cria uma janela curta, mas suficiente, para formalizar um acordo que a cúpula do clube trata como prioridade absoluta.

A pergunta que fica para as próximas semanas é direta: se Iraola aceitar uma proposta concreta de outro clube de ponta antes que Carrick assine, a diretoria do United mantém a fila — ou abre uma guerra de bastidores que pode desestabilizar justamente o que Carrick levou meses para construir?