O Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou a SAF do Cruzeiro a pagar indenização de R$ 180 mil ao goleiro Lucas Henrique, de 24 anos, em ação trabalhista movida após rescisão contratual considerada irregular pelo judiciário. O atleta, formado nas categorias de base do clube mineiro entre 2018 e 2022, alegou não pagamento de direitos trabalhistas durante sua passagem pelo Toca da Raposa II.
Trajetória nas categorias de base revelou inconsistências contratuais
Lucas Henrique ingressou no Cruzeiro aos 16 anos, procedente do Democrata-GV, onde havia disputado 28 jogos no sub-15 com média de 0,7 gols sofridos por partida. Durante quatro temporadas na base celeste, o goleiro acumulou 89 jogos entre sub-17, sub-19 e sub-20, mantendo seus gols limpos em 34% das partidas disputadas. Profissionalizado em janeiro de 2022, o arqueiro assinou contrato válido até dezembro de 2024 com salário inicial de R$ 8.500 mensais.

A rescisão unilateral ocorreu em agosto de 2022, quando Lucas Henrique havia disputado apenas 12 jogos como profissional no Campeonato Mineiro da Segunda Divisão. O clube alegou baixo rendimento técnico, mas o goleiro contestou a decisão judicialmente, argumentando que valores referentes a FGTS, férias proporcionais e 13º salário não foram quitados adequadamente.
"O Cruzeiro não cumpriu suas obrigações contratuais básicas. Fui dispensado sem receber direitos garantidos em lei", declarou Lucas Henrique em depoimento ao TST.
Decisão judicial reconhece falhas na gestão da SAF
O processo tramitou por 18 meses até chegar ao TST, onde os desembargadores analisaram documentação que comprovou irregularidades na rescisão. Segundo apuração do SportNavo, a defesa do goleiro apresentou planilhas detalhadas mostrando diferenças entre valores depositados e montantes devidos conforme legislação trabalhista vigente.
A relatora do caso, ministra Dora Maria da Costa, destacou em seu voto que a SAF do Cruzeiro não conseguiu comprovar pagamento integral dos direitos rescisórios. O tribunal determinou ainda o pagamento de juros e correção monetária, elevando o valor total da indenização para R$ 180 mil.
Impacto financeiro soma-se aos desafios da reconstrução celeste
Esta condenação representa mais um passivo trabalhista para a SAF comandada por Pedro Lourenço, que já acumula R$ 2,3 milhões em processos similares desde 2022. O departamento jurídico celeste registra 47 ações movidas por ex-jogadores das categorias de base, sendo 23 relacionadas ao período de transição entre associação civil e empresa.
Lucas Henrique atualmente defende o Vila Nova-GO na Série B, onde disputou 31 jogos em 2024 com aproveitamento de 68%. Aos 24 anos, o goleiro soma 156 partidas como profissional e mantém média de 1,2 gols sofridos por jogo ao longo da carreira.
A SAF do Cruzeiro ainda pode recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal, mas especialistas em direito desportivo consideram baixas as chances de reversão. O clube terá prazo de 30 dias para efetuar o pagamento da indenização ou apresentar recurso extraordinário.

