Todo mundo sabe que Lionel Messi comprou o Cornellà. O que poucos anteciparam é que a peça mais ambiciosa do seu novo projeto não está no futebol masculino — está no feminino. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (15) pela Catalunya Ràdio, o camisa 10 do Inter Miami já iniciou a montagem de uma equipe feminina profissional do zero, com estreia prevista para a temporada 2026/27 na Segunda Catalana, equivalente à sétima divisão do futebol feminino espanhol.

O diagnóstico de um clube que Messi quer reinventar pelo futebol feminino

O Cornellà, localizado na região metropolitana de Barcelona, já possui uma equipe feminina vinculada à sua fundação, que atualmente disputa a Tercera RFEF — a terceira divisão regional. O novo projeto de Messi, no entanto, funcionará de forma separada dessa estrutura existente, com identidade própria, orçamento independente e foco específico na captação de jovens atletas catalãs. A distinção não é meramente administrativa: ela sinaliza que o argentino não quer reformar, quer construir.

Pessoas ligadas ao projeto afirmam que Messi participa ativamente das decisões mesmo à distância, realizando reuniões frequentes por videoconferência com dirigentes do clube e representantes da prefeitura de Cornellà. A compra do clube foi oficializada há cerca de um mês, e o ritmo das decisões estratégicas já surpreendeu o ambiente esportivo catalão.

Segundo fontes próximas ao projeto, o objetivo de Messi é criar uma equipe feminina profissional do zero, com estreia já na temporada 2026/27 — um calendário apertado que demonstra a urgência com que o craque trata esse braço do investimento.

Seis acessos separam o Cornellà da Liga F — e Messi já calculou o caminho

A Segunda Catalana representa o ponto de partida mais humilde possível dentro do sistema piramidal do futebol feminino espanhol. Para chegar à Liga F, a principal competição do país — onde jogam clubes como Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid —, o novo time de Messi precisaria conquistar pelo menos seis acessos consecutivos. É uma jornada que, em condições normais, levaria décadas. Com investimento estruturado e planejamento profissional, pode ser comprimida significativamente.

O futebol feminino espanhol passou por uma transformação radical nos últimos anos. A Seleção Espanhola conquistou a Copa do Mundo em 2023, o Barcelona domina a Champions League feminina com regularidade e a Liga F ampliou sua audiência e patrocinadores de forma expressiva entre 2024 e 2026. Entrar nesse mercado agora, mesmo pela base, não é ingenuidade — é timing calculado.

O SportNavo apurou que o modelo de desenvolvimento adotado por Messi no Cornellà se assemelha ao que clubes como o Lyon feminino utilizaram nas décadas de 1990 e 2000 na França: começar pequeno, investir pesado em categorias de base e construir identidade regional antes de competir no topo. O Lyon venceu 16 edições da Liga dos Campeões feminina. A referência não é casual.

Estrutura física e base de formação como pilares do projeto

O plano de Messi para o Cornellà não se restringe ao futebol feminino. O planejamento inclui a ampliação do estádio para cerca de oito mil torcedores e a criação de um centro de treinamento moderno, com novos campos e melhores condições para as categorias de base — tanto masculinas quanto femininas. A infraestrutura é tratada como pré-condição, não como consequência do sucesso esportivo.

A equipe principal masculina do Cornellà disputa atualmente a Tercera Federación, quinta divisão do futebol espanhol, e o clube já é reconhecido na Espanha pelo trabalho de formação de jovens jogadores. Esse DNA de base é exatamente o que Messi pretende preservar e ampliar, usando-o como argumento para atrair famílias da Catalunha que queiram ver suas filhas treinando em uma estrutura com respaldo do melhor jogador da história.

Decidiu.

A captação de jovens atletas catalãs está em andamento. Segundo a Catalunya Ràdio, o foco inicial é no mercado regional, o que faz sentido tanto logisticamente quanto estrategicamente: a Catalunha possui uma das maiores densidades de jogadoras jovens da Espanha, e o Cornellà, geograficamente inserido na Grande Barcelona, tem acesso direto a esse celeiro.

O que o projeto de Messi muda para o futebol feminino espanhol

A entrada de Messi no futebol feminino tem um peso simbólico que vai além dos euros investidos. Nos últimos dois anos, o futebol feminino espanhol enfrentou uma crise institucional severa — a greve das jogadoras da seleção em 2022, o escândalo envolvendo o ex-presidente da RFEF Luis Rubiales em 2023, e as tensões trabalhistas que se arrastaram até 2024. O setor precisava de novos protagonistas e de investidores que trouxessem credibilidade, não apenas capital.

Um projeto capitaneado pelo maior nome do futebol mundial, ainda que começando na sétima divisão, reposiciona o debate. Clubes menores da Catalunha já começam a sentir pressão indireta para profissionalizar suas estruturas femininas, temendo perder talentos regionais para o projeto do Cornellà. E patrocinadores que antes ignoravam o futebol feminino de divisões inferiores já monitoram o que Messi vai construir.

O diagnóstico de um clube que Messi quer reinventar pelo futebol feminino Todo m
O diagnóstico de um clube que Messi quer reinventar pelo futebol feminino Todo m
Segundo pessoas ligadas ao projeto, Messi trata o investimento no futebol feminino como prioridade estratégica — não como apêndice do projeto masculino, mas como pilar autônomo com metas e cronograma próprios.

O próximo passo concreto será a formalização do departamento feminino do Cornellà nas próximas semanas, com a definição da comissão técnica responsável pela montagem do elenco que estreará na Segunda Catalana em 2026/27. Todo mundo sabe que Messi comprou o Cornellà. O que poucos anteciparam é que a peça mais transformadora do seu novo projeto não está no futebol masculino.