Treze temporadas, dois títulos de La Liga, uma Liga Europa e cinco finais de Champions League perdidas. Os números da era Diego Simeone no Atlético de Madrid impressionam pela longevidade e consistência, mas escondem um dado preocupante: o clube não conquista a Copa del Rey desde 2013, antes mesmo da chegada do técnico argentino. No próximo sábado, às 16h, no estádio La Cartuja, em Sevilha, o Cholo terá a chance de quebrar esse jejum de 12 anos contra a Real Sociedad.

O peso da última década sem a Copa

O Atlético de Madrid figura como quarto maior campeão da Copa del Rey na história, com 10 títulos, atrás apenas de Barcelona (32), Athletic Bilbao (24) e Real Madrid (20). No entanto, a última conquista data da temporada 2012/13, quando o clube ainda era comandado por Diego Simeone em seus primeiros meses no cargo. Desde então, os Colchoneros chegaram a mais quatro finais do torneio - 2014, 2015, 2017 e 2021 -, sempre saindo derrotados.

A campanha atual representa uma reviravolta significativa. Segundo apuração do SportNavo, o Atlético eliminou de forma convincente Atlético Baleares, Deportivo La Coruña e Real Betis antes de protagonizar uma das maiores zebras da semifinal. Contra o Barcelona, aplicou 4 a 0 no jogo de ida e garantiu classificação mesmo com a derrota por 3 a 0 na volta, demonstrando a maturidade tática que Simeone imprimiu ao time ao longo dos anos.

Do outro lado, a Real Sociedad busca seu terceiro título na competição, sendo o mais recente conquistado em 2020. Os Txuri-urdin superaram Eldense, Osasuna nos pênaltis, Alavés e Athletic Bilbao nas semifinais, com duas vitórias por 1 a 0, mostrando solidez defensiva característica dos times bascos.

Simeone e o dilema dos grandes títulos

Aos 55 anos, Diego Simeone vive o maior período de questionamento desde sua chegada ao Wanda Metropolitano em dezembro de 2011. Apesar de ter revolucionado o clube e transformado o Atlético em protagonista europeu, o técnico enfrenta críticas pela falta de títulos de peso nos últimos anos. O último troféu importante foi a La Liga de 2020/21, conquistada de forma heroica na última rodada.

As cinco finais de Champions League perdidas (2014, 2016, 2017, 2018 e 2024) pesam no currículo do argentino, especialmente as duas contra o Real Madrid (2014 e 2016), quando o clube esteve a poucos minutos de quebrar um tabu histórico. A Copa del Rey surge, portanto, como uma oportunidade de ouro para Simeone reafirmar sua relevância e silenciar críticos que questionam se seu ciclo no clube chegou ao fim.

Estatisticamente, o aproveitamento do Cholo em finais de Copa del Rey é preocupante: apenas uma vitória em cinco disputas desde 2013. A análise do SportNavo mostra que o técnico precisa superar esse obstáculo psicológico para manter sua credibilidade junto à diretoria e torcida atleticana.

O contexto europeu e a pressão por resultados

A temporada 2024/25 tem sido irregular para o Atlético de Madrid. Na Champions League, o time ocupa posição intermediária e luta para garantir classificação direta às oitavas de final, enquanto na La Liga figura na quarta colocação, distante do Real Madrid líder. Nesse cenário, a Copa del Rey representa a oportunidade mais concreta de conquistar um título e justificar os altos investimentos realizados pelo clube nos últimos anos.

O peso da última década sem a Copa Simeone precisa da Copa del Rey para sal
O peso da última década sem a Copa Simeone precisa da Copa del Rey para sal

A chegada de reforços como Julián Álvarez, por 75 milhões de euros, e a renovação de contratos de jogadores-chave demonstram a confiança da diretoria no projeto Simeone. No entanto, a pressão por resultados imediatos é evidente, especialmente considerando que o técnico possui um dos maiores salários do futebol mundial.

A final contra a Real Sociedad será disputada em campo neutro, eliminando a vantagem do fator casa que tanto beneficiou o Atlético em momentos decisivos da era Simeone. O duelo promete ser equilibrado, com duas equipes conhecidas pela organização tática e eficiência defensiva.

Legado em jogo no La Cartuja

Uma eventual conquista da Copa del Rey não apenas encerraria o jejum de 12 anos do clube no torneio, mas também recolocaria Simeone entre os técnicos mais vitoriosos da história atleticana. Com 11 títulos pelo clube - incluindo duas La Ligas, uma Liga Europa, duas Supercopas da Europa e cinco Supercopas da Espanha -, o argentino já é considerado lenda, mas precisa de troféus recentes para manter sua posição.

Por outro lado, uma nova derrota em final pode acelerar discussões sobre mudanças no comando técnico, especialmente se a temporada terminar sem classificação para a próxima Champions League. A pressão é dupla: vencer para quebrar o tabu e confirmar que ainda possui capacidade de liderar o Atlético em momentos decisivos.

O confronto será transmitido pela ESPN 4 e Disney+ no Brasil, a partir das 16h deste sábado. Para Simeone e o Atlético de Madrid, mais do que um título está em jogo no La Cartuja - é a chance de reescrever uma história recente marcada por oportunidades perdidas e reafirmar um legado que precisa de vitórias para se perpetuar.