Explodiu. No palco da coletiva de imprensa do UFC 328, realizada em 8 de maio de 2026 no Prudential Center em Newark, Nova Jersey, UFC viu uma cena que não é comum nem nos cards mais tensos: o campeão dos leves Ilia Topuria arremessou um copo em direção a Josh Hokit e precisou ser contido pela equipe de segurança. O estopim foi uma provocação de Hokit a Alex Pereira que cruzou uma linha clara — comentários sobre a mãe do campeão brasileiro.
O que Topuria ouviu que fez o sangue ferver
Topuria, que defende o cinturão dos leves contra Justin Gaethje no UFC Freedom 250, estava sentado no mesmo palco quando Hokit começou sua performance habitual de trash talk. Só que desta vez o alvo não era seu oponente direto — Hokit enfrenta Derrick Lewis no mesmo card — e o conteúdo foi além do confronto esportivo.
"Eu nunca vi ninguém se levantar e falar sobre a mãe de alguém daquele jeito tão desrespeitoso. Alex estava lá, havia muito barulho, ele mal conseguia ouvir. E eu pensei: não dá pra acreditar que ele está dizendo tudo isso sem motivo nenhum. Você não vai nem lutar contra ele."
A declaração de Topuria, dada em entrevista ao jornalista Alvaro Colmenero, expõe a lógica que o fez reagir. Para o georgiano, há uma fronteira implícita no trash talk do MMA: atacar profissionalismo, postura, histórico — tudo bem. Envolver família, especialmente mãe, é outra categoria.
O copo não foi um gesto impulsivo sem consequência — foi um aviso deliberado. Topuria deixou claro que a segurança não estava ali para protegê-lo de Hokit, mas o contrário.

"O copo definitivamente não ia errar. Sorte que havia muitos seguranças lá, porque um dos dois ia sair em situação pior — e não seria eu."
Hokit respondeu como Hokit sempre responde
Hokit, 28 anos, construiu sua marca exatamente nesse tipo de provocação. Nas redes sociais, no dia 17 de maio de 2026, ele reagiu à repercussão com o humor característico que usa como escudo e como arma ao mesmo tempo.
"Você não sobreviveria numa mesa de refeitório de escola americana. Menino protegido, eu disse que ia fazer 'Chama' na mãe dele. Se isso é tão grave, aí a pergunta é: o que 'Chama' significa afinal?"
A resposta de Hokit funciona em dois níveis. Primeiro, ele minimiza o incidente com ironia. Segundo, ele escorrega pela ambiguidade linguística — "Chama" em português tem conotação sexual vulgar, e Hokit sabe exatamente o que disse. A performance de inocência é calculada, como tudo que ele faz no microfone.
Hokit acumula quatro vitórias consecutivas no peso-pesado do UFC, com três finalizações. Ele não é só barulho — é um atleta de 130 kg com cartel real que está construindo uma narrativa de villain com eficiência industrial. O problema é que desta vez ele escolheu o alvo errado para expandir esse personagem.
O que o incidente revela sobre Topuria e o card do UFC Freedom 250
Topuria tem 27 anos, cartel de 16 vitórias e zero derrotas, e é campeão dos leves desde que nocauteou Charles Oliveira em fevereiro de 2025. Sua reação em Newark não foi fraqueza — foi sinal de lealdade a um aliado e de onde estão seus limites emocionais. No compasso da Lapa de quinta-feira, quando a madrugada carioca mistura tensão e afeto, Topuria mostrou que a frieza no octógono não é ausência de emoção: é controle seletivo dela.
A questão tática relevante é outra: Topuria vai ao cage contra Gaethje com a cabeça perturbada por um incidente que não tem nada a ver com sua luta? A resposta é provavelmente não. Topuria tem histórico de transformar raiva em foco — foi assim contra Charles Oliveira, foi assim contra Volkanovski quando herdou o cinturão dos penas em setembro de 2023. O copo jogado em Newark pode ser o último resquício emocional antes do modo de combate ligar.
Hokit, por sua vez, entra contra Lewis com vantagem de reach de 10 centímetros e striking defense superior — mas Lewis ainda carrega poder de nocaute em ambas as mãos e tem 264 libras de massa que compensam mobilidade reduzida. O circo que Hokit criou na coletiva pode ser exatamente o tipo de combustível que ele precisa para performar no card principal.
O que ficou claro em Newark é que existe agora uma tensão pessoal entre Topuria e Hokit que o UFC vai explorar editorialmente. Uma luta entre os dois é improvável no curto prazo — categorias diferentes, 155 lbs contra 265 lbs — mas o confronto verbal já foi vendido para o público. Topuria não esquece. Hokit não para — e essa combinação é dinamite para qualquer coletiva futura em que os dois dividam o mesmo palco.
O UFC Freedom 250 acontece com Topuria defendendo o cinturão dos leves contra Gaethje no main event — o georgiano chega como favorito nas casas de apostas com odds de -250, enquanto Hokit e Lewis abrem o card principal com uma briga que pode definir quem entra na conversa pelo cinturão dos pesados em 2026.









