Éder Militão passou por cirurgia na terça-feira, dia 28, e está definitivamente fora da Copa do Mundo. A perda é objetivamente grave: o zagueiro de 26 anos era titular do Real Madrid e um dos pilares defensivos de Carlo Ancelotti desde que o técnico italiano assumiu o comando da Seleção Brasileira. Com a convocação final marcada para 18 de maio, no Museu do Amanhã no Rio de Janeiro, o treinador precisa resolver uma equação que vai além de simplesmente substituir um nome por outro.
A dimensão real da perda de Militão
Para entender o peso da ausência, basta olhar para o contexto recente. Militão integrou o grupo que disputou a Copa do Mundo de 2022 no Catar, onde o Brasil chegou às quartas de final antes de ser eliminado pela Croácia nos pênaltis — derrota por 4 a 2 nas cobranças após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e prorrogação. Naquela edição, Tite escalou a dupla de zaga variando entre Marquinhos, Bremer, Éder Militão e Thiago Silva, que dependurou as chuteiras na Seleção. A perda de Militão agora retira da lista um jogador com experiência em grandes jogos europeus pela Champions League, onde o Real Madrid sagrou-se campeão em 2022 e 2024.
Segundo apuração do SportNavo, a comissão técnica de Ancelotti trabalhava com Militão como uma das sete vagas praticamente certas entre os defensores, ao lado de Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bremer, Danilo, Wesley, Alex Sandro e Douglas Santos. Com a cirurgia, abre-se uma das duas vagas remanescentes no esquema que prevê nove defensores na lista de 26 convocados.
Por que Ibañez agradou à comissão técnica
Roger Ibañez, de 26 anos, atualmente no Al-Ahli da Arábia Saudita, ganhou protagonismo após a última Data Fifa. Convocado para os amistosos contra França e Croácia — dois adversários de alto nível técnico —, o zagueiro foi utilizado fora de sua posição natural, atuando pelo lado direito da defesa, justamente a função exercida por Militão no esquema de Ancelotti. A adaptação agradou à comissão técnica, que avaliou positivamente sua capacidade de desempenhar a função de lateral-zagueiro direito em uma linha de quatro.
Segundo o Estadão Esportes, Ibañez está sendo cotado para assumir a vaga deixada por Militão após ter demonstrado versatilidade nos amistosos recentes da Seleção.
Antes de migrar para o futebol saudita, Ibañez construiu currículo europeu relevante: passou pela Roma entre 2020 e 2023, período em que José Mourinho era o treinador e o clube conquistou a Conference League em 2022. Naquele ciclo, o zagueiro brasileiro acumulou mais de 100 partidas pelo clube italiano, consolidando-se como defensor confiável no futebol europeu de alto nível.
O mapa defensivo de Ancelotti para o Mundial
A estratégia de levar nove defensores em uma lista de 26 jogadores é, historicamente, uma opção conservadora e coerente com as práticas recentes das grandes seleções em Copas. Em 2022, o Brasil de Tite convocou oito defensores, sendo quatro zagueiros centrais e quatro laterais. Em 2018, na Rússia, o número também foi de oito, com Thiago Silva, Miranda, Marquinhos e Pedro Geromel como zagueiros centrais.
Para 2026, com a estreia marcada para 13 de junho contra Marrocos, no MetLife Stadium em Nova York, Ancelotti parece querer ampliar essa margem de segurança. O Grupo C do Brasil reúne Marrocos — semifinalista da Copa de 2022, onde eliminou Portugal por 1 a 0 nas quartas —, Haiti e Escócia. Uma defesa sólida é condição básica para que o Brasil passe da fase de grupos sem sustos.
Entre os nomes praticamente confirmados, Marquinhos acumula quatro Copas do Mundo pela Seleção (2014, 2018, 2022 e agora 2026), tornando-se o defensor mais experiente do grupo. Gabriel Magalhães, do Arsenal, viveu sua melhor temporada europeia em 2024-2025, sendo titular absoluto em um time que disputou as fases finais da Champions League. Bremer, por sua vez, retorna de uma longa recuperação de lesão no joelho sofrida em outubro de 2024 pela Juventus, o que torna sua presença condicionada à evolução física até maio.
Os candidatos à segunda vaga em aberto
Com Ibañez como favorito a uma das vagas, a segunda posição ainda está em disputa. A análise do SportNavo aponta que Ancelotti pode buscar um defensor com perfil diferente — um zagueiro central mais tradicional — para equilibrar o setor. Nomes como Luan, do Corinthians, e Lucas Beraldo, do PSG, foram especulados em convocações anteriores, mas a falta de regularidade em 2025 fragiliza suas candidaturas.
Nas palavras da comissão técnica, segundo o Estadão Esportes, a versatilidade de Ibañez para atuar no lado direito da defesa foi o fator determinante para sua inclusão nas cogitações para a vaga de Militão.
A convocação definitiva de Ancelotti será divulgada no dia 18 de maio, às 17h (horário de Brasília), no Museu do Amanhã. A partir daí, o Brasil terá até 13 de junho — data da estreia contra Marrocos no MetLife Stadium — para trabalhar a organização defensiva que definirá se a Seleção chega às fases eliminatórias com a solidez que uma campanha de título exige.









