A venda de Bruninho ao Shakhtar Donetsk por €12 milhões fixos mais €3 milhões em bônus reacende o debate sobre o modelo de negócios do clube ucraniano com jovens brasileiros. Aos 17 anos, o atacante do Athletico-PR se torna mais um na extensa lista de talentos nacionais que escolheram Kiev como trampolim para o futebol europeu, mesmo diante do conflito militar que assola o país desde 2022.

A negociação, que será efetivada apenas em agosto de 2026 quando Bruninho completar 18 anos, demonstra a confiança do Shakhtar em manter sua tradicional estratégia de desenvolvimento e revenda. O contrato de três temporadas representa um investimento significativo em um jogador que soma apenas 16 partidas no profissional, com quatro gols marcados entre Brasileirão e Paranaense.

O modelo ucraniano de desenvolvimento

Segundo apuração do SportNavo, o Shakhtar mantém ativos pelo menos 12 scouts permanentes no Brasil, concentrados nas regiões Sul e Sudeste. A estrutura permite ao clube monitorar jovens talentos desde os 15 anos, oferecendo contratos de formação que competem diretamente com gigantes europeus. O diferencial está na garantia de minutagem e desenvolvimento técnico em um campeonato que, apesar das adversidades, mantém padrão competitivo elevado.

O histórico recente comprova a eficiência do sistema. Dodô, vendido ao Bayern de Munique por €20 milhões em 2022, Mudryk, negociado com o Chelsea por €100 milhões em janeiro de 2023, e Marcos Antônio, transferido para a Roma por €8 milhões, representam apenas a ponta do iceberg de uma operação que movimentou mais de €200 milhões nos últimos cinco anos exclusivamente com brasileiros.

A estrutura do clube prevê acomodação em centro de treinamento próprio, aulas de inglês e ucraniano, além de suporte psicológico especializado para adaptação cultural. O pacote inclui ainda salários que variam entre €800 mil e €1,5 milhão anuais para jovens promessas, valores superiores aos oferecidos por clubes brasileiros da Série A.

Guerra não afeta planejamento esportivo

Mesmo com os jogos sendo disputados em território neutro desde fevereiro de 2022, o Shakhtar mantém funcionários em Kiev e preserva suas categorias de base. O clube transferiu temporariamente suas operações para a Polônia, mas mantém a estrutura administrativa e os investimentos em contratações. A receita anual de €45 milhões, sustentada principalmente por vendas de atletas, permite essa continuidade operacional.

A escolha de Bruninho pelo projeto ucraniano, mesmo com interesse de clubes das principais ligas europeias, reflete a solidez da proposta esportiva. O atacante, que estreou pela Seleção sub-20 em março com dois gols e uma assistência, priorizou a garantia de desenvolvimento técnico sobre o status de grandes centros europeus.

O modelo ucraniano de desenvolvimento Shakhtar Donetsk aposta €15 milhões em B
O modelo ucraniano de desenvolvimento Shakhtar Donetsk aposta €15 milhões em B

Concorrência com portões tradicionais

O modelo do Shakhtar compete diretamente com outros 'portões de entrada' tradicionais para brasileiros na Europa. O Porto, que revelou nomes como Hulk, Danilo e Éder Militão, oferece salários similares mas com menor garantia de minutagem. Ajax e PSV, da Holanda, mantêm estruturas comparáveis, porém com limitações financeiras maiores desde a perda de protagonismo no cenário europeu.

A Liga Portuguesa, considerada por anos a principal vitrine para sul-americanos, enfrenta concorrência crescente do modelo ucraniano. Clubes como Benfica e Sporting precisam competir não apenas em valores financeiros, mas também em projetos de desenvolvimento personalizado. O Shakhtar oferece acompanhamento individual desde a chegada, com planos de carreira estruturados em períodos de dois a quatro anos.

Bruninho deve desfalcar o Athletico no confronto contra o Palmeiras neste domingo pela 12ª rodada do Brasileirão, devido à viagem relacionada ao acerto com o clube ucraniano. O atacante permanecerá no Furacão até agosto de 2026, quando se transferirá oficialmente para iniciar sua jornada europeia em um dos projetos mais bem estruturados para jovens brasileiros no exterior.