Os números da última Data FIFA antes da convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 expõem um cenário de luzes e sombras para a Seleção Brasileira. Em duas partidas disputadas em março, o Brasil registrou aproveitamento de 50%, com vitória por 3 a 1 sobre a Croácia e derrota por 1 a 0 para a Argentina, resultados que contrastam com a consistência demonstrada por alguns de seus principais rivais no torneio que será realizado nos Estados Unidos, México e Canadá.

Números revelam instabilidade brasileira

A oscilação de desempenho da Seleção fica evidente quando analisamos os dados das últimas seis partidas sob comando de diferentes técnicos. Desde setembro de 2023, o Brasil acumula três vitórias, dois empates e uma derrota, com 11 gols marcados e seis sofridos. O aproveitamento de 66,6% é inferior ao registrado pelas seleções brasileiras que conquistaram os mundiais de 1994 (78,3% nos amistosos pré-Copa) e 2002 (72,1% no mesmo período).

Endrick, aos 17 anos, emergiu como principal destaque positivo da janela, marcando seu primeiro gol pela Seleção principal contra a Croácia e se tornando o terceiro jogador mais jovem a balançar as redes pelo Brasil em jogos oficiais, superando apenas Pelé (16 anos e 259 dias em 1957) e Ronaldo Fenômeno (17 anos e 182 dias em 1994). O atacante do Real Madrid demonstrou maturidade tática ao ocupar diferentes posições durante os 90 minutos contra os croatas.

Marrocos mantém invencibilidade preocupante

Enquanto o Brasil alterna momentos, Marrocos construiu uma sequência invicta que chama atenção dos analistas internacionais. A seleção africana não perde há 11 jogos, desde a derrota por 2 a 1 para a França na semifinal da Copa do Catar, em dezembro de 2022. Nos últimos dois amistosos da Data FIFA, os Leões do Atlas venceram Angola por 1 a 0 e empataram com a Mauritânia por 0 a 0, mantendo a solidez defensiva que os levou ao quarto lugar no Mundial anterior.

Os números de Marrocos impressionam pela consistência: em 11 partidas sem derrota, a equipe comandada por Walid Regragui sofreu apenas seis gols, média de 0,54 por jogo. Para comparação, o Brasil no mesmo período (desde janeiro de 2023) registrou média de 0,89 gols sofridos por partida, evidenciando menor organização defensiva.

"A vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Croácia provocou mudança no foco das manifestações de torcedores, que passaram a pressionar por outras opções no ataque"

França impressiona com renovação acelerada

A França se estabeleceu como uma das seleções que mais evoluíram na última janela internacional, apresentando um processo de renovação que não compromete o nível técnico. Nos dois amistosos de março, Les Bleus venceram o Chile por 3 a 2 e a Alemanha por 2 a 0, com destaque para a dupla Mbappé-Griezmann, que combinou para quatro dos cinco gols franceses.

Didier Deschamps promoveu a estreia de três jogadores sub-23 na Data FIFA, mantendo a média de idade da equipe em 25,4 anos, dois anos abaixo da média brasileira atual. A estatística reflete a capacidade francesa de equilibrar experiência e renovação, algo que o Brasil ainda busca encontrar sob a gestão de diferentes comandantes técnicos nos últimos dois anos.

Haiti e Escócia, por outro lado, confirmaram as dificuldades que atravessam. A seleção caribenha perdeu os dois amistosos disputados (3 a 1 para Jamaica e 2 a 0 para Antígua e Barbuda), enquanto os escoceses empataram sem gols com a Irlanda do Norte e perderam por 4 a 0 para a Holanda, expondo fragilidades defensivas preocupantes.

Ancelotti herda dilemas estatísticos

Carlo Ancelotti anunciará a convocação para a Copa do Mundo em 18 de maio, na sede da CBF, enfrentando dilemas que os números da última Data FIFA tornaram mais evidentes. A dependência de Neymar, ausente por lesão desde outubro, criou um vácuo criativo que nem Endrick nem outros jovens talentos conseguiram preencher completamente nos 180 minutos disputados em março.

Números revelam instabilidade brasileira Última Data FIFA expõe fragilidades do
Números revelam instabilidade brasileira Última Data FIFA expõe fragilidades do

O técnico italiano herda uma Seleção que, estatisticamente, marca 1,83 gols por jogo nos últimos 12 meses, mas sofre 1,16, números que a colocam abaixo das médias das equipes brasileiras campeãs mundiais. Em 1994, a Seleção de Parreira registrou 2,1 gols marcados e 0,7 sofridos por partida no ano da conquista. Em 2002, sob Felipão, foram 2,3 gols feitos e 0,8 sofridos.

Marrocos mantém invencibilidade preocupante Última Data FIFA expõe fragilidades
Marrocos mantém invencibilidade preocupante Última Data FIFA expõe fragilidades

A Copa do Mundo de 2026 terá início em 11 de junho, com o Brasil enfrentando um calendário de preparação que inclui amistosos programados para maio, antes da convocação definitiva. Os 48 participantes do torneio expandido tornam a competição mais imprevisível, exigindo que Ancelotti encontre rapidamente o equilíbrio entre a tradição brasileira e as demandas táticas modernas evidenciadas pelos rivais europeus e africanos na última janela.