Falhou. O tornozelo direito de Lucas Moura cedeu aos 20 minutos de sua volta ao campo, na noite deste domingo (3), e transformou o empate em 2 a 2 do São Paulo contra o Bahia — pela 14ª rodada do Brasileirão, no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista — em pano de fundo para uma crise médica e contratual de proporções graves.

Exames de imagem realizados no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, confirmaram a ruptura total do tendão calcâneo. A cirurgia está marcada para esta segunda-feira (4). A recuperação padrão para esse tipo de lesão leva entre 9 e 12 meses, o que praticamente elimina qualquer chance de Lucas Moura atuar novamente em 2026.

Quem se beneficia diretamente

Roger Machado ganha, paradoxalmente, uma variável a menos para gerenciar. Com Lucas Moura fora da equação, o treinador pode consolidar um esquema fixo sem a pressão de reintegrar um jogador de alto salário que ainda não havia recuperado ritmo de jogo. Cauly, que estava sendo substituído quando o camisa 7 entrou, retoma posição garantida no setor ofensivo.

Do ponto de vista financeiro, o São Paulo também libera espaço na folha para movimentações no mercado — o clube paga a Lucas Moura um dos maiores salários do elenco, estimado em torno de R$ 1,2 milhão mensais, valor que continuará sendo desembolsado durante a recuperação, conforme cláusulas padrão de contratos de atletas lesionados no Brasil.

Quem perde

Lucas Moura perde, antes de tudo, o contrato. O vínculo com o São Paulo termina em dezembro de 2026. A diretoria tricolor já havia iniciado contato para discutir renovação, mas o próprio jogador optou por aguardar a pausa da Copa do Mundo para negociar — uma janela que agora se fecha com ele internado.

Negociar um novo contrato com 33 anos, vindo de fratura nas costelas sofrida em 18 de março contra o Atlético-MG e agora de uma ruptura de Aquiles, coloca Lucas em posição fragilíssima. Lesões no tendão calcâneo costumam reduzir drasticamente o valor de mercado: o Transfermarkt avaliava o atleta em €1,5 milhão antes desta temporada, número que deve cair substancialmente após o diagnóstico.

O São Paulo perde seu jogador de maior apelo comercial e simbólico. A camisa 7 de Lucas Moura está entre as mais vendidas do clube, e sua ausência impacta receitas de licenciamento. O time também terminou a partida com dez jogadores após o técnico Roger Machado já ter esgotado as três substituições — o que contribuiu diretamente para o empate sofrido nos acréscimos.

O efeito dominó nas próximas semanas

A lesão de Lucas Moura se soma a um departamento médico já sobrecarregado. O zagueiro Alan Franco atuou com dor no adutor direito contra o Bahia e deve desfalcar o São Paulo na próxima rodada da CONMEBOL Sul-Americana. O lateral-direito Lucas Ramon também figura na lista de baixas do clube neste momento.

Conforme levantamento do SportNavo, o São Paulo acumula pelo menos três atletas titulares fora de combate simultaneamente pela segunda vez em menos de dois meses na temporada 2026 — o que pressiona a diretoria a buscar reforços na janela de transferências de julho, especialmente para o setor ofensivo.

Quem se beneficia diretamente Tendão rompido empurra Lucas Moura para
Quem se beneficia diretamente Tendão rompido empurra Lucas Moura para

A lesão em disputa com Erick Pulga — jogada que lembrou um galho se curvando até o limite antes de partir, sem barulho, sem aviso — ocorreu aos 37 minutos do segundo tempo. Lucas entrou aos 17 minutos da etapa final, substituindo exatamente Cauly. Vinte minutos de campo. Quarenta e cinco dias de espera pela volta após as costelas. Agora, pelo menos doze meses de reabilitação.

O quadro geral que se desenha

A cirurgia desta segunda-feira (4) é o primeiro passo de um processo que, na melhor das hipóteses, devolve Lucas Moura aos gramados no segundo trimestre de 2027. Nesse cenário, o atleta estaria operando sem contrato vigente — o vínculo com o São Paulo expira em dezembro de 2026 — e dependeria de uma renovação negociada durante a recuperação.

A análise do SportNavo aponta que o São Paulo tem duas opções concretas: oferecer um contrato de reabilitação com salário reduzido e cláusula de ativação ao retorno, modelo adotado por clubes europeus em casos similares; ou encerrar o vínculo em dezembro e aguardar o estado físico do jogador antes de qualquer proposta. A segunda opção expõe o clube ao risco de perder o atleta de graça para um concorrente.

Lucas Moura retorna ao São Paulo em 2022 após passagem pelo Tottenham, onde marcou o hat-trick histórico contra o Ajax na semifinal da Champions League de 2019. Desde então, disputou 98 partidas pelo clube, com 18 gols e 14 assistências — números que ficam suspensos, indefinidamente, a partir desta segunda-feira.

O São Paulo joga pela Sul-Americana ainda esta semana. Com Alan Franco em dúvida e o camisa 7 no centro cirúrgico, Roger Machado terá de escalar um time remontado.