Setecentos dias fora dos gramados. Esse é o legado físico de Éder Militão desde a Copa do Mundo do Catar, um ciclo inteiro consumido por rupturas, cirurgias e recuperações que agora culminam na provável ausência do zagueiro do Real Madrid na Copa de 2026. A nova lesão, sofrida no jogo contra o Alavés no início de maio, aponta para mais uma ruptura do bíceps femoral — segundo a imprensa espanhola, a mesma estrutura que já o tirou por quatro meses em dezembro de 2024. Se confirmada a cirurgia, Militão só voltaria em agosto, quando o torneio já terá encerrado sua fase de grupos.

Um currículo de lesões que pesa mais do que qualquer estatística

A cronologia de contusões de Militão é brutal: ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em 2023, ruptura do LCA do joelho direito em 2024 e, agora, o bíceps femoral pela segunda vez em menos de seis meses. No total, sete lesões em três anos e meio, o equivalente a duas temporadas completas perdidas. O paradoxo cruel é que, nas 11 partidas em que conseguiu atuar pela Seleção após o Catar, o zagueiro apresentou 91% de acerto nos passes, venceu dois terços dos duelos individuais e teve 70% de aproveitamento nas disputas aéreas, conforme dados do Sofascore. Esses números colocam Militão entre os zagueiros mais eficientes do planeta quando está em campo — o problema é justamente esse: raramente está.

Carlo Ancelotti, que convive com Militão no Real Madrid há anos e apostava no jogador para atuar tanto na zaga quanto na lateral-direita — posição que o defensor ocupou na vitória por 2 a 0 sobre Senegal em novembro de 2024 —, anunciará a lista dos 26 convocados no dia 18 de maio, em evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A ausência de Militão transforma a convocação em um exercício de gestão de crise, não de planejamento ideal.

Os candidatos a preencher o vazio ao lado de Marquinhos

Com Marquinhos como titular indiscutível, a briga pela segunda vaga na zaga central envolve quatro nomes com perfis bastante distintos. A análise do SportNavo mostra que nenhum deles reúne, isoladamente, a combinação de experiência europeia, versatilidade tática e regularidade física que Militão oferecia nos seus bons momentos.

  • Bremer — O zagueiro da Juventus passou boa parte da temporada europeia 2024/25 lidando com uma lesão grave no joelho, o que gera dúvidas legítimas sobre seu timing de recuperação. Quando saudável, é o perfil técnico mais próximo de Militão: agressivo no um contra um, dominante nas bolas aéreas e com leitura tática apurada.
  • Gabriel Magalhães — Titular absoluto no Arsenal de Mikel Arteta, Gabriel viveu uma das melhores temporadas da carreira, com regularidade de alto nível na Premier League. Sua comunicação com Marquinhos, ambos destros e com saída de bola similar, é um ponto de atenção tático, mas a sequência de jogos disputados em 2025 fala por ele.
  • Lucas Veríssimo — O zagueiro do Benfica tem sido uma das revelações positivas do futebol português na temporada, mas ainda carrega a pecha de nunca ter disputado uma Copa do Mundo e de ter histórico intermitente na Seleção.
  • Ibañez — Atuando no Al-Ahli, o zagueiro mantém nível técnico compatível, embora o ritmo da liga saudita seja questionado por analistas quando comparado ao futebol europeu de ponta.

O que Ancelotti precisa decidir antes do dia 18

A questão não é apenas escolher um zagueiro, mas definir se o substituto terá função exclusiva de defensor central ou se precisará cobrir a lateral-direita — lacuna que Militão tapava com naturalidade. Segundo a imprensa espanhola que acompanha o técnico italiano, Ancelotti também avalia o estado físico de Bremer com atenção especial nas últimas semanas antes do anúncio.

"Militão ainda passará por novo exame de imagem", noticiou a imprensa espanhola, indicando que o diagnóstico definitivo pode mudar o planejamento da comissão técnica nas 72 horas anteriores à convocação.

A Copa do Mundo de 2026 começa em 11 de junho, com México e África do Sul abrindo o torneio no Estádio Azteca, na Cidade do México, às 16h (horário de Brasília). O Brasil jogará em território norte-americano com pelo menos duas ausências já confirmadas — Rodrygo e Vanderson — e a iminente perda de Militão tornando o elenco definitivamente diferente do que Ancelotti planejou. Entre Gabriel Magalhães, Bremer, Veríssimo e Ibañez, o técnico terá exatamente três semanas para tomar uma das decisões mais consequentes de sua passagem pela Seleção — e o anúncio no dia 18 de maio colocará um nome ao lado de Marquinhos que carregará o peso de substituir um jogador que, quando saudável, era insubstituível.