26 vagas, três nomes pesados de fora. Quando a imprensa britânica começou a circular a lista vazada de Thomas Tuchel para a Copa do Mundo de 2026, o impacto foi imediato: Phil Foden, Cole Palmer e Harry Maguire não estariam entre os convocados. A confirmação veio antes mesmo do anúncio oficial — marcado para a manhã de 22 de maio — pelo próprio Maguire, que usou as redes sociais para tornar público o corte que o deixou, nas suas próprias palavras, arrasado.
Maguire confirma o corte e o peso de uma decisão irreversível
Zagueiro com passagem consolidada pela seleção inglesa, Harry Maguire não esperou o comunicado oficial. Na quinta-feira (21), publicou uma nota que misturava gratidão e frustração em proporções iguais.
"Eu estava confiante de que poderia desempenhar um papel importante pelo meu país neste verão, depois da temporada que tive. Fiquei chocado e arrasado com a decisão. Não amei nada mais do que vestir essa camisa e representar meu país ao longo dos anos. Desejo aos jogadores tudo de melhor."
O defensor do Manchester United viveu uma temporada 2025/2026 de recuperação elogiada em Old Trafford, o que tornava a exclusão ainda mais difícil de digerir. Historicamente, a seleção inglesa convocou Maguire mesmo em seus piores momentos no clube — o corte agora, justamente quando voltou a jogar bem, soa como uma virada de página definitiva de Tuchel.
Decidiu.
Foden e Palmer pagam o preço de temporadas irregulares
A ausência de Phil Foden carrega um peso histórico. O meia do Manchester City foi eleito melhor jogador da Premier League na temporada 2023/2024, mas viveu um 2025/2026 de perda de espaço e rendimento abaixo do esperado. Para um técnico como Tuchel, que prioriza consistência tática e intensidade física, um Foden em ritmo irregular representa risco maior do que ausência.
Cole Palmer, o camisa 10 do Chelsea, pagou o preço das lesões. O meia-atacante foi um dos jogadores mais decisivos da Premier League na temporada anterior, mas o calendário 2025/2026 o tirou de campo em momentos cruciais. Segundo a apuração do SportNavo, Tuchel não abriu mão de nomes que chegassem à Copa em plena forma física — e Palmer simplesmente não cumpriu esse critério a tempo.
A combinação dos dois cortes revela uma lógica clara: Tuchel não convoca reputações, convoca desempenhos. É uma postura que contrasta com a tradição inglesa de preservar grandes nomes até o limite — algo que custou caro em edições anteriores da Copa, como em 2010, quando Frank Lampard, Steven Gerrard e Wayne Rooney conviveram sem entrosamento e a Inglaterra caiu nas oitavas para a Alemanha por 4 a 1.
Os beneficiados pelo corte e a nova cara do meio-campo inglês
Com as ausências confirmadas, a mídia britânica aponta um grupo de nomes prontos para ocupar as vagas. Kobbie Mainoo, do próprio Manchester United, deve herdar posição no meio-campo — aos 20 anos, o volante ganhou consistência na Premier League e tem o perfil de intensidade que Tuchel valoriza. No setor defensivo, Dan Burn e Tino Livramento, ambos do Newcastle, surgem como alternativas para cobrir a lacuna deixada por Maguire.
No ataque, Noni Madueke (Arsenal), Ollie Watkins (Aston Villa) e Ivan Toney (Al-Ahli) aparecem como cotados. Watkins, que foi decisivo na Eurocopa de 2024 ao marcar o gol da virada contra a Holanda nas semifinais, já tem o crédito de Tuchel. Toney, mesmo atuando fora da Europa, manteve números de gols expressivos e pode ser a opção de profundidade no setor.
A lista oficial com os 26 nomes será divulgada na manhã de 22 de maio, e qualquer alteração em relação ao vazamento ainda é possível — mas a confirmação antecipada de Maguire reduz o espaço para surpresas positivas entre os cortados.
O Grupo L e o que Tuchel precisa construir até 17 de junho
A Inglaterra integra o Grupo L da Copa do Mundo de 2026 e estreia no dia 17 de junho, às 17h (horário de Brasília), contra a Croácia no AT&T Stadium, no Texas. Na sequência, enfrenta Panamá e Gana para completar a fase de grupos.

O confronto com a Croácia tem carga emocional específica: foi justamente a seleção croata que eliminou a Inglaterra na semifinal da Copa de 2018, na Rússia, por 2 a 1 na prorrogação — o jogo em que Maguire, ironicamente, foi um dos destaques ingleses. Oito anos depois, o zagueiro assiste ao torneio de fora.
Tuchel tem cerca de três semanas para consolidar o grupo, definir esquema e encontrar entrosamento entre jogadores que, em muitos casos, nunca atuaram juntos em competições oficiais. A lista que vaza hoje é o primeiro capítulo dessa construção — e a estreia contra a Croácia, no dia 17 de junho, será o primeiro teste real das escolhas do técnico alemão. Vale gravar o jogo: ele dirá muito sobre se os cortes polêmicos foram acertos ou apostas arriscadas.












