A suspensão de Jorge Carrascal por quatro jogos consecutivos representa um prejuízo direto de R$ 2,5 milhões aos cofres do Flamengo. O colombiano, que recebe salário estimado em R$ 600 mil mensais, ficará inativo durante um mês inteiro, custando ao clube cerca de R$ 150 mil por partida perdida em vencimentos fixos, sem contar bonificações por vitórias e participações em campo.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aplicou dois jogos de suspensão adicional ao meio-campista pela expulsão no clássico contra o Fluminense, quando cometeu entrada violenta em Guga aos 12 minutos do segundo tempo. Somada à punição automática pelo vermelho e à suspensão pendente da Supercopa do Brasil contra o Corinthians, Carrascal será desfalque nas partidas contra Bahia, Vitória, Atlético-MG e Vasco.
Cálculo detalhado do prejuízo financeiro
Segundo levantamento do SportNavo, o custo vai além dos salários diretos. O contrato de Carrascal inclui bonificações por vitórias (R$ 25 mil cada) e por participação efetiva (R$ 15 mil por jogo titular), valores que o jogador deixará de receber mas que representam economia apenas parcial para o clube. O verdadeiro impacto está na impossibilidade de usar um ativo de R$ 18 milhões - valor pago ao River Plate em 2023 - durante período crucial da temporada.
A situação se agrava quando consideramos que o Flamengo disputa simultaneamente Brasileirão e Copa do Brasil, competições que podem render até R$ 80 milhões em premiações. Cada ponto perdido por desfalques custará caro na classificação final, especialmente em um campeonato onde a diferença entre 2º e 5º lugar é de apenas dois pontos - exatamente a posição atual do time no Brasileirão com 20 pontos em 11 jogos.
"O atleta assumiu o risco ao pular com chuteira levantada e força excessiva", declarou o relator do caso no STJD, conforme apuração do UOL.
Histórico disciplinar preocupante gera questionamentos internos
Esta é a terceira suspensão de Carrascal em oito meses de Flamengo. O colombiano já havia perdido dois jogos na Supercopa, um jogo por amarelos acumulados no Carioca e agora enfrentará a maior punição desde sua chegada. Em 25 partidas nesta temporada, acumula 8 cartões amarelos e 2 expulsões, números que colocam em xeque o investimento de R$ 18 milhões feito em sua contratação.
O departamento financeiro do clube calcula que suspensões disciplinares custaram R$ 4,2 milhões ao Flamengo apenas em 2024, considerando salários pagos a jogadores impedidos de atuar. Carrascal responde sozinho por 60% deste valor, percentual que evidencia a necessidade de revisão comportamental ou mesmo renegociação contratual com cláusulas punitivas por indisciplina.
Comparativo com outros clubes e gestão de riscos
Clubes como Palmeiras e São Paulo adotaram cláusulas contratuais que descontam percentuais do salário em caso de suspensões por conduta antidesportiva. O Palmeiras, por exemplo, desconta 15% dos vencimentos mensais de jogadores suspensos por mais de dois jogos por indisciplina, política que economizou R$ 1,8 milhão ao clube paulista desde 2022.

O Atlético-MG implementou sistema de multas progressivas: primeira suspensão disciplinar não gera desconto, a segunda reduz 10% do salário mensal, e partir da terceira, o desconto sobe para 25%. Já o Internacional incluiu cláusulas de rescisão facilitada para jogadores com mais de três suspensões disciplinares por temporada, mecanismo que pode servir de modelo para outros clubes.
O Flamengo enfrenta o Bahia neste domingo, às 19h30, no Maracanã, pela 12ª rodada do Brasileirão, já sem poder contar com seu meio-campista de R$ 18 milhões, que só retornará aos gramados no confronto contra o Internacional, em 2 de maio, após cumprir integralmente sua punição mais severa desde a chegada ao clube carioca.

