A diferença brutal de 88 km/h entre Franco Colapinto e Oliver Bearman na 22ª volta do GP do Japão ilustrou perfeitamente o maior dilema técnico da Fórmula 1 em 2026. Quando o argentino desacelerou abruptamente de 262 km/h para 174 km/h na curva 13 devido ao 'super clipping', o britânico precisou desviar drasticamente, saindo da pista e batendo forte no muro de Suzuka.

O mecanismo que mudou as corridas

O super clipping representa a mudança mais radical no regulamento técnico da categoria em uma década. O sistema força a unidade de potência a priorizar a recarga da bateria mesmo com o acelerador pressionado no final das retas, causando uma queda brusca na aceleração. A telemetria oficial registrou variações de velocidade superiores a 50 km/h entre carros em pontos idênticos do circuito.

O mecanismo que mudou as corridas Super clipping revoluciona F1 e divide o
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Max Verstappen, que terminou apenas em oitavo no Japão após ser eliminado na Q2, não poupou críticas ao novo sistema.

"É realmente antipilotagem. Você pode olhar isso e fazer muito dinheiro, mas no fim das contas isso não é mais sobre dinheiro, porque essa sempre foi minha paixão"
, declarou o tetracampeão, que cogita abandonar a F1 no final de 2026.

Estratégias completamente reformuladas Super clipping revoluciona F1 e divide o
Estratégias completamente reformuladas Super clipping revoluciona F1 e divide o

Estratégias completamente reformuladas

As equipes precisaram repensar completamente suas abordagens táticas. Segundo análise do SportNavo, circuitos com retas longas como Spa-Francorchamps, Monza e Las Vegas se tornaram ainda mais desafiadores para o gerenciamento energético. O efeito se intensifica quando pilotos tentam ser agressivos demais em determinados setores da pista.

Charles Leclerc expressou sua frustração via rádio da Ferrari durante a classificação em Suzuka:

"Eu honestamente não suporto o regulamento das classificações. É uma piada. Vou rápido nas curvas, acelero mais cedo e perco tudo nas retas"
. O monegasco, que largou em quarto, ficou mais de meio segundo atrás da pole position de Kimi Antonelli.

Impacto direto no espetáculo

O sistema alterou drasticamente a dinâmica das ultrapassagens. Pilotos relatam situações semelhantes a "voltas de aquecimento versus voltas rápidas" no meio da corrida, criando cenários perigosos. Oliver Bearman, após o acidente que o tirou da prova no Japão, comentou:

"Houve um excesso de velocidade enorme - cerca de 50 km/h -, o que faz parte dessas novas regras, e precisamos nos acostumar com isso"
.

Franco Colapinto, envolvido no incidente, admitiu os riscos:

"É quase como se você estivesse na volta de aquecimento e outro piloto estivesse em volta rápida"
. A FIA registrou que diferenças de ritmo superiores a 80 km/h se tornaram comuns em determinados trechos dos circuitos.

Mercedes domina adaptação técnica

Enquanto pilotos reclamam, algumas equipes conseguiram tirar proveito melhor do novo regulamento. A Mercedes conquistou vitórias consecutivas na Austrália com George Russell e na China com Kimi Antonelli, demonstrando superioridade no gerenciamento energético. Antonelli, aos 19 anos, se tornou o mais jovem líder do campeonato na história da categoria com 72 pontos.

A Red Bull, dominante nas temporadas anteriores, enfrenta dificuldades de adaptação. Verstappen acumula apenas 12 pontos em três corridas, com o oitavo lugar no Japão sendo seu melhor resultado de 2026. Isack Hadjar, seu companheiro de equipe, conseguiu se classificar melhor que o tetracampeão em Suzuka.

O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Audi, mantém performance consistente com 2 pontos conquistados, terminando em 13º no Japão. A próxima oportunidade para os pilotos testarem as adaptações será apenas em 3 de maio, no GP de Miami, devido ao cancelamento das etapas do Bahrein e Arábia Saudita por conflitos no Oriente Médio.