As imagens do circuito interno da Neo Química Arena revelaram que a confusão no último Dérbi Paulista começou no Setor Norte, tradicionalmente ocupado pela torcida mais fanática do Corinthians. O clube encaminhou na quarta-feira (15) todo o material para a Polícia Civil, que investiga os episódios de violência que mancharam o clássico contra o Palmeiras.

A reconstituição dos fatos, baseada nas câmeras de segurança, mostra que os primeiros focos de tumulto surgiram por volta dos 38 minutos do segundo tempo, quando palmeirenses isolados foram identificados em meio à massa corintiana. Historicamente, episódios similares já haviam ocorrido no mesmo local durante o confronto de 1999, quando uma briga entre organizadas deixou 15 feridos no antigo Parque São Jorge.

Provocação mútua alimentou a violência

Segundo apuração do SportNavo, testemunhas relataram que torcedores do Palmeiras fizeram gestos provocativos após o gol de empate aos 35 minutos, desencadeando a reação imediata dos corintianos. O setor Norte, com capacidade para 8.200 pessoas, registrou ocupação de 96% na partida, criando um ambiente de pressão que favoreceu a escalada da violência.

A Polícia Militar destacou 450 agentes para o clássico, número 12% superior ao protocolo padrão de 402 efetivos. Mesmo assim, os distúrbios se espalharam por três setores adjacentes antes que o controle fosse restabelecido. Em comparação, o Dérbi de 2019, que também registrou confusão, envolveu apenas dois setores e resultou em 23 detidos.

Histórico de rivalidade marca confrontos na arena

Desde a inauguração da Neo Química Arena em 2014, este foi o quinto episódio grave de violência durante um Dérbi. O mais emblemático ocorreu em 2018, quando fogos de artifício lançados da arquibancada atingiram o gramado e interromperam a partida por 12 minutos. Na ocasião, o Corinthians foi multado em R$ 180 mil pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

Os números revelam a intensidade da rivalidade: em 25 confrontos na arena corintiana, foram registrados 847 cartões amarelos e 31 expulsões, média de 33,9 cartões por jogo - índice 67% superior aos demais clássicos paulistas. O retrospecto mostra equilíbrio, com 11 vitórias do Corinthians, 8 do Palmeiras e 6 empates.

"Não podemos aceitar que episódios isolados manchem a grandeza do futebol paulista", declarou o presidente corintiano em nota oficial divulgada após o incidente.

Medidas preventivas em discussão

A direção corintiana estuda implementar detectores de metal adicionais no acesso ao Setor Norte, seguindo modelo já adotado pelo Palmeiras no Allianz Parque desde 2020. A tecnologia de reconhecimento facial, testada em caráter experimental durante três jogos em 2023, também pode ser ampliada para identificar torcedores com histórico de violência.

Conforme levantamento do SportNavo, estádios europeus como Old Trafford e Anfield utilizam sistemas integrados que cruzam dados policiais com imagens em tempo real, reduzindo em 73% os incidentes violentos. O investimento necessário para modernização completa do sistema de segurança da Neo Química Arena está orçado em R$ 4,2 milhões.

A investigação policial deve ser concluída em 30 dias, prazo que pode determinar punições administrativas do Ministério Público. O próximo Dérbi está marcado para 23 de junho, no Allianz Parque, válido pelo Campeonato Brasileiro, quando novas medidas de segurança serão testadas pelos dois clubes.