A última vez que a Colômbia se despediu de sua torcida antes de uma Copa do Mundo sem uma de suas maiores estrelas foi em 2014, quando Radamel Falcão Garcia assistiu ao torneio pela televisão após se machucar. Doze anos depois, a ironia do destino colocou o próprio Falcão como protagonista da despedida — agora como goleador que deu a vitória de 1 a 0 sobre a Costa Rica no Estádio El Campín, em Bogotá, na noite desta segunda-feira (1º). Mas a ausência que dominou o debate antes do apito inicial não foi a de um centroavante lesionado: foi a de James Rodríguez, o meia mais simbólico da geração colombiana, deliberadamente deixado fora da convocação por Néstor Lorenzo.

A despedida que a torcida colombiana precisava ver

O El Campín recebeu um amistoso que, tecnicamente, não decidia nada. A Colômbia já garantiu sua vaga na Copa do Mundo de 2026 ao terminar as Eliminatórias Sul-Americanas na terceira colocação, com 28 pontos. A Costa Rica, eliminada na fase classificatória — terminou em terceiro no seu grupo —, chegou a Bogotá em situação delicada: vinha de uma goleada de 5 a 0 sofrida para o Irã. O contexto, portanto, era de assimetria clara. Ainda assim, o jogo carregava um peso simbólico que vai além do placar: era a última vez que os colombianos veriam sua seleção em casa antes do Mundial nos Estados Unidos.

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O gol de Falcão Garcia, único da partida, condensou essa carga emocional. O centroavante, que em 2014 viu a Copa escapar por uma lesão no joelho e em 2026 retorna ao cenário mundial com a camisa da Colômbia, converteu a única chance necessária para selar o resultado. A vitória magra — 1 a 0, sem o espetáculo que as apostas projetavam — revelou mais sobre as escolhas táticas de Lorenzo do que sobre a qualidade do adversário.

A despedida que a torcida colombiana precisava ver Sem James, Lorenzo monta a Co
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O que a ausência de James Rodríguez diz sobre o projeto de Lorenzo

Há um ditado popular que se encaixa com precisão cirúrgica neste momento da seleção colombiana: quem não tem cão caça com gato. Lorenzo, diante da indisponibilidade ou do afastamento estratégico de James, não recuou — reorganizou. A escalação testada no El Campín priorizou jogadores com maior volume de jogo recente nas ligas europeias, como Luis Díaz, e peças de motor físico, como Richard Ríos e Jefferson Lerma, que segundo a imprensa colombiana foram preservados justamente por terem se apresentado mais tarde à concentração.

A ausência de James não é episódica. Ela integra uma leitura mais ampla que Lorenzo vem construindo desde que assumiu o comando técnico: a Colômbia do Mundial de 2026 será menos dependente de um criativo individualista e mais apoiada em coletivos bem entrosados. Essa aposta tem custos — os resultados recentes não foram animadores. A equipe perdeu para a França por 3 a 1 e para a Croácia por 2 a 1 nos amistosos de março de 2026, sequência que acendeu debates sobre a real competitividade do elenco.

O que os números revelam sobre a Colômbia antes do Mundial

Pode uma seleção chegar à Copa do Mundo como favorita ao segundo turno com apenas uma vitória nos últimos três amistosos?

A pergunta não é retórica vazia — ela estrutura o diagnóstico que Lorenzo precisa responder antes do embarque para os Estados Unidos. O histórico recente mostra uma equipe que venceu a Austrália por 3 a 0 em novembro de 2025, mas sucumbiu a adversários europeus de nível médio-alto. No Grupo K da Copa, a Colômbia enfrentará Portugal, República Democrática do Congo e Uzbequistão — um grupo que exige consistência defensiva e capacidade de transição rápida, justamente as características que Lorenzo tenta calibrar.

A Costa Rica, por sua vez, serve como parâmetro limitado para essa calibragem. A seleção de Fernando Batista, em processo de renovação após a eliminação nas Eliminatórias, não representa o nível de pressão que Portugal imporá. O 1 a 0 desta segunda-feira, portanto, responde pouco sobre a maturidade tática da Colômbia — mas confirma que o grupo tem capacidade de manter resultado sob baixa intensidade competitiva.

O que a ausência de James Rodríguez diz sobre o projeto de Lorenzo Sem James, Lo
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Falcão Garcia, o símbolo que fecha o ciclo

Há algo de narrativa cinematográfica no fato de Falcão Garcia ter marcado o gol da despedida. O atacante que em 2014 viu a Copa do Mundo escapar por lesão, que viveu anos de instabilidade entre Monaco, Manchester United e Galatasaray, agora ocupa um lugar diferente no projeto colombiano — não mais como protagonista absoluto, mas como referência de área que Lorenzo acionou para este amistoso específico. O gol diante da Costa Rica não resolve o debate sobre a titularidade no Mundial, mas recoloca Falcão no mapa afetivo da torcida que lotou o El Campín.

Conforme apurado em matéria do SportNavo, a Colômbia parte para os Estados Unidos com um elenco que ainda carrega interrogações sobre a criação ofensiva — lacuna que James Rodríguez preencheria com naturalidade. A estreia no Grupo K está marcada para a fase inicial do torneio, com Portugal como primeiro adversário de peso. Até lá, Lorenzo terá que responder uma última vez à pergunta que Bogotá fez nesta segunda-feira: o time que venceu a Costa Rica por 1 a 0 é o time que vai enfrentar Cristiano Ronaldo?