Quando o árbitro apitou o final no Estádio Riyadh Air Metropolitano, nesta quarta-feira (29), o placar de 1 a 1 entre Atlético de Madrid e Arsenal escondia uma história muito mais complexa do que dois pênaltis convertidos. Os gols de Viktor Gyökeres e Julián Álvarez foram apenas o capítulo mais visível de uma tarde dominada pela arbitragem de vídeo, que interveio em três dos quatro lances mais decisivos do confronto de ida da semifinal da Champions League.

Uma primeira etapa de estudo com desfecho inesperado

Os 45 minutos iniciais no Metropolitano — lotado por uma torcida que presenteou os jogadores com uma chuva de papel higiênico na entrada em campo — foram marcados pelo equilíbrio extremo e pela escassez de chances claras. Cada equipe chegou ao intervalo com apenas uma boa finalização registrada: Julián Álvarez exigiu defesa de David Raya aos 14 minutos, e Noni Madueke respondeu com um chute que passou rente à trave de Jan Oblak aos 28. O Atlético, postado num 5-4-1 pouco agressivo, cedeu a iniciativa aos ingleses por longos trechos.

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O equilíbrio foi rompido aos 42 minutos por um erro coletivo espanhol. Martín Zubimendi tabelou com Martin Ødegaard e encontrou Gyökeres dentro da área. O atacante sueco protegeu a bola, levou toque por trás de David Hancko e caiu. O árbitro apontou o ponto branco sem consultar o VAR. Na cobrança, Gyökeres bateu forte no canto direito — Oblak caiu no lado correto, mas não conseguiu segurar — e marcou seu quinto gol na edição da Champions League.

A transformação do Atlético no segundo tempo e o empate pelo VAR

A entrada do zagueiro Le Normand no lugar do ponta Giuliano Simeone no intervalo sinalizou uma mudança tática profunda do técnico Diego Simeone. Com Marcos Llorente avançando para o setor de ataque, o Atlético passou a sufocar o Arsenal em cada metro de campo e, aos 7 minutos da etapa final, Raya precisou fazer grande defesa em finalização de Lookman após rebote de chute de Álvarez. Gabriel Magalhães ainda salvou o que seria o gol do empate ao cortar a bola com o ombro na linha.

O empate veio aos 9 minutos após cobrança de escanteio de Antoine Griezmann. A bola atingiu o braço esquerdo de Ben White dentro da área — desta vez, o árbitro revisou o lance no monitor e confirmou a penalidade. Julián Álvarez, que havia sido protagonista do erro que gerou o primeiro pênalti, cobrou com precisão no canto direito, sem chances para Raya, anotando seu décimo gol no torneio e encerrando a sequência de pressão colchonera com o resultado que o desempenho merecia.

"O Atlético se transformou no segundo tempo. Com a entrada de Le Normand, o time passou a sufocar cada metro que os ingleses pisavam com a bola", observou análise da imprensa espanhola após o apito final.

O pênalti anulado e o peso do VAR no resultado

O terceiro lance de pênalti da partida foi o mais polêmico. Aos 33 minutos do segundo tempo, após jogada de Bukayo Saka, Eberechi Eze caiu na área em disputa com Marc Pubill. O árbitro inicialmente apontou pênalti para o Arsenal, decisão que, se mantida, poderia ter mudado completamente a dinâmica do confronto. Após longa revisão no monitor do VAR, a penalidade foi anulada — o árbitro concluiu que não houve falta de Pubill sobre Eze.

Uma primeira etapa de estudo com desfecho inesperado VAR decide empate entre Atl
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A sequência de três intervenções da arbitragem de vídeo em lances de área — dois pênaltis confirmados com critérios distintos e um anulado — gerou debate imediato sobre a uniformidade das decisões. A análise do SportNavo mostra que, nos dois pênaltis convertidos, o contato físico existiu em ambos os casos, mas a revisão foi solicitada apenas para o lance que beneficiou o Atlético. A ausência de checagem no pênalti de Hancko sobre Gyökeres, comparada à revisão obrigatória no toque de mão de Ben White, evidencia a assimetria nos protocolos aplicados ao longo do jogo.

"O Arsenal deu sorte de sair com um empate", avaliou a imprensa europeia especializada, destacando que os espanhóis acumularam 13 finalizações, três grandes chances e 2 gols esperados, segundo dados do SofaScore, contra uma única finalização do time inglês nos 45 minutos finais.

O que esperar no Emirates Stadium

O 1 a 1 no Metropolitano deixa a semifinal completamente aberta para o jogo de volta, marcado para a próxima terça-feira (5), às 16h (horário de Brasília), no Emirates Stadium, em Londres. O empate sem gols ou qualquer vitória classifica o time vencedor diretamente para a final em Budapeste. Antes do duelo decisivo, os dois clubes jogam pelo seus respectivos campeonatos nacionais no sábado (2): o Atlético enfrenta o Valencia pela LaLiga, enquanto o Arsenal recebe o Fulham pela Premier League. Griezmann, que acertou o travessão aos 18 minutos do segundo tempo e quase marcou em seguida em desvio que Gabriel Magalhães tirou pela linha, e Álvarez, já com dez gols na competição, são os nomes mais perigosos que Mikel Arteta terá de neutralizar em Londres para garantir a vaga na final.