Oito jogadores que viveram a amarga eliminação nas penalidades contra a Croácia, em dezembro de 2022, permanecem no atual elenco da Seleção Brasileira. Com o pior ciclo pré-Copa da história, estes remanescentes enfrentam a pressão de se redimir enquanto lutam por suas vagas no plantel definitivo.
Dos 26 convocados para o Qatar, apenas Alisson, Casemiro, Marquinhos, Danilo, Vinícius Jr., Rodrygo, Raphinha e Lucas Paquetá seguem sendo chamados regularmente. O número representa uma renovação significativa, mas ainda insuficiente para alguns especialistas que defendem mudanças mais radicais.
Goleiros e defensores sob análise
Alisson mantém a titularidade absoluta, com 87% de aproveitamento em 23 jogos disputados no ciclo atual. O arqueiro do Liverpool registra apenas 18 gols sofridos em 2070 minutos, números que consolidam sua posição como primeiro goleiro indiscutível.
Na zaga, Marquinhos acumula 2.340 minutos em 26 partidas, sendo o jogador de linha com mais regularidade entre os sobreviventes. O capitão do PSG converteu-se no líder técnico da defesa, compensando a instabilidade nas laterais com sua experiência e leitura de jogo.
Danilo representa o maior dilema entre os defensores remanescentes. Aos 33 anos, o lateral da Juventus perdeu sequência na temporada europeia, disputando apenas 1.890 minutos em 28 jogos pelo clube italiano. Sua versatilidade ainda pesa favoravelmente, mas a idade e o declínio físico colocam sua vaga em xeque.
Meio-campo dividido entre experiência e declínio
Casemiro atravessa a fase mais contestada da carreira. No Manchester United, o volante registra números preocupantes: 67% de acerto nos passes na Premier League 2024-25, ante os 84% históricos no Real Madrid. Foram 14 jogos como titular, intercalados com períodos no banco, evidenciando a perda de confiança do técnico Erik ten Hag.
"A experiência dele é fundamental, mas precisa recuperar o nível físico para competir no mais alto nível", avaliou o preparador físico da CBF em entrevista recente.
Lucas Paquetá, por outro lado, mantém regularidade no West Ham com 2.240 minutos em 25 jogos na temporada inglesa. O meia-atacante produziu seis assistências e quatro gols, números que sustentam sua permanência no meio-campo brasileiro, apesar das investigações sobre apostas esportivas.
Ataque precisa justificar confiança
Vinícius Jr. lidera estatisticamente os sobreviventes com 21 gols e 11 assistências em 43 jogos pelo Real Madrid na temporada 2024-25. O atacante consolidou-se como principal referência ofensiva da Seleção, acumulando 1.980 minutos em 22 convocações no ciclo atual.
Rodrygo complementa o setor com números consistentes: 15 gols em 45 partidas pelo clube merengue. Sua versatilidade tática, atuando tanto pelas pontas quanto centralizado, oferece opções estratégicas valiosas para diferentes sistemas de jogo.
Raphinha representa o caso mais delicado entre os atacantes remanescentes. No Barcelona, o brasileiro registra apenas oito gols em 2.100 minutos disputados, números considerados insuficientes para um jogador de sua posição e investimento. A concorrência com Lamine Yamal limitou seu protagonismo no clube catalão.
"Raphinha precisa mostrar mais consistência. Os números não mentem e, neste nível, cada vaga é disputada", comentou um membro da comissão técnica em conversa reservada.
Renovação necessária mas cautelosa
A análise dos números revela que cinco dos oito sobreviventes mantêm desempenho aceitável para seus clubes: Alisson, Marquinhos, Vinícius Jr., Rodrygo e Paquetá. Casemiro, Danilo e Raphinha enfrentam questionamentos legítimos sobre suas contribuições técnicas e físicas.
O dilema da comissão técnica envolve equilibrar a experiência em Copas do Mundo com a necessidade de injetar sangue novo no elenco. Jogadores como Savinho, Estêvão e João Pedro representam alternativas promissoras, mas carecem da vivência em competições de alto nível internacional.
A decisão final sobre os cortes acontecerá após os últimos amistosos de preparação, marcados para março de 2026. Até lá, os sobreviventes de 2022 têm três meses para provar que merecem uma segunda chance de conquistar o título mundial que escapou no Qatar.

